Bullet journal, diário e caderno de lugar comum: 3 ideias para se organizar

Quem curte organização geralmente curte uma boa papelaria. Vamos partir desse princípio universal. E quem curte artigos de papelaria não resiste a um caderno novo, né? Isso se aplica à quase todos os amantes de organização que existem por aí. E se esse é o seu caso, hoje é o seu dia de sorte. Este texto vai te dar uma desculpa super plausível e aceitável pra você entrar na melhor papelaria que você conhece e comprar três cadernos lindíssimos – sem o menor pingo de culpa.

Da minha parte, admito que já tive mais tesão por papelaria. Hoje em dia o meu sistema de organização é todo virtual e eu uso cadernos só em momentos bem específicos. Depender da tecnologia para me organizar tem sido um grande benefício, muito mais do que uma desvantagem, mas existem algumas coisas que só um caderno faz. Eu vou te dar hoje três ótimos exemplos disso.

Vou te contar os três melhores usos que você pode dar para os seus cadernos (especialmente aqueles que estão lá no fundo da sua estante, pegando poeira) e como essas ideias vão ajudar muito na sua organização de vida. Essas dicas não são revolucionárias, obviamente. Mas, como toda boa ideia de organização, elas são simples o suficiente para que você não tenha nenhuma desculpa para não colocar elas em prática. Só o que você precisa é de um caderno e de uma caneta.

Mas primeiro, antes de cairmos direto no assunto, uma ressalva importante.

Ser uma pessoa organizada vai muito além de ter um guarda-roupa impecável ou de arrumar milimetricamente todas as suas gavetas. A organização não diz respeito apenas à ordem dos objetos físicos ou às datas das provas que você anotou na sua agenda. Se organizar é ter clareza do que está acontecendo à sua volta e encontrar um lugar justo e coerente para todas essas coisas. A busca por uma vida organizada é, na verdade, um exercício – algo que a gente faz todo santo dia, especialmente quando as coisas estão confusas demais, ambíguas demais e a gente não está entendendo bem o que a vida está querendo nos dizer.

A organização é a nossa busca pessoal eterna. É o nosso esforço consciente e racional de sermos cada vez mais aptos, mais capazes, mais flexíveis e mais preparados. O que não quer dizer que nós somos perfeitos, é claro (se você sofre de perfeccionismo agudo dê uma pausa e venha ler este texto aqui, ele vai te ajudar).

Mas buscar ser uma pessoa melhor está liberado – qualquer um pode tentar.

Eu quis deixar isso claro desde o início para que você entenda cada vez mais que organização não diz respeito apenas à listas, aplicativos, técnicas digitais e hacks de produtividade. Ela é isso também, mas não só. E as ideias que vou te mostrar hoje são perfeitas para cobrir todos os aspectos da organização: o prático (anotar consultas, fazer lista de mercado, priorizar as suas tarefas do dia, planejar metas para o ano), o intelectual (organizar ideias e aprendizados, registrar questionamentos e questões que estão te deixando com a pulga atrás da orelha) e o emocional (o que está te perturbando, te tirando o sono e te entristecendo).

 
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Caderno de lugar comum

A Thais Godinho escreveu um ótimo texto sobre isso e foi ele que me deu o estalo de escrever esse texto. Um commonplace book, como ele costuma ser chamado em inglês, é um dos melhores tipos de cadernos que existem. Ele serve para que você anote e compile em um mesmo lugar tudo o que você aprendeu até hoje. Mais ou menos o que o Tim Ferris se propôs a fazer (e fez brilhantemente, com todo o louvor) no seu novo livro, o Tools of Titans.

A sugestão é que você concentre neste caderno todas as anotações, frases e teorias que falem sobre o mesmo tema e que você achar relevante para os seus estudos ou para o seu momento atual. Com o tempo você vai ter criado o seu próprio arsenal de teorias e ideias, todos reunidos em um mesmo lugar. Essa definição soa ampla demais e, até certo ponto, é para ser mesmo. Os usos de um caderno de lugar comum podem ser tão variados quanto os seus donos. O princípio é que esse caderno te ajude a se organizar mentalmente. Mas antes de prosseguir, uma pausa.
 

 
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Quem me conhece sabe muito bem que eu sou apaixonada por livros. E todas as pessoas que já me fizeram a infeliz e amarga pergunta “qual é o seu livro favorito?” sabem que isso não é coisa que se pergunte para nenhum leitor. Apesar do meu desgosto (eleger uma história como sendo a melhor que você já leu é uma coisa muito injusta de se fazer, para não dizer impossível), eu tenho uma resposta na manga para essa pergunta sim. Eu tenho um livro favorito.

Ou, melhor dizendo, uma série de livros favorita.

Desventuras em Série. A coleção de histórias que me ensinou muito mais coisas importantes do que metade dos livros que eu li na vida adulta – e que segue sendo, até hoje, uma luz e um guia para a vida. Foi lendo Desventuras em Série que eu vi, pela primeira vez, o termo caderno de lugar de comum. O uso que os personagens do livro faziam dessa ideia era ligeiramente diferente: eles usavam os seus cadernos para anotar tudo o que fosse relevante para o momento atual das suas vidas.

Absolutamente tudo, sem exceção.

Perguntas, placas de carro, telefones, ideias para o futuro, tudo mesmo. Eles literalmente faziam desses cadernos um lugar comum para tudo o que fosse relevante nas suas vidas naquele momento. Sem índice e sem muita organização, eles só anotavam, anotavam, anotavam. Achei justo mencionar  essa ideia (ainda que ela seja fictícia) porque essa visão foi uma das coisas que despertou o meu interesse pela organização. Foi um das chamas primordiais, sabe?

A ideia de carregar um caderno para todo lugar e anotar nele tudo o que for relevante para você (ainda que existam muitas desvantagens e muitos perigos em você fazer só isso) é um dos grandes princípios da organização. Tirar tudo da sua cabeça e anotar essas coisas em algum lugar seguro, sem confiar no seu cérebro humano e falho para cuidar e administrar toda a sua vida por você, é a primeira regra desse jogo.

Os personagens dessa história usavam o conceito de caixa de entrada do GTD sem nem se darem conta. E se você não fizer mais nada pela sua organização, faça isso. Não precisa ser em um caderno, aliás. Pode ser o que você quiser. Mas aceite que você não dá conta de fazer tudo sozinho e que a sua cabeça tem coisas mais importantes para fazer do que ficar te lembrando (geralmente a todo momento, mesmo quando você não pode fazer nada a respeito) que você precisa comprar ovos e leite da próxima vez que for no mercado.

Esses personagens entendiam (aquela que fala de pessoas que não existem como se existissem) que eles tinham coisas mais importantes para fazer. Resolver problemas, tomar decisões e criar os seus próprios estilos de vida eram atividades muito mais relevantes do que guardar na memória os detalhes do dia-a-dia. Eles delegavam essa função para uma ferramenta externa confiável e pronto, segue o baile.
 

 
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O conceito original de um caderno de lugar comum não é exatamente esse, mas achei justo mencionar essa possibilidade. Um caderno de lugar comum, tradicionalmente, é um espaço no qual você registra todos os conceitos, teorias e ideias que sejam relevantes para você, agrupando tudo por assunto. Você pode incluir tabelas, receitas, poemas, frases e tudo que vá te ajudar a fixar o tema na memória.

Quer um exemplo prático?

 
 

Esse aí é o caderno que eu usei quando comecei a estudar filosofia.

Eu participo até hoje de uma escola livre de filosofia e, no início, eu usava esse caderno para anotar todas as ideias e os insights que eu tinha quando assistia a uma palestra ou a uma aula. Eu criei um índice na primeira folha e conforme surgiam aulas ou palestras que me interessavam (sobre qualquer subtema relacionada à filosofia) eu pulava uma página, escrevia o título e começava a anotar ali as ideias.

Eu construí o índice ao longo do tempo, conforme surgiam as oportunidades.

Eu não fiz nada muito sofisticado com esse caderno, como dá para ver. Eu simplesmente decidi que ele seria o meu caderno comum para filosofia e pronto. A ideia original do caderno de lugar comum é que ele guarde tudo sobre todos os assuntos que você goste. Você pode criar um índice que divida esses assuntos por subtemas ou colocar etiquetas coloridas nas bordas das páginas para que você saiba rapidamente onde começa cada sessão.

Mas, particularmente, eu preferiria ter um caderno para cada grande tema relevante na minha vida. Quais são os assuntos que você está estudando atualmente? Você faz terapia? Eu tenho um caderno apenas para os insights que eu tenho durante as minhas sessões de terapia – e eu considero ele um caderno de lugar comum também, de certa forma. Quais são os assuntos que você anda pesquisando na internet e procurando aprender mais sobre?

Eu comecei esse ano a escrever todas as minhas considerações sobre os livros que eu leio em um mesmo caderno, aliás. Essa poderia ser uma outra categoria de um caderno de lugar comum. A minha mente funciona dessa forma e essas divisões (filosofia, livros que eu leio, terapia) funcionam bem para mim. Mas você pode criar uma seção apenas sobre economia e colocar ali tudo o que você aprendeu com os últimos três livros que você leu sobre o tema. Essa é uma outra forma.

 
 

Em tudo por tudo, já deu para perceber que esse conceito pode ser personalizado e alterado de muitos jeitos, né? O mais importante é captar a ideia da coisa: ter um lugar para armazenar as suas ideias. As teorias, as perguntas e as informações que estão relacionadas com o seu crescimento pessoal e profissional e que deveriam estar fora da sua cabeça. Isso facilita que você continue sempre aprendendo e possa voltar, com facilidade, nas ideias que mais te impactaram.

Organização mental é coisa de primeira importância. Ainda mais em uma época onde a informação, os avanços e as inovações são bombardeadas em nós a todo o momento. Um caderno para registrar o seu aprendizado contínuo e para anotar as teorias que te ajudam a crescer como ser humano vai fazer muito pela sua jornada.
 

 

Diário

O termo em inglês é mais sofisticado – journal – e faz a gente parecer menos uma garotinha de doze anos escrevendo sobre a sua paixão platônica no meio da sala de aula. Dizer “diário” é quase uma ofensa hoje em dia e eu preciso te convencer que esse preconceito não está com nada.

Ter um diário não significa escrever tudo o que fez nas últimas vinte e quatro horas e nem significa que você precisa escrever nele todos os dias. Um diário é apenas um lugar para esclarecer os seus pensamentos e organizar as suas emoções. Outro conceito bem parecido com esse é o conceito das morning pages – ou “páginas matinais”, em uma tradução bem livre e bem literal.

Quem aí leu o livro O Milagre da Manhã sabe do que eu estou falando.

E quem não leu pode dar uma olhada nesse vídeo aqui e se inteirar do assunto rapidinho. As páginas matinais são um exercício que você faz todos os dias de manhã: você escreve tudo o que vier à sua mente por pelo menos quinze ou vinte minutos. O livro sugere que você faça isso (tomar contato com o seu fluxo de consciência e entender o que está se passando na sua cabeça) antes de realmente começar a fazer alguma coisa com o seu dia. Essa seria uma das preparações para que você comece o seu dia com o pé direito e com a mente livre e limpa.

Mas, contanto que você entenda a ideia, o nome é o de menos.

Quais tem sido as suas preocupações, ultimamente? O que tem estado na sua cabeça e tem te incomodado? Se você não faz nenhum tipo de terapia você precisa ter um caderno desses, mais do que ninguém. Ter um diário significa colocar um espelho na frente dos seus sentimentos e pensamentos e ver o que ele reflete de volta. É uma forma simples de se conhecer melhor e de entender o seu momento de vida atual.

Você pode reclamar, xingar, se fazer perguntas sem respostas, pesar os diferentes lados de uma mesma situação, divagar sobre possibilidades futuras, remoer o passado ou lamentar as suas dores. A escolha é do freguês. O legal é conseguir ver e entender, na prática, as coisas abstratas e sutis que geralmente nos escapam.

 
 

Ter um diário pode, além de tudo, ajudar na sua produtividade.

Quando a gente não fica se distraindo com os nossos pensamentos e emoções, olha que engraçado!, a gente realmente consegue cumprir as tarefas e ser mais produtivo. A prática de literalmente escrever, usando os seus músculos, é um prêmio extra. É sabido que tudo o que a gente faz com as nossas próprias mãos é registrado melhor pela memória. Escrever em um caderno >>> escrever no computador.

Para arrematar a questão com estilo, te deixo com um conselho importantíssimo do Tim Ferris, que incorporou esse hábito e defende que todo mundo faça o mesmo:

 
 
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As suas páginas matinais não precisam resolver os seus problemas. Elas simplesmente precisam tirar os seus problemas da sua cabeça – onde eles ficariam pulando de lá para cá o dia inteiro, como uma bala ricocheteando dentro do seu crânio. Será que a sua vida mudaria se você reclamasse e lamentasse por 5 minutos em uma folha de papel todas as manhãs? Por mais doido que pareça, eu acho que sim.

 

Bullet journal

O queridinho do momento não podia faltar nessa lista, né? A ideia do diário em tópicos (como andam traduzindo para o português, pelo visto) é que você organize todos os aspectos práticos da sua vida em um só lugar. É como um caderno de lugar comum, só que para as datas, tarefas, metas e prioridades da sua vida.

Se você curte desenhar e pintar pode ser, além de tudo, uma ótima terapia. Mas que fique claro que isso não é requisito nenhum. Qualquer caderninho simples pode ser um belo bullet journal. O importante é que você saiba quais são os temas mais importantes a serem organizados.

Para conhecer e ver como é a proposta original do bullet journal, clique aqui.

O bullet journal serve para que você crie um calendário com todos os seus compromissos do ano e escreva, todos os dias, quais são as principais tarefas que você precisa fazer. Você pode escrever uma lista de coisas que você precisa comprar no mercado, dos livros que você ler e das metas que você quer alcançar no ano. Dá para criar visões mensais e semanais das suas principais atividades, organizar a sua rotina e os seus hábitos e até anotar os seus blocos de tempo. As opções são muitas.

Como eu não uso nenhum caderno para me organizar, vou te deixar com imagens lindíssimas e inspirações de outras pessoas que usam o bullet journal. Essas fotos foram tiradas do Pinterest. Se você souber a autoria de algumas delas, me avise nos comentários! E para ver um listona completíssima de tudo o que você pode organizar no seu bujo, veja esse post aqui do blog da Maria Lowen.

Ela é uma super especialista no assunto, você vai se deliciar.

 
 
 

Concluindo 

Eu adoro a parte física da organização. Poder mostrar os meus cadernos e as palavras impressas para inspirar e reacender esse fogo em vocês é o máximo. E por mais que a vida digital seja um dos meus amores eternos, nada se compara a um caderno novinho, cheiroso e cheio de páginas em branco.

Eles despertam o nosso lado artístico, sabe?

A imaginação já começa a correr solta, imaginar caminhos e traçar desejos – e esse é o pulo do gato. Usar um caderno para se organizar é como abrir uma janela para o futuro e começar a pintar a visão do que você quer que aconteça na sua vida. É unir a prática de um trabalho manual com um exercício mental, colocando as suas aspirações e o seu corpo para trabalharem juntos, lado a lado. É a coisa mais linda.

E se você tem o hábito de usar cadernos, de alguma forma, comente aí para mim como você faz. A aérea dos comentário funciona como uma mesinha de bar, onde todo mundo lucra. Você serve de exemplo para os colegas e ainda me ajuda a aumentar as informações disponíveis nesse artigo.


⛱ CURTIU? AQUI TEM + IDEIAS BACANAS PARECIDAS, Ó: