4 conselhos para colocar os seus projetos para andar de verdade

Eu não sei você, mas eu sempre comecei muitas coisas e, de forma geral, eu nunca fui uma pessoa apática ou totalmente ociosa. Eu sempre fazia alguma coisa: aulas da faculdade, curso de inglês, tarefas de casa, um emprego aqui e outro ali, trabalho voluntário, etc. Quem olhava de longe não tinha dúvidas que eu estava sendo, em certa medida, bastante produtiva. Eu lia bastante, saía com os meus amigos regularmente e sempre tinha um blog ou um pequeno projeto de escrita acontecendo.

Você podia olhar de todos os ângulos externos e, por A + B, eu te provava que eu era uma boa executora.

Digo, executora das minhas ideias. Pobre escolha de palavras, mas você entendeu o que eu quis dizer. Isso era o que parecia por fora, obviamente. Porque por dentro, se você olhasse para as ideias que pipocavam na minha cabeça, a história contada era outra. Eu começava muitas coisas e não terminava quase nenhuma.

As únicas coisas que eu realmente fazia eram as obrigações de médio e longo prazo que todo mundo precisa, em um momento ou outro, bancar: faculdade, trabalho e cuidados da casa. Ponto. Nada além disso.

 
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aproveita pra salvar essa imagem aí no Pinterest para se lembrar dessas ideias legais depois. <3


 

Note a diferença entre o que você faz e o que você não faz

Se a gente examinar com atenção, muita coisa útil pode ser descoberta. Quando você diz que você não consegue colocar as coisas em prática, do que é que você está falando exatamente?

Faça uma pausa nessa leitura, caso cê não saiba essa resposta, e se dê um tempo pra fazer uma lista básica desses itens. O que você sempre pensa em fazer e nunca faz? Será que é uma tarefa hiper burocrática e chatíssima que você está empurrando com a barriga? Algum sonho de infância, alucinado demais, que a sua mente diz que não tem como virar realidade? Um novo hábito ou uma mudança de estilo de vida?

Eu sei que eu tenho alguns bloqueios específicos com alguns assuntos em particular. Simples assim.

Toda vez que eu tento colocar um projeto relacionado à uma dessas subáreas da minha vida em prática, eu dou uma empacada. O que acontece para muitas pessoas, porém, é que os projetos mais relevantes, mais valorosos e mais difíceis costumam ser o que menos recebem atenção. Eles se perdem no meio do caos do dia-a-dia ou, supresa supresa, você esbarra com alguma crença limitante totalmente furada que te diz que você não consegue realmente fazer aquilo. Eu sou uma dessas pessoas, também.

O perfeccionismo (a vontade irrealista de fazer tudo 100% à prova de críticas) também pode te roubar muitos – E EU DIGO MUITOS DO TIPO MUITOS MESMO – recursos valiosos e te deixar na seca total, sem poder de ação o suficiente para apostar na sua ideia e finalmente vencer o medo.

Os motivos são muitos e o meu papel aqui não é de terapeuta.

Eu quero só te dar, caso você nunca tenha pensado nisso, uma desculpa para reparar quais são as coisas exatas que você não consegue (agora ou desde sempre) colocar em prática. Elas com certeza têm algo em comum e não é à toa que elas sejam difíceis para você. Organização de vida & planejamento pessoal também é autoconhecimento. E um dos melhores tipos.

 

Você quer mesmo fazer essa merda?

Tipo assim, mandando a real logo de cara: quando a gente tem plena certeza do que a gente quer, tudo fica mais fácil. E pode ser que eu seja tendenciosa e esteja te dando esse conselho porque eu já sou uma gata escaldada? Pode. Pode sim. É bem provável que seja isso mesmo.

Eu sou uma pessoa indecisa e não colocar a mão no fogo pelas minhas ideias (ou seja: não saber exatamente o que eu quero) sempre me roubou o meu poder de ação. Com certeza é por isso também, mas não só.

Porque, cara, se eu te contar a quantidade de pessoas que dizem que sabem o que querem e que na hora H não conseguem bancar a sua própria ideia porque lá no fundo elas não estão prontas para firmar esse compromisso ou porque não têm certeza total do que é que elas querem, putz – esse número ia ser alto.

E como pessoa indecisa por natureza, eu te digo: você não precisa ter cem por cento de firmeza nas suas escolhas para colocar algumas ideias em prática. Você pode experimentar, testar, refazer. Ninguém vai te cobrar uma taxa de quebra de contrato e você não precisa escrever nada em pedra.

Tudo é passível de mudança, mas você precisa, sim, ter um bom motivo para estar fazendo aquilo.

Isso sempre aumenta muito o nosso poder de ação. Mesmo que você não tenha um planejamento. Mesmo que você não saiba, na linha de largada, qual vai ser o percurso exato que você vai correr. É um pouco daquela máxima: quando a gente quer, a gente faz. Eu sei que essa ideia é reducionista, mas eu quero fazer uma pequena pausa para te pedir para pesquisar com carinho a sua motivação escondida.

Por que é que você quer colocar esse projeto pra andar? Quem é que está te obrigando? De que forma ele vai melhorar o seu futuro? E por que será que você sempre pensa nisso e nunca faz? Quais são as circunstâncias que estão te faltando? Será que é falta de motivação ou algum detalhe mais prático?

Quando o combustível é bom tudo funciona bem.

 

Decida com precisão o que você quer

Um dos processos que eu mais vejo acontecer é esse aqui, ó: a pessoa diz que quer conseguir X. Ela se programa para fazer X, cria tarefas correspondentes e bem realistas, mas, no meio do caminho, por causa de alguma coisa que alguém disse ou por conta de um processo mental dela mesma, ela muda de ideia.

De repente ela não quer mais X, ela quer X.2. Ela muda o objetivo final sem mudar o plano.

E essa é uma bela receita pro desastre.

Se você já notou qual é o punhado de projetos que você vive tentando realmente fazer, na prática das coisas, e nunca consegue, o próximo passo lógico é realmente definir que projeto é esse. Com palavras práticas que realmente desenhem uma ideia possível de existir, como por exemplo: “eu quero deixar de ser sedentária”. Perfeito! Esse é um objetivo bem realista. Você pode não saber como colocar isso em prática ainda, mas o planejamento desse projeto vem em um segundo momento. Por enquanto você só precisa decidir o que você quer; depois você vai bater o martelo na forma exata que você vai fazer isso.

Deixar de ser uma pessoa sedentária é trilhões de vezes diferente de correr uma corrida de 5K.

Percebe a diferença sutil? (ironia).

Quando você entende o motivo que está te pentelhando para fazer aquilo e para colocar a sua maravilhosa ideia no mundo, você ganha mais clareza no que você quer fazer também, literalmente. De todas as coisas que você pode fazer nesse mundo todo (e elas não são poucas), por que você escolheu fazer isso?

Qual é o motivo? Essa foi a lição da seção anterior. Se você já desvendou que motivo é esse, agora é a vez de escrever o objetivo. Mesmo que você não saiba como você vai chegar lá. A maioria de nós não sabe.

E se você me perguntar, eu digo que a gente precisa ser menos cartesiano-ocidental-controlador e deixar as coisas um cado mais na mão do destino. Inclusive porque, como diz uma citação que eu amo e que eu vou reescrever livremente nas minhas palavras aqui: o seu plano inicial não é o mesmo plano que te faz chegar no seu destino. Ele é apenas o primeiro passo, as primeiras ideias. Você, como um adulto bem formado da sociedade, é uma pessoa inteligente que consegue planejar minimamente as coisas.

O que você precisa para ir em um casamento em outro estado nesse domingo, por exemplo? Você cria uma listinha, lembra dos empecilhos, cria soluções. Planejamento natural vindo direto da nascente.

Decida exatamente onde você quer chegar e fique de olho, pelo amor do santo cristo, para notar se você vai mudar de ideia no meio do caminho. Se aquele destino final não te apetece mais, pare tudo, pense e reavalie. Eu ainda quero começar esse blog? Ainda quero fazer exatamente essa aula? Uma das piores coisas da vida é se cobrar, internamente, um objetivo que o seu coração já abandonou faz tempo.

Se libere, cara. Ou modifique o seu objetivo. Isso exige uma vigilância constante, mas saber exatamente o que você quer é o primeiro e o maior passo para chegar lá.

 

Não precisa ser um sacrifício e você não precisa ser foda

Ou seja, dito de uma forma simples: você pode criar projetos informais e fazer as tarefas desse projeto serem divertidas. Ó que máximo! Nem todo objetivo precisa ser um sacrifício hercúleo, nem toda meta precisa te tirar o sangue, nem todos os seus projetos precisam ir pro seu quadro de medalhas. Você pode se divertir e você pode ser bem ruim nisso que você está fazendo – pelo menos à princípio. Eu não estou dizendo, é óbvio, que você não deveria levar à sério os seus próprios projetos. É claro que você deve.

Mas quem foi que criou essa correlação entre “seriedade” e o “valor” de alguma coisa?

Por que você precisa levar algo à sério para realmente fazer aquilo? Você não precisa, cara. E se você sabe que o seu projeto não é ligado à área profissional, você pode fazer as coisas do jeito mais merda que você conseguir – e, ainda mais importante, da forma mais divertida na qual você consegue pensar. Isso é o que bloqueia muitas ideias de verem a luz do dia: presumir, antes mesmo de mover o dedo para realmente criar aquilo, que você precisa sofrer.

“Afinal de contas, projetos divertidos não contam”, nos diz a nossa voz interna.

A pressão de criar algo perfeito, sério, valoroso e que pareça uma coisa “boa e nobre” aos olhos das outras pessoas pode influenciar, e muito, o nosso poder de ação. O que é que você faria hoje mesmo, ou amanhã, se você não precisasse prestar contas para ninguém? Suponha que você tem, todo final de domingo, algumas horas livres para você. Essas horas não precisam ser gastas, necessariamente, com trabalho ou com a família. Elas estão ali te esperando dar uma finalidade para elas. O que você escolheria fazer?

Algum projeto criativo paralelo? Uma iniciativa para cuidar melhor da sua saúde? Cê iria trabalhar mais um pouco? Arrumar a casa, criar alguma coisa especial para os seus filhos? Ou simplesmente cuidar de você, se dando alguns mimos muito dos merecidos? Não importa que tipo de projeto você quer iniciar, meu bem.

Pode ser profissional, pessoal ou social. Seja lá qual for o seu projeto, eu te dou uma certeza e uma permissão: você pode fazer ele hoje com graça e autenticidade, do jeitinho que você é e com todas as circunstâncias atuais que te cercam. Você já tem tudo o que você precisa.

E se você der um jeito de ir atrás só de ideias divertidas (ou de tornar o processo chato e difícil de algumas tarefas em algo mais lúdico e mais dentro da sua praia), nada vai te parar, cara; garanto.


 

PRA CONTINUAR APRENDENDO, COLA NUM DESSES TEXTOS AI Ó. SÓ TEM IDEIA BOA:

 

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