4 formas ocultas e sorrateiras de procrastinar e os seus antídotos

Vez ou outra a gente precisa olhar bem no olho do inimigo. Eu costumo ser muito fã da atitude “vamos melhorar o que está ao nosso alcance, em vez de nos concentrar nos nossos defeitos e dificuldades”, mas, eventualmente, a gente também precisa refletir sobre o que estamos fazendo de errado. E, nessa linha de raciocínio, o tema “procrastinação” é um dos mais pedidos por vocês. Eu já falei sobre esse assunto nesse artigo aqui, um dos mais famosos e mais completos sobre o assunto que eu escrevi aqui no blog.

Para quem está interessado nesse mal em particular, é também uma boa ler o texto sobre como lidar com o perfeccionismo e esse outro sobre como colocar os seus projetos em prática para valer.

Mas, por ora, vamos aprofundar um pouco mais essa discussão e ver aonde o vento nos leva.

Eu sempre gosto, como vocês também já sabem, de sugerir antídotos práticos para os males que mais nos derrubam. Falar e teorizar sobre as nossas limitações sem fazer porra nenhuma sobre elas é bem confortável e, pensando bem, não deixa de ser um tipo específico de procrastinação.

Os astros do show de hoje são quatro dos defeitos e das armadilhas mais sorrateiras que existem. Depois de quase dois anos falando sobre produtividade aqui com vocês, eu já bati bastante em cima dos pontos mais clichês da procrastinação: ficar online no Facebook o dia inteiro, empurrar as tarefas mais difíceis com a barriga, deixar os projetos mais chatos e burocráticos para lá até o prazo arrebentar na sua cara e você precisar correr atrás do prejuízo, coisas assim. Essas ervas daninhas você conhece.

Quando o buraco fica mais embaixo e os esconderijos da procrastinação começam a se disfarçar de Razões Nobres e Respeitáveis Para Não Agir é que a coisa fica difícil. E para te ajudar, escrevo esse texto para que ele te sirva como um farol amigo que vai te guiar para fora desse labirinto. :)

 
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aproveita pra salvar essa imagem aí no Pinterest para se lembrar dessas ideias legais depois. <3


 

Querer ser perfeito logo de cara

Onde é que é a linha desse contrato e quando eu assino? Eu já fale sobre o perfeccionismo nesse texto aqui e naquele outro que eu recomendei lá em cima. Já fiz algumas lives-aulas-ao-vivo sobre isso lá no Instagram (elas acontecem uma vez por mês, geralmente na última terça-feira) e já perdi o número de quantos emails eu mandei para vocês sobre esse mesmíssimo tema. Para resumir a ópera, saibam que ser perfeccionista é uma forma clássica (e nem tão sorrateira assim, na minha opinião) de procrastinar.

Para mim, pelo menos, é uma forma bem óbvia – e, ao mesmo tempo, muito cruel.

Querer ajeitar e aperfeiçoar eternamente todos os seus projetos e entrar numa punheta infinita de dúvidas sobre qual é o melhor caminho a seguir são duas atitudes viciosas que reforçam, lá no fundo, aquele ideal fantasiosos e impossível que você tem guardado na sua cabeça. Dentro da sua mente, tudo aconteceria perfeitamente, sem um pingo de maculação ou possibilidade de crítica. No mundo em 3D dos humanos, porém, a história é bem diferente. E quanto mais rápido você perceber que vai ser a prática que vai te levar à perfeição – e não o pensamento circular – mais rápido você vai fazer algo incrível.

Seja lá o que for que você queira fazer, se comprometa a realmente terminar os seus projetos atuais.

Para começar esse blog e a newsletter semanal que eu envio para vocês, por exemplo, eu decidi que eu iria escrever dois textos por semana (um para cada meio), fizesse chuva ou fizesse sol. Eu quebrei esse ritmo durante algumas poucas semanas de férias, desde o meio de 2016, e o que estava acontecendo na minha vida pessoal nunca interferiu em nada: eu não quebrei essa regra em nenhum momento.

E quando eu digo “decidir”, eu quero dizer “se forçar” mesmo. Se comprometer com a prática das suas habilidades ou com a finalização dos seus projetos é tão difícil para um perfeccionista inveterado quanto respirar fora da água é para um peixe. A nossa sorte, porém, é que os seres humanos podem aprender várias coisas. Depois de dois anos mantendo a minha regra (que é tão valorosa para mim quanto atender os meus clientes e de fato ganhar dinheiro, procês terem uma ideia) eu posso dizer, sem sombra de dúvida, que eu estou mais perto da perfeição. Eu talvez nunca chega lá, de fato, mas e daí? Eu tenho um banco de textos bem legais no meu bolso e essa conquista vale bem mais que a perfeição para mim.

 

Esquecer de fazer a revisão semanal

Quer ver um jeito super fácil de procrastinar? Ficar com preguiça e deixar para lá a sua revisão semanal. Essa categoria também poderia receber o nome de “deixar de limpar os seus resíduos de organização”. Ou seja: aquelas sujeiras e tarefas chutadas para o asfalto que entopem o fluxo da semana de qualquer pessoa. Dentro do GTD, o método de organização & de produtividade criado pelo David Allen, o passo mais importante de todos para manter o seu sistema externo de organização girando é a revisão semanal.

Quando a sua mochila está cheia de lixo, a sua mesa do escritório está uma bagunça, algumas contas e revistas e bilhetes da escola do seu filho não lidos estão se amontoando na mesa da sala e o seu calendário e a sua lista de tarefas não recebem uma boa olhada há vários dias, tenha certeza disso: você não vai se sentir com vontade de se organizar ou de se planejar para a semana seguinte.

Tomar banho é essencial para a nossa higiene, colocar gasolina é essencial para os carros e dar uma limpezinha física e virtual nos nossos planos e tarefas é uma princípio básico para evitar a procrastinação. E o pulo do gato para instalar novos hábitos é: você precisa agendar um tempo para eles.

Do contrário já era. Todo mundo que é ocupado o suficiente para ter uma vida social e profissional mais ou menos bem ajustadas sabe que se você não fizer tempo e criar a oportunidade de fazer aquilo que precisa ser feito, a parada nunca vai ser feita. Pura e simplesmente. Dedique algumas horas do seu fim de semana (ou da sua sexta-feira, se preferir) para sentar a bunda na cadeira, abrir a sua agenda de papel, calendário ou bullet journal e ver o que ficou pendente da semana anterior. Tente criar o reflexo de sempre esvaziar a sua bolsa e a sua caixa de entrada do correio quando chegar em casa. Se você precisar de uma ajuda, venha ler esse texto aqui sobre como implementar novos hábitos na sua rotina.

Pode não ser super intuitivo de primeira, mas fazer uma boa revisão semanal é a chave-mestra para você garantir que esse tipo de procrastinação não te pegue mais pelo pé e para que você continue com vontade e com ânimo de organizar os seus compromissos e as suas tarefas para a próxima semana.

 

Ter mil prioridades ao mesmo tempo

Muitos caminhos para seguir gera dúvida. Dúvida, em algumas pessoas, gera paralisia – e isso, por sua vez, (junto com a falta de resultados reais e práticos que geralmente acompanham uma pessoa que atira para todas as direções) gera procrastinação. Quanto mais a gente tenta fazer mil coisas ao mesmo tempo, quanto maior é o fluxo de informações chegando até nós e quanto mais dúvidas nós temos sobre que tipo de pessoa nós queremos nos tornar, mais o nosso poder de ação sofre. A verdade nua e crua é que nós só conseguimos fazer (bem, com saúde e com tesão) um pequeno punhado de coisas por vez.

O número exato de prioridades que cada pessoa aguenta ter varia. Cada um com o seu cada qual, é claro.

Mas a gente precisa aceitar (eu, inclusive) que não rola querer ter a vida de todo o mundo que você admira ao mesmo tempo. Você não consegue ser o maior especialista do mundo em três ou cinco ou sete frentes diferentes ao mesmo tempo, para ontem. Progredir significa saber qual é o seu foco atual e dar um passo de cada vez. Quando você conseguir dar conta de tudo o que você está fazendo agora você pode vir me dizer que você decidiu começar aqueles outros dois projetos paralelos super irresistíveis.

Até lá, aceita que dói menos.

Qual é o tipo de progresso que você quer ter esse ano? Em qual área da vida você mais quer colher louros, virar referência e acumular vitórias? Decida um ou três grandes focos para o ano e, se você estiver com dificuldade, venha ler esse texto aqui. Ele vai te ajudar a tomar algumas decisões básicas sobre para onde caminhar e vai desenferrujar os seus músculos da escolha e da aceitação.

 

Achar que vai dar conta do tempo perdido

Ou, dizendo de outro jeito: falta de flexibilidade. Saber se estruturar depois de um furacão (tarefas pendentes que explodiram na sua cara, imprevistos da vida que você não pode controlar, erro de outras pessoas que você precisa consertar) e ter expectativas realistas sobre isso são duas habilidades essenciais para evitar a procrastinação. Quando qualquer coisa foge dos seus planos e, de repente, a sua carga de trabalho aumenta (ou, talvez, a sua energia e paciência e saúde diminuem) você precisa fincar os dois pés no chão e saber que você não vai conseguir mais dar conta de tudo o que você tinha para fazer. Não dá mesma forma e não na mesma janela de tempo que você tinha planejado, pelo menos.

Vamos supor, por exemplo, que você tem cinco tarefas importantes da semana passada ainda por fazer.

Você decidiu que hoje, quarta-feira, seria um bom dia para colocar tudo em dia. A sua mente achou justo e verídico, por algum motivo, adicionar essas cinco tarefas na lista de coisas que você já tinha para fazer hoje. Oras, mas isso é óbvio: se você não conseguiu dar conta dessas 5 tarefas semana passada, é claro que agora você consegue concluir mais de 10 tarefas em um dia, não é mesmo? *litros de ironia derramam*.

Se você precisar recalcular a sua rota, saiba que hoje você se encontra em um novo ponto de partida.

Se as tarefas aumentaram, se as pessoas que trabalham para você diminuíram ou se você ficou doente e precisou deixar várias coisas de lado, você vai continuar caminhando do mesmo jeito que antes. Não é porque você não deu conta do que tinha para fazer que agora você precisa, magicamente, ganhar o Prêmio Nobel da Produtividade. E nada disso quer dizer que você não pode ou não deve dar um gás a mais no seu trabalho ou nos seus estudos se você precisar. Você pode – e às vezes até deve.

Esse é só um aviso gentil para te lembrar que se sobrecarregar de trabalho é uma forma certeira de cair no Precipício da Procrastinação. Seja realista, reconheça os seus limites e faça a sua parte. Isso basta.


 

PRA CONTINUAR APRENDENDO, COLA NUM DESSES TEXTOS AI Ó. SÓ TEM IDEIA BOA:

 

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