4 passos para criar um projeto que é realmente posto em prática

Todo mundo que me lê por aqui sabe que eu sou obcecada com a parte prática das coisas, né –  como tirar os projetos da gaveta, colocar a mão na massa pra valer, etc. O que não quer dizer, reforço sempre, que eu sou contra o planejamento calculado e a cautela à longo prazo, é claro. Muito pelo contrário. Mas eu vejo com frequência que “falta de ação” costuma ser o Obstáculo Número Um para a grande maioria das pessoas quando o tema da roda é “fazer os seus projetos acontecerem” – eu inclusa, óbvio.

Mas aí você para, pensa e começa a perceber uma coisa curiosa.

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As pessoas que não conseguem finalizar os seus projetos, que procrastinam sempre, por um motivo ou por outro, que são perfeccionistas demais, exigentes ou pensantes demais raramente são pessoas apáticas e encostadas. A gente está sempre fazendo alguma coisa, apagando algum incêndio, correndo atrás de alguma nova ideia excitante que pipocou na cabeça enquanto a gente dormia.

A gente costuma estar sempre em ação.

Então porque não, senhoras e senhores, canalizar melhor a nossa preciosa energia e começar a pingar doses humildes de planejamento na nossa rotina? Coisa pouca, te garanto.

Nada que vá te custar um rim ou cem mil neurônios. Pensando aqui com os meus botões, percebi que existem quatro grandes instâncias que, se honradas, aumentam muito as chances dos nossos projetos realmente verem a luz do dia. São elas: a clareza, a estratégia, a disciplina e o entusiasmo. E como amante de uma boa teoria, quero esclarecer de que forma esses quatros pilares podem te ajudar, de um jeito bem prático, a desenhar uma vida mais autêntica e bem realizada.

Uma vida, um projeto, uma área de foco, o que for.

Esses quatro itens vão te dar um enquadramento realista e prático pra que todas as suas futuras iniciativas tenham mais chances de acontecer, independente das outras circunstâncias. E se você é do tipo que está sempre começando uma ideia nova e nunca terminando, recomendo que venha ler esse texto aqui sobre os grandes motivos que geralmente fazem os nossos projetos empacarem.

Com uma ajuda básica daqui e um cado de reflexão dali, a gente pode conquistar muita coisa, meu povo.


 

Clareza: o que você quer, afinal de contas?

A pergunta de um milhão de dólares que, eu bem sei, pode ser um aperto para ser respondida. Aqui no blog eu já falei um pouco sobre a importância de uma decisão bem decidida nesse texto aqui, e com certeza já falei mais sobre isso em praticamente todo texto que escrevo sobre hábitos semanais, projetos específicos e o estilo de vida de quem quer ser mais organizado de maneira geral.

Saber o que você realmente quer é um bálsamo que cura todas as feridas, cara. De verdade.

E a gente geralmente subestima a importância de realmente saber o que a gente quer. Parece simplista, mas a verdade é que quanto mais clara e rica for a imagem que a gente tem na nossa cabeça, melhor. E isso, que fique claro, ninguém vai poder fazer por você. Para pensar um pouco mais nessa questão da clareza, recomendo que você venha ler depois esse texto aqui sobre o exercício da roda da vida e esse outro sobre três grandes perguntas que vão te ajudar a planejar as suas metas de médio e longo prazo.

Bem sei a dificuldade que eu tenho com esse tipo de planejamento, meu povo.

E se você também tiver, tá tudo certo. Ninguém vai morrer por isso, é claro. A gente faz muito bem em reservar um espaço para a espontaneidade no nosso dia-a-dia, obviamente. Mas uma coisa que você precisa perceber é que ter clareza de objetivos não te impede de ser espontâneo. Muitíssimo pelo contrário! Quanto mais você reavalia o que você quer agora, hoje, mais livre você está pra decidir o que você quer. E quanto mais ocultos estão os seus desejos, ambições e verdadeiras prioridades, pior.

Então pense: de modo geral, o que é mais importante pra sua vida agora? Se você precisasse resumir em três ou quatro itens as grandes diretrizes que estão guiando as suas ações hoje, nessa semana, como seria esse resumo? É abstrato, eu sei. É coisa demais pra considerar, eu sei. Mas quando a gente mede bem e pondera direitinho, a gente percebe com clareza o que a gente valoriza de verdade.

Não é assim tão impossível.

Quais são as coisas, por exemplo, que você não consegue passar um único dia sem fazer? Podem ser os seus filhos, os seus pais e a sua família, no geral. Pode ser o seu trabalho, a sua faculdade ou o seu projeto profissional paralelo. Pode ser a sua rotina de auto cuidados, de saúde e de boa nutrição. Pode ser tudo isso, nada disso ou uma combinação exótica de tudo um pouco. Pense nos seus itens, escreva a sua lista e vá aprofundando os detalhes do seu foco cada vez mais, na medida que você conseguir.

Se a sua vida profissional é um grande foco atual seu, quais são sub itens que compõe essa lista? O que você quer atingir com a sua atuação no seu trabalho, afinal de contas? Você está mudando de carreira? Procurando uma promoções de cargo? Tentando um concurso público? Abrindo a sua própria empresa?

Essas perguntas são pequenos guias para os mais perdidos dentre nós, percebam.

Mas elas podem ser aplicadas para qualquer coisa – especialmente para projetos pontuais.

Se você está com o seu foco cem e vinte e cinco mil por cento na sua iniciativa de escrever a sua dissertação ou a sua tese, por exemplo, pense assim: qual é o resultado desejado desse projeto? E “concluir a minha dissertação” não vai dar pé de reponde essa pergunta, tá?

O resultado desejado dos nossos projetos é a realidade material, prática, palpável e física que vai acontecer quando aquela ideia finalmente estiver no mundo. Quando você escreve o resultado desejado de alguma coisa, você também insere quais são as diretrizes daquela iniciativa. Se você quer criar um novo blog ou um novo canal no Youtube, por exemplo, você precisa se perguntar: de que forma eu quero fazer isso? Que tipo de conteúdo eu vou publicar na internet? Como é que esse blog vai ser quando ele finalmente existir? O seu resultado desejado nada mais é do que uma pintura mais realista da sua ideia.

E quando mais clara essa imagem for, mais certeiras vão ser as suas ações para fazer ela acontecer.

 

Estratégia: como você vai chegar lá?

Ah, agora sim! A lagoa da felicidade pra todo mundo que gosta de planejar, raciocinar, medir e calcular: a nossa boa e velha amiga estratégia. Dizendo de um jeito óbvio, a sua estratégia é a forma específica que você vai escolher para realizar e criar o resultado desejado do seu projeto ou da sua área de vida.

São os passos seus, só seus. É a estrada exata que você vai tomar para chegar no seu destino final.

Eu gosto muito de dizer (porque acredito piamente nisso) que todo mundo já é um planejador natural e que esse chip já veio instalado no nosso sistema. Algumas pessoas se sentem mais à vontade em planejar os detalhes e as idas e vindas dos seus projetos do que outras, mas lá no fundo, bem no fundo mesmo, até a pessoa mais caótica que você conhece é capaz de montar um plano de ação.

Vamos dizer que você quer se exercitar toda semana, por exemplo. O resultado desejado desse seu projeto pode ser sair do sobrepeso (perder dez quilos), se sentir com mais energia (dormir melhor), ficar mais forte (conseguir subir as escadas do seu prédio toda vez que chegar e não precisar pegar mais carrinho pra carregar as compras do carro até a sua casa) ou ter mais flexibilidade.

Ótimo, excelente primeiro passo! Essa é a imagem do que você quer alcançar.

E como é que você vai conseguir isso na prática? Aí é que são elas. Se você achava que a parte mais difícil ficou pra trás, preciso te dizer que decidir a estratégia do seu projeto ou do seu novo estilo de vida vai trazer mais uma pá cheia de decisões pra você tomar. Afinal, existem tantas formas de concluir os seus projetos quanto existem de pessoas querendo a mesma coisa que você.

De que forma você – indivíduo único, com DNA e CPF exclusivos, com circunstâncias internas e externas de vida que te diferenciam da pessoa que está sentada do seu lado no ônibus – vai fazer isso?

Ou, partindo para uma metáfora sempre atual, se você quer chegar até Brasília, qual estrada você vai tomar? Você pode entrar em uma academia, pode dar vinte mil voltas na quadra do seu prédio, pode arranjar um amigo ou uma amiga para caminhar contigo todos os dias, pode dar a louca e já se inscrever para fazer uma corrida de dez quilômetros no final do ano. As opções são muitas, mas já te adianto uma coisa: só uma pequena parcela delas combina e se encaixa direitinho com você. Escolha com sabedoria.

E aí não tem mistério e nem atalho: cê vai precisar dar um tempinho das suas atividades diárias, deixar o telefone no silencioso e colocar a sua mufa pra queimar. Levando em conta o seu emprego, qual é a melhor forma pra você se exercitar diariamente? Levando em conta as suas responsabilidades familiares, quantas vezes você pode se dar ao luxo de ir na academia na semana? Os seus horários são flexíveis ou apertados? Você está com cinquenta quilos acima do seu peso ou está até precisando, na verdade, engordar um pouquinho? Anote todas essas respostas e faça ainda mais perguntas tipo essas.

Jogue todos esses dados no papel e vista o seu jaleco de cientista. O seu maior dever nessa fase é analisar todas as informações práticas, frias e incontestáveis da sua vida. Essa análise vai te ajudar bastante a decidir qual é o melhor caminho a tomar. E se nada mais der certo, fique tranquilo: você sempre voltar duas casas e começar de novo, com um plano diferente e mais adequado pra ti. <3

 

Disciplina: criando a condição ideal

Ok, calma lá que agora o assunto é delicado. A gente já falou da visão final do seu projeto, já falamos da estratégia que você vai utilizar para conseguir o seu objetivo e agora a gente precisa lidar com a parte que costuma ser a menos preferida de todas as pessoas: a disciplina diária para chegar até lá.

Eu sei, eu sei. Às vezes é bem difícil conseguir ser disciplinado e lamento te dizer, mas eu não estou aqui pra te dizer que é fácil. Fácil-fácil, tanto quanto ir na praia e tomar água de coco, não é. Fácil mesmo é ficar na cama vendo Netflix o domingo inteiro, levantando só pra fazer xixi e pegar comida. Mas se o seu objetivo aqui é tirar os seus projetos da gaveta e realmente ir atrás da vida que você quer, você vai precisar, de fato, fazer por onde. E isso nem sempre é assim tão tranquilo, glamuroso ou natural.

O que não quer dizer, por outro lado, que precisa ser uma tragédia grega.

Começando pelo início, preciso te dizer a realidade dessa situação: ninguém é disciplinado o tempo todo. E para você conseguir cumprir as suas metas você não precisa entrar numa paranóia tirânica. Se o seu projeto envolve fazer exercícios físicos e você faltou com eles duas vezes só nessa semana, tudo bem. A gente sabe que quanto mais a gente repetir um hábito, mais fácil ele fica, mas a verdade é que nós somos humanos, né. A gente falha, a gente esquece. A gente fica com preguiça e simplesmente deixa pra lá.

Saber se perdoar pela sua falta de disciplina é essencial. Ter coragem, fibra e determinação para começar de novo, tantas vezes quanto for necessário, também. Mas, ao mesmo tempo, você precisa entender que todo novo estilo de vida precisa ser praticado sempre. E se você falta com aquele hábito mais do que o cumpre, você não está mudando em nada. Até porque, sejamos sinceros: boa parte das “situações ideais” são criadas por nós mesmos, e não encontradas magicamente no meio da calçada.

Você precisa se comprometer. Você precisa ter uma imagem clara do seu resultado desejado.

A sua estratégia precisa ser constantemente validada e você precisa se sentir bem com o rumo que o seu novo hábito ou projeto está tomando. E se essa coisa é importante pra você de verdade, você precisa fazer tempo para ela na sua agenda. É como a divíssima Marie Forleo diz: se não está programado, não é real. E você precisa aprender a colocar as suas prioridades na agenda, não contrário.

Esse meio termo entre vestir a camisa e saber se acolher quando você cair do cavalo é bem delicado.

Mas eu tenho certeza que você consegue. Uma excelente primeira dica para você realmente se comprometer com a estratégia e as ações do seu novo projeto é organizar a sua rotina de um jeito que tenha um pequeno bloco de tempo para todas as tarefas importantes – e isso você pode aprender clicando aqui. Pensar no seu sistema de organização como um tempo, reservando um lugar específico para anotar as suas tarefas, compromissos e prazos também ajuda muito, muitíssimo.

E para ter um pouco mais de inspiração para saber como fazer isso, clique aqui.

Resposta mágica não há, mas uma coisa é certa: se é relevante, você precisa fazer tempo para aquilo. Seja um novo hábito pontual, um estilo de vida diferente que você quer abraçar, um grande projeto, delicado e complexo, que vai absorver boa parte do seu tempo pelo próximos meses, whatever. Faça o que for necessário para realmente criar tempo para isso na sua rotina, de um jeito ou de outro.

Exemplo prático: ir na academia é uma das coisas mais contraintuitivas para mim hoje em dia.

A minha solução? Agendar um horário especifico do dia pra ir até lá e tratar isso como um compromisso. Uma vez na semana, geralmente sábado ou domingo, eu dou uma olhada na minha seguinte e vou vendo quais são os blocos de tempo vazios que existem – terça de noite, quarta de noite, sexta de manhã. Como eu tenho horários bem flexíveis, tenho ainda menos desculpas para faltar. Já que ela fica perto de casa e eu posso ir andando, eu posso sempre cuidar de um tempinho específico do dia pra fazer o exercício. Esse tempo muda de semana a semana. Já que eu trabalho com consultoria online, nenhuma semana é absolutamente idêntica a outra, pra mim, mas tempo nunca me falta. E se eu não separar um dia para agendar o meu compromisso da academia, eu sei que eu vou acabar dando atenção para outras coisas.

 

Entusiasmo: porque você quer fazer isso?

O seu resultado desejado pode mudar, a estratégia que você escolheu pra chegar lá pode mudar e até mesmo a sua decisão de como implementar essa ideia na sua rotina semanal pode mudar. Mas o fio condutor de toda essa festa é  e sempre vai ser o motivo pelo qual você escolheu fazer isso.

Porque assim como no amor e no sexo, nós somos livres para escolhermos qualquer tipo de empreitada. Estar com alguém não é uma obrigação e decidir começar o projeto X ou Y muito menos. Você tem todo o espaço e toda a liberdade do mundo pra decidir o que você põe na sua frente; com o que você vai preencher os seus dias; quais atividades vão receber o seu mais alto nível de produtividade diariamente.

Cê já percebeu o poder que você tem, cara?

Não use ele em vão. Não desperdice o seu tempo com ações inconscientes, mecânicas e supérfluas. Quando tudo o mais falhar, quando os imprevistos acontecerem e quando você estiver sentindo que está perdendo o rumo, volte para o seu motivo: porque que você escolheu fazer doutorado, afinal de contas? Da onde surgiu a sua ideia de começar um blog ou um canal no Youtube? O que você sentiu e pensou no dia em que decidiu voltar pra academia e finalmente começar a cuidar melhor da sua alimentação?

Eu quero que você questione, é claro, mas eu quero principalmente que você se reconecte.

Com o verdadeiro fogo que foi acendido embaixo da sua bunda no momento que você decidiu colocar esse projeto específico na estrada. Quanto mais consciência você tiver do motivo pelo qual você faz as coisas, melhor. Pode te faltar planejamento, pode te faltar um aplicativo super chique para gerenciar as suas tarefas e pode até te faltar tempo para você fazer tudo o que você quer – mas se você tiver clareza do que te entusiasma e do que te trás vida, você está minimamente seguro. E você vai seguir em frente.

Faça uma lista de todas as suas grandes prioridades atuais e de todos os maiores projetos que estão em andamento na sua vida agora e formule uma frase clara que te diga porque aquilo é importante. Ou, se preferir, sinta o motivo que está te levando a fazer aquilo. Sentimento ou raciocínio: os dois servem.

Esse vai ser o seu porto.

A sua motivação para seguir em frente quando todos os planos viraram do avesso. Quando a vida entrar no meio do caminho e te forçar a mudar os planos, você vai conseguir se manter firme no lugar. Mesmo que a sua estratégia mude. Mesmo que os seus blocos de tempo durante a semana mudem. Mesmo que o resultado desejado não possa ser mais igualzinho a como você imaginou que seria. Apesar de qualquer mudança, a sua garra vai estar sempre contigo se você escolher projetos que realmente te entusiasmem.

Ou, se necessário for, que você encontre bons motivos para fazer o que precisa ser feito.

Nem sempre nós conseguimos estar felizes com o que precisamos fazer, é a vida. Mas lá no fundo, se você olhar bem, tem sempre um motivo maior que pode te compelir a seguir em frente. Encontre ele.


 

E ó, aqui embaixo tem outras ideias que podem te abrir ainda mais os horizontes:

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