Notas sobre como aceitar o dinheiro e criar uma vida próspera

De vez em quando, algumas vezes por ano no máximo, surge um livro que muda a minha vida completamente. Mais de vez em quando ainda (talvez, no máximo, uma vez a cada dois ou três anos) acontece de um desses livros ser tão bom, mas tão bom, que eu mal consigo reunir inteligência e sagacidade o suficiente para falar dele. Esse é um texto sobre esse segundo tipo de livro.

O livro em questão, o astro do show, é esse aqui: You Are a Badass At Making Money. Eu conheci ele pelo instagram de uma moça que eu acompanho (ela fala sobre branding, design e como ter o seu próprio negócio) e essa não foi a primeira vez que eu vi alguém recomendar esse livro. Depois de alguns anos lendo autoajuda e caçando referências de desenvolvimento pessoal é inevitável, em algum ponto, cruzar sempre com as mesmas indicações. Mas perceba: eu sou uma mulher difícil. Literariamente difícil.

Eu leio muito pouco hoje em dia, se compararmos a média de livros que eu lia nos idos tempos da adolescência e da faculdade, e eu tenho detestado cada vez mais, com todas as forças da minha alma, desperdiçar o meu precioso tempo em um livro que não mude totalmente a minha vida ou que não me dê algo de muito valioso e intenso em troca. Mesmo que seja uma ficção, mesmo que seja uma história. Eu não tenho mais tempo-paciência-beleza para livros que, no mês seguinte, eu vou esquecer que li. Ou que, então, eu não vá querer reler daqui a uns anos.

E a Jen Sincero (uma coach financeira e escritora famosíssima norte-americana) com certeza entrou para o Hall de escritoras que vão morar para sempre no meu coração. Antes de ler algumas das pérolas incríveis que eu trouxe pra vocês (e notem, por favor, que esse foi um dos trabalhos mais hercúleos e difíceis da vida inteira, porque o que eu queria mesmo era falar, expandir e discutir virtualmente todas as frases do livro), me deixem fazer alguns adendos sobre esse livro. Ele não existe em português ainda, número um. Uma fatalidade (FATALIDADE!) que precisa ser corrigida. SOS editoras que queiram ganhar dinheiro: invistam nesse livro. Busquem tradutores, comprem os direitos e tragam eles para cá.

Vocês podem (e vão) me agradecer depois. :)

Ele contém um bocado de conceitos, ideias e discussões de cunho espiritual e sensível, número dois.

Falar de dinheiro sem falar de energia é impossível e falar de energia sem falar desse Grande Mistério Que é o Universo é mais impossível ainda. Acredite você em Deus ou não, não importa. Se você mantiver a mente aberta e tentar entender, ainda que “teoricamente”, todos os conceitos desse livro, já está ótimo. A Jen é uma das escritoras mais bizarramente engraçadas, divertidas e bem humoradas que eu já li em toda a minha vida. Junto com o Jon Acuff, escritor do último livro que eu trouxe aqui pro blog, ela ganha esse prêmio sem o menor esforço. Sério mesmo. Eu dei altíssimas risadas com esse livro o tempo todo.

 
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aproveita pra salvar essa imagem aí no Pinterest para se lembrar dessas ideias legais depois. <3


 

Você precisa jogar para ganhar em vez de jogar para não perder

Esse é um dos pontos mais basilares e mais transformadores de todo o livro e eu realcei várias frases que, destiladas e resumidas, querem dizer mais ou menos a mesma coisa: trabalhe mais dentro do seu potencial de crescimento do que dentro das suas limitações. Faça as coisas, comece projetos e abrace riscos que signifiquem crescimento, expansão e novas oportunidades em vez de simplesmente aceitar que a realidade é assim mesmo, ó vida, ó céus, ó azar e ficar para sempre dentro do seu mundo de merda e de lamentação. Tudo isso vai um pouco de encontro ao que o Mark Manson diz, em um dos outros livros fabulosos que eu li ano passado, A Sutil Arte de Ligar o Foda-se.

E a verdade da vida é que a gente precisa, frequentemente, equilibrar dois pensamentos opostos, radicais e igualmente verdadeiros com as duas mãos ao mesmo tempo. É difícil, porém necessário.

Mudar o seu pensamento (ou o seu mindset, como dizem) para que você saia da zona da miséria mental e, ao mesmo tempo, saber que nem tudo na vida são flores – e que você não pode cair no erro de achar que um punhado de pensamentos positivos e de frases de autoafirmação vão resolver a sua vida – é difícil sim. Porém necessário (2). Não existe nenhuma resposta mágica aqui nesse mundo, meu povo.

E eu voto sempre pelo caminho do meio.

Eu entendo completa e inteiramente o que o Mark Manson fala, no livro dele, quando ele diz que a gente precisa aceitar o nosso “lado feio” e a nossa humanidade falha e limitada por inteiro. Livros de autoajuda não vão resolver a sua vida do dia para a noite. Mas eu também entendo, ainda mais completa e profundamente, o poder que a nossa mente tem – ele é muito imensamente imenso. E se colocar no lugar de vítima do Universo, reclamar o dia inteiro sobre como as coisas nunca dão certo para você e partir do princípio que você precisa trabalhar só para ter um mínimo de dinheiro suficiente no fim do mês não são atitudes que vão te levar muito longe. E elas com certeza não vão te ajudar a ter mais dinheiro.

Pausa para um PS muito importante, também: essa é uma discussão sensível demais para se ter aqui no Brasil, eu sei disso. Falar de dinheiro, de atitude próspera com a riqueza e de mudar o nosso modelo mental em um país como o nosso, e em um momento como o nosso, é praticamente uma calamidade.

E é justamente por isso que eu valorizo bastante esse tipo de discussão. Se você faz parte da faixa de brasileiros extremamente beneficiados (com casa, comida, família que te ama, oportunidades decentes de emprego e de conexões), por favor, leia esse livro. Pegue o potencial infinito que você já tem, una isso com os privilégios que a vida te deu, e pare de se concentrar no que está te faltando.

Essa pequena atitude mental faz toda a diferença do mundo, acredite em mim.

 

Gaste e ganhe dinheiro com a fé e a gratidão que ele vai voltar

Existe dinheiro suficiente para todos nós – esse é o ponto de partida do argumento da Jen. Essas ideias podem ser muito desafiadoras para algumas pessoas (e, de novo, eu sei que dizer isso no contexto do Brasil é praticamente uma heresia), mas eu acredito piamente em todas elas. Nada disso quer dizer, aliás, que você deveria gastar o seu dinheiro inconscientemente. A raiz dessa filosofia está na palavra abundância e não na palavra inconsequência. Tudo o que você faz tem consequências, obviamente.

E partir do princípio que você nunca vai ter dinheiro suficiente (que ele vai sempre te faltar, que a vida é injusta mesmo, que você é um pobre coitado sem condições de ir atrás do dinheiro necessário para você viver bem) é um dos pensamentos mais maléficos e venenosos que existem. Ter fé, nesse contexto, significa ter fé de verdade e simplesmente acreditar. Isso é mais fácil para algumas pessoas fazerem do que para outras, mas eu te imploro: mesmo que você seja uma pessoa cética e que você se recuse a colocar a mão no fogo por qualquer tipo de evento futuro não comprovado, decida ter fé. O que te custa?

E daí se você não acredita em Deus? Crença por crença, efeito placebo por efeito placebo, decida ter fé que o dinheiro sempre vai voltar pra você. Abrace as ideias que podem transformar a sua vida, de um jeito bem prático, em uma vida melhor. Você não tem nada a perder, de qualquer forma.

O fluxo da vida é um fluxo rico. É um fluxo de abundância, de generosidade.

Por mais que nem todas as pessoas sejam assim, a natureza é assim. A Jen trás esse exemplo e ele é tão científico e verídico que ninguém teria como contradizê-lo, cara. Ela fala de como as árvores, as flores e as frutas sempre têm o que elas precisam logo ali, à sua disposição. Se a gente tirar o fator humano da equação, a natureza inteira seria intocavelmente perfeita e auto reguladora pra sempre. Ela não sabe o que é precisar de algo (luz do sol, oxigênio, certos animais ou uma certa condição climática) e não ter aquilo logo ali. Tudo o que ela precisa (e você, por ser um integrante da natureza, está nesse mesmo barco) é possível de existir e/ou está sempre à sua disposição. Porque contigo seria diferente?

 

Dar e receber dinheiro é uma troca energética entre pessoas

Um lado mais filosófico e argumentativo do livro, esse aqui. Parte do discurso da Jen é voltado para desmistificar e limpar a carga negativa e o sentido pejorativo que a gente coloca em cima do dinheiro. Carga e sentido esses que a gente aprende e é forçado a engolir à seco ao longo da vida, na verdade. O mau uso do dinheiro, por parte de algumas pessoas, deram uma reputação muito infeliz à ele.

Mas na verdade, dinheiro é energia. E todo tipo de energia não passa de um cheque em branco.

Você pode usar como bem entender, para qualquer finalidade possível e imaginável. A Jen vai te ajudando, ao longo do livro, de um jeito tranquilo e gradual, a desfazer as crenças limitantes que você pode ter sobre o dinheiro. Como por exemplo: o dinheiro é algo ruim. Se eu ficar rico eu vou me transformar em uma pessoa péssima e não vou poder, nunca mais, abraçar cachorrinhos ou fazer atos de caridade. Ser rico simplesmente não é algo que eu possa fazer e, se fizesse, todo mundo ia me odiar.

A quantidade de pensamentos contra intuitivos que a gente tem sobre o dinheiro é bizarra, gente.

Bizarra mesmo. Principalmente se a gente se lembrar (e partir do princípio) que dinheiro é algo bom, intrinsecamente poderoso e que, se usado para o bem, pode fazer maravilhas. E a definição da troca do dinheiro como sendo a troca de energia entre duas pessoas me fez ficar ainda mais afeita e ainda mais fã do ato de comprar coisas e de cobrar por coisas. Trocar energia é o que a gente faz durante o sexo, por exemplo. É outro tipo do energia, mas é energia ainda assim. E escolher bem as pessoas com quem você transa é tão importante quanto saber com quem e com o que você está gastando o seu dinheiro.

 

Uma das melhores coisas que você pode fazer é ficar rico

Ta aí uma das coisas que mais me impactaram durante essa leitura: um exercício que a Jen pede pra gente fazer lá pelo meio do livro. Imagine que todas as pessoas que você mais ama (a sua família, de sangue ou não, os seus amigos mais íntimos, o seu marido, mulher ou filhos, todo mundo) estão ricas.

Ricas de verdade, com bastante dinheiro. Imagine essa realidade por um momento, de verdade.

O que é que essas pessoas fariam se fossem ricas? Imagine que cada uma delas (dentro da sua profissão, com os seus gostos e com a sua própria família e amigos) tivesse todo o dinheiro do mundo para que elas fossem a melhor versão possível delas mesmas. Como seria essa versão? Com o que elas gastariam esse dinheiro? As respostas variam, obviamente, mas um ponto em comum termina aparecendo: a fodacidade das iniciativas lindas e incríveis que elas iam começar se fossem ricas.

Exercitar o pensamento que existe dinheiro suficiente para todo mundo, aceitar e se inserir no fluxo de riqueza da vida e da prosperidade do dinheiro, de dentro pra fora, é genuinamente uma das melhores coisas que a gente pode fazer. Porque todo esse trabalho interno também se reflete no mundo prático. E ao longo do livro a Jen dá dicas de como associar essa mudança de pensamento com a ação prática e visível, obviamente. O inferno está cheio de boas intenções, a gente bem sabe. Só isso (desejar, imaginar, conjurar na sua mente) não é o suficiente, mas é, sim, o pontapé que vai começar a coisa toda.

Diga pra você mesmo: eu amo dinheiro. Eu quero ficar rico. Se alguma voz da sua cabeça achar isso ridículo demais e começar a te criticar, continue. Isso significa que você está no caminho certo. :)

 

Um desejo saudável por dinheiro é um desejo pela vida

Ao fim e ao cabo, querer dinheiro é igual a querer viver. Aceitar, bem no fundinho, que você pode se permitir o desejo de ter dinheiro e o desejo de ser rico é a coisa mais importante de todas. A gente precisa de dinheiro para sobreviver – e se vocês, assim como eu, gostariam de aproveitar bem o tempo limitado aqui nesse mundo, vocês também querem um pouco mais do que apenas sobreviver, imagino. Não só porque todas as coisas do mundo realmente exigem dinheiro (mesmo de um ponto de vista capitalista e prático), mas porque, como a Jen já disse, dinheiro é energia. E tudo no mundo é energia.

Nós precisamos de muitos tipo de energia para existir.

E precisamos de ainda mais opções para que a gente consiga existir com abundância, autenticidade, alegria e poder. Tudo isso contribui, no fim das contas, para que a gente consiga materializar a nossa melhor versão possível. A versão de nós que tem dinheiro para sustentar e ajudar a nossa família, para contribuir com mudanças práticas sociais, para aprender cada vez mais, produzir e trabalhar cada vez e, porque não?, descansar e se divertir com tranquilidade, presença e gosto. Para poder viver, em suma.

Aceite aquilo que te permite viver. Aceite com todas as suas forças. Essa é a moral da história.


 

PRA CONTINUAR APRENDENDO, COLA NUM DESSES TEXTOS AI Ó. SÓ TEM IDEIA BOA:

 

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