Notas sobre como ter mais garra e perseverança na vida

Atendendo a pedidos feito lá pelo Instagram, esse texto marca a estréia de mais uma categoria aqui do blog: Notas Sobre Livros Incríveis Que Todo Mundo Deveria Ler. O nome ficou grande, mas vocês entenderam o sentimento.

Como muitos já sabem, eu adoro ler. Eu adoro falar dos bons livros que eu li e se você se sentasse perto de mim em uma festa qualquer, provavelmente seria perguntado se você também gosta de ler.

Afinal, de que outro jeito eu puxaria assunto com as pessoas?

Resolvi então que vou trazer para o blog algumas passagens e insights de alguns dos melhores livros que cruzarem o meu caminho ao longo desse ano. Muitos deles vão falar de temas obviamente pertinentes para nós – organização, produtividade – e outros talvez fujam dessas temas centrais um pouquinho.

O fio universal que vai conectar todas essas leituras vai ser o impacto que elas tiveram em mim. Se elas aumentaram bastante o meu entendimento da vida, do Universo e tudo o mais, eu compartilho com vocês.

Combinado? 🙋

Então vamos logo mergulhar nas sacadas poderosíssimas que o livro da psicóloga norte-americana Angela Duckworth me trouxe. Por indicações confiáveis notei que esse livro provavelmente seria uma ótima leitura e, apesar de alguns pesares, terminou atendendo à todas as minhas expectativas.

Ele trata, obviamente, desse sentimento (emoção? poder? talento divino?) tão essencial pra vida humana: a garra. Aquilo que nos faz cair de cabeça nos mares mais obscuros, superar obstáculos e manter um sentimento quentinho dentro do coração apesar de todos os revezes.

É um sentimento poderoso demais, minha gente.

Separei algumas das frases e conceitos que fizeram buracos sérios na minha cabeça e que começaram a crescer raízes nela desde então. Não dá pra falar aqui tudo que o livro teve de bom, mas se esse tema te aparecer com certeza é melhor que você leia o livro por você mesmo.

Considere esse texto como uma entrada antes do prato principal.

Lembrete importante: esses textos não pretendem ser, de forma nenhuma, resenhas completas & literárias sobre os livros. O meu único objetivo aqui é espalhar as sementes do conhecimento e contribuir, nem que seja um pouquinho, com o crescimento de vocês. 🌱

 
 

Certas pessoas são dedicadas quando as coisas vão bem, mas desmoronam diante de uma situação adversa.

Essa frase resume muito bem a motivação principal de todo o livro: entender porque que algumas pessoas insistem na mesma coisa por anos a fio e outras não. Porque algumas pessoas se dão bem apesar de todas as dificuldades?

Porque algumas pessoas “sortudas” e “naturalmente talentosas” não demonstram o mesmo nível de dedicação que outras?

A Angela deu aula por alguns anos em um bairro periférico dos Estados Unidos e começou a notar coisas peculiares em seus alunos. Nem todas as crianças que eram super inteligentes tiravam notas boas e muitos dos alunos bem menos talentosos tiravam notas mais altas com mais frequência – estranho, né?

Isso a deixou bem mordida.

Uma coisa levou à outra, que levou à outra que levou à outra e alguns anos depois ela estava de volta na faculdade fazendo uma dissertação sobre a diferença entre garra e talento.

E o que ela descobriu foi que essas duas coisas são totalmente diferentes. Se dedicar à mesma situação mesmo quando todas as chances e os resultados estão contra você exige um tipo força especial.

Ter sucesso quando todos os ventos estão soprando ao seu favor é o que costumamos categorizar como talento. “Ah, fulano tem um talento natural pra isso, olha só! É tão fácil pra ele!”.

Percebe a diferença maliciosa?

Talento, segundo a autora, existe quando conseguimos realizar uma habilidade específica com mais facilidade e rapidez. Todos nós temos algumas facilidades naturais – mas só isso não basta.

Mais ou cedo ou mais tarde Lady Murphy talvez se materialize na sua frente e as coisas comecem a dar errado ou a exigir mais esforço da sua parte. E nesses casos não há talento que baste: é preciso ter garra. Como diz a própria autora: “sem esforço, o seu talento não passa de potencial não concretizado”.

 

Preferimos a perfeição já totalmente formada. Preferimos o mistério à trivialidade.

Outra frase dita pela própria Angela que serve para desmascarar um costume enraizado na gente: valorizar mais o talento natural do que o esforço comum.

Raramente associamos esforço – coisa chata, repetitiva, tentativa e erro, rotinas de trabalho nada glamurosas – com as grandes vitórias. É muito mais sedutor dizer que fulano é muito talentoso, veja só o quanto que ele conseguiu atingir!

Talvez pensemos assim porque é mais cômodo? Talvez porque dói um pouquinho admitir que a gente também poderia estar fazendo o mesmo? Dar todo o crédito para a a genialidade é um jeito fácil de tirar o nosso da reta.


“Ter talento é comum. O quanto você se dedica para desenvolver esse talento é a medida final e mais importante da grandeza”.
– Anson


Eu faço isso, você faz isso, todo mundo faz isso, nem que seja um pouco.

Mas o que a Angela luta para mostrar é que todos as pessoas de sucesso tiveram muitos dias de ralação antes de chegar lá. É claro, muitos deles também tiveram boas doses de talento para ajudar, mas é fato que ninguém atinge todos os seus sonhos do dia pra noite.

Parte da causa daquele sucesso é uma sequência chata e enfadonha de treinamentos diários, de ações repetidas, de vários “nãos” na cara.

Moral da história: se você quer ser um dos melhores da sua aérea, perceba que boa parte disso depende exclusivamente de você. O seu esforço diário conta muito mais do que a sua genialidade nata.

 

O esforço que uma pessoa dotada de garra dedica em um dia é importante, mas ainda mais importante é ela acordar no outro dia, e no outro, disposta a subir naquela esteira e continuar a correr.

Essa frase aqui é uma das preferidas de todo o livro.

Ela ressalta a verdadeira natureza da garra: insistência repetida ao longo de um grande período de tempo. Não só quando você está fim, não só quando você acorda pilhado, não só quando alguém te elogia.

Ter garra quando o seu interesse está nas alturas não é muito difícil; ter garra quando você está cheio de tesão por aquela ideia é relativamente fácil.

Mas e quando você acorda de mau humor? E quando alguém te critica e aponta os seus erros? E quando ninguém te aplaude? Ter garra é uma maratona, não uma corridinha de cinco quilômetros.

O que não significa que a gente deveria ser teimoso e insistir na mesma coisa até o fim da vida, por favor. Nada disso. A própria Angela fala da importância de deixar alguns projetos de lado quando você sente, lá no fundo, que não está realmente feliz e encaixado naquele contexto.

Mas falando dos nossos sonhos de vida, da nossa vocação e dos assuntos que fazem os nossos olhos brilhar é importante lembrar que nada de muito incrível vai te acontecer se você insistir nas coisas só por um dia.

As coisas realmente significativas e profundas levam tempo para nascer.

Um tempo que às vezes não combina com os nossos altos e baixos. A gente esquenta, mas às vezes esfria. Bate a preguiça, o desânimo, a insegurança e a dúvida. A pergunta é: você vai desistir? Vai deixar que todos esses poréns te ponham pra baixo? São essas coisas que vão definir o seu sucesso na vida?

A gente precisa dar as caras, minha gente.
Hoje, amanhã, ano que vem, daqui a cinco anos, todo santo dia.

 

Você não deve procurar a coisa certa, ou a melhor coisa – apenas uma orientação que pareça razoável.

“Mas Ana, eu não sei qual é a minha vocação!”.
Olha, posso dizer que eu te entendo, de verdade.

Quem é meu amigo sabe que eu fiquei perdida e confusa por alguns anos antes de realmente decidir o que é que diabos eu queria fazer. E justamente por causa disso eu ressaltei esse trecho específico.

Ter garra é extremamente importante para você alcançar os seus objetivos pessoais e profissionais, mas é essencial que você saiba que objetivos são esses. Vai que você até tem bastante capacidade de ser insistente, só não sabe exatamente onde é que deveria aplicar toda essa perseverança?

A coisa de “encontrar a sua paixão” nem sempre acontece da forma glamurosa e espontânea que nós imaginamos e às vezes precisamos começar essa busca sem muitas pistas mesmo.

Pra isso o livro dá uma dica: relaxe, não enlouqueça.

Comece analisando quais são as suas opções atuais. Quais caminhos a vida já colocou na sua frente? Que faculdade você fez? Quais oportunidades de parcerias ou de estágios se apresentaram pra você? Qual assunto desperta um pouco o seu interesse? Qual passatempo você tinha quando era criança?

Começar de qualquer lugar é muito melhor do que não começar nunca.

A Angela dá vários exemplos de especialistas profundamente renomados e vitoriosos que começaram fazendo uma coisa absolutamente nada a ver – lavando pratos ou sendo músicos, por exemplo.

Treinar a sua capacidade de se superar cada dia um pouquinho mais e de trabalhar em direção a um objetivo é muito mais importante do que a área do conhecimento na qual você vai trabalhar.

Afinal, dá pra encontrar sucesso em qualquer área de atuação do mundo – mas especialidade nenhuma vai dar certo se você não for persistente.

 

Ver a si mesmo como uma pessoa capaz de superar enormes adversidades muitas vezes leva a um comportamento que confirma essa ideia.

Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Pois é.

É difícil saber exatamente o que acontece primeiro. Será que as pessoas que têm garra são assim porque pensam que são assim? Ou elas simplesmente agem dessa forma e depois reparam: nossa, até que sou uma pessoa bem insistente.

Pelo sim pelo não, o livro reforça a importância de estarmos imersos em uma cultura que reforce as qualidades que queremos ter. Quanto mais você disser para si mesmo que você é uma pessoa resiliente, mais resiliência você terá.

Não é mágica, não é força divina. É simplesmente o seu cérebro criando sinapses que reforçam padrões e enraízam pensamentos repetitivos.

Dizer para si mesmo que você é capaz de fazer tal coisa ou que você tem a qualidade X, Y ou Z não vai te poupar o trabalho de realmente colocar a mão na massa, mas ja é meio caminho andado.

O nosso cérebro é uma esponja muito mais sutil e sorrateira do que parece e aquela velha máxima continua fazendo todo o sentido do mundo: se você acha que consegue ou se acha que não consegue, você está certo.

Tudo começa primeiro dentro da nossa caixola.

Daí a importância de estar perto de pessoas que reforçam, espontaneamente e de coração, os comportamentos e objetivos que você quer alcançar. A forma mais garantida de se tornar uma pessoa com mais garra é estar perto de pessoas que também querem isso.

Se os seus amigos vivem falando mal dos outros, te criticando e não fazem nenhum esforço para dar um up na vida, é bem provável que você termine absorvendo (mesmo sem querer) esses padrões.

Mas se você anda com pessoas esforçadas, batalhadoras, que trazem o melhor de você à tona e que te desafiam a ser melhor a cada dia, você com certeza também vai começar a entranhar essas ideias.

 

O sucesso nunca é final; a derrota nunca é final. O que conta é a coragem.

Essa frase é do John Wooden e ela fecha perfeitamente a mensagem que esse livro me trouxe. No final da contas, tudo vai passar. Nenhuma felicidade, dor, vitória ou sofrimento é eterno. Os dias vão passar, o jogo vai mudar e a gente vai precisar se adaptar novamente.

A palavra “coragem” significa, etimologicamente, “agir com o coração” e ela tem tudo a ver com resistência, insistência, perseverança e garra.

Precisamos mesmo de coragem para continuar cultivando todas essas virtudes. Algumas pessoas podem ter mais facilidade de desenvolvê-las, mas a verdade é que ser uma pessoa cada vez melhor dá trabalho.

E a única forma de fazer com que a nossa garra cresça cada vez mais – para que saibamos de verdade que nada nesse mundo pode nos tirar do nosso caminho – é insistindo. É “cair sete vezes e levantar oito”, como diz a própria Angela.

Essa é a medida do sucesso e da grandeza. Isso ninguém vai poder fazer por nós, mas com certeza podemos ir aprendendo um pouco mais a cada dia. ❤️

 

Concluindo

Ter uma vida organizada e totalmente perfeita não adianta nada se a gente não souber porque está fazendo isso. Tão importante quanto aplicativos e ferramentas para sermos mais produtivos é criarmos uma intenção clara para a nossa rotina.

Esse livro acertou em cheio a filosofa que eu tento trazer para esse blog: mais do que tudo, precisamos querer melhorar. Precisamos fazer por onde sermos pessoas cada vez mais fortes, capazes e cheias de recursos.

Só assim vamos poder dizer que estamos lutando para termos a vida que realmente queremos. A organização é uma parte vital dessa caminhada, mas com toda a certeza não é a única.

Espero que vocês tenham curtido esses insights! Se gostaram, deixem um comentário aí embaixo e aproveitem para me dizer quais outros livros vocês gostariam de ver por aqui. 😊


❤️ CURTIU? AQUI TEM + IDEIAS BACANAS PARECIDAS, Ó: