Notas sobre como terminar os seus projetos e contornar o perfeccionismo

Eu estava querendo escrever um novo texto sobre perfeccionismo aqui no blog faz já um bom tempo.

O primeiro e único artigo unicamente dedicado à esse tema é esse aqui, de outubro de 2016. Um pouco antigo, um pouco superficial e sem a pá de coisas valiosas que eu aprendi sobre o tema nesse meio tempo. A intenção estava registrada, a tarefa estava criada, mas eu não conseguia parar e escrever. O assunto é amplo, complexo e cheio de pequenas nuances específicas que eu não conseguia generalizar.

O perfeccionismo, por definição, é aquele defeito que usa uma máscara de virtude para conseguir entrar dentro da sua cabeça sem ser barrado na porta. Ele é o ímpeto e o instinto de querer conseguir sempre o melhor resultado, no menor tempo, sem nem um tropeção ou passo em falso para contar história. Ou seja: ele é impossível, pequeno gafanhoto. Até aí tudo bem, a gente sabe disso. A gente fala sobre isso, a gente tenta criar gatilhos que favoreçam a ação e a conclusão dos nossos projetos. A gente tem um monte de boas intenções, isso os anais da história podem comprovar. Eu sei que eu tenho, pelo menos.

Mas e na prática? Eu realmente consigo entender as engrenagens que me fazem ceder à esse instinto?

Eu consigo virar o perfeccionismo do avesso e realmente entender como ele funciona? Eu consigo fazer as ações precisas que me ajudam a finalizar os meus projetos? Um pouco, mas nem tanto. Ano passado, em 2017, eu fiz uma live-aula-ao-vivo no Instagram sobre esse tema (elas acontecem sempre na última terça-feira do mês, pra quem não sabe) e a quantidade de pessoas que se identificaram e que relataram problemas iguaizinhos aos meus foi avassaladora. Eu me toquei que esse tema precisava de mais pesquisa, sim. Precisava de mais vento, mais experiências compartilhadas e mais dicas eficazes.

Entra uma pessoa muito importante na história: a linda e fofa da Diana, do site Hábito Organizado.

Ela começou o site esse ano e eu a conheci pelo melhor lugar da internet – o Twitter. Comecei a acompanhar as suas atualizações e aí, mais dia menos dia, vi que ela estava lendo um livro sobre produtividade e desenvolvimento pessoal que eu não conhecia: o Finish, do Jon Acuff. Esse livro ainda não tem em português, para a nossa tristeza, mas eu já conhecia o autor e tinha gostado um bocado do primeiro livro dele que eu tinha lido – o Start. Ele fala, nesse primeiro livro, sobre como tirar os seus projetos da gaveta, superar o medo de colocar a sua ideia no mundo e realmente colocar o seu sonho para andar. Com o tempo, o Jon percebeu que ainda faltava uma parte muito importante nessa equação.

A conclusão do projeto.

O subtítulo desse segundo livro dele é: “se dê o presente da finalização”, em uma tradução livre minha. Depois de anos de sucesso do primeiro livro, ele fez questão de voltar e dar o acabamento perfeito para toda essa discussão de “como tirar os seus projetos da gaveta”. E, sinceramente, graças à Deus que ele fez isso. Porque esse livro é perfeito. PERFEITO PERFEITO PERFEITO. E se você não se identifica tanto com essa dificuldade, vá ler o Start. Ele é ideal para as pessoas que se atrapalham na hora de começar as coisas e dar o pontapé inicial nos seus projetos. Essa pessoa, porém, não sou eu. Cês sabem disso.

O meu problema nunca foi começar nada – nisso eu sou foda.

O meu maior problema é terminar as minhas ideias maravilhosas. Porque toda ideia que eu tenho, é claro, é maravilhosa. Todo sonho é ambicioso, toda iniciativa tem muitas chances de sucesso. “Se eu apenas terminasse de fazer as tarefas necessárias para concluir os meus desejos, tudo ia dar certo”, o meu cérebro sussurra. Mas eu não consigo, fazer o quê. Tudo era muito difícil, muito custoso.

Por anos e anos, o perfeccionismo me fez acreditar em histórias da carochinha.

E me fez acreditar mesmo, de pés juntos. Esse livro foi como se tivessem feito um imenso buraco na caverna onde eu estava vivendo e, pela primeira vez, eu consegui ver a luz da fora. Eu vi o Sol da Realização e compreendi como a vida poderia ser incrível se eu estiver disposta a ser imperfeita. Eu sei que isso pode soar pretensioso, mas quem também já sofreu com essa punheta de começar mil coisas e não terminar nenhuma vai me entender. Preciso dizer, também, que o perfeccionismo não é um vilão.

A vontade de ser cada vez melhor, cada mais profissional, cada mais impecável pode ser usada pro bem.

Mas quem administra essa energia é você. E você, meu bem, é um ser humano cheio de falhas, limitações, influências externas e experiências traumatizantes. Todo mundo é. Se você usar essa matéria prima para o mal, você vai morrer cheio de arrependimentos, cheio de amargura. E eu não sei você, mas eu quero morrer feliz. Feliz por ter aproveitado todas as oportunidades que eu quis e por ter, na medida das minhas capacidades e recursos, dado o curso exato que eu queria pra minha vida.

Tem coisa mais fina que isso? Tem luxo maior do que esse?

 
Pin.png

aproveita pra salvar essa imagem aí no Pinterest para se lembrar dessas ideias legais depois. <3


 

Algumas pessoas acham que o oposto do perfeccionismo é o fracasso. Não é. O oposto é terminar.

O que o nosso cérebro nos diz, vez após vez, é que se a gente cometeu um erro (ou três, ou quatro ou dez) a gente fracassou. Se tinha uma única maçã podre no nosso cesto, é melhor jogar tudo fora. Afinal de contas, agora o nosso projeto está maculado. Ele não é mais perfeito, redondo e reluzente. Ele é só humano. E quem quer dizer isso das suas iniciativas, não é mesmo? A gente quer a perfeição. A gente quer a correntinha de hábitos miraculosamente perfeita – sem imprevistos, sem interrupções, sem erros.

E você já sabe que isso é impossível, lá no fundo. Teoricamente você já sabe disso.

Mas a prática, como sempre, é outra história. E o que o Jon defende, logo no início do livro, é que o dia mais difícil na vida de qualquer perfeccionista nato é o dia depois do dia perfeito. O dia seguinte ao dia em que tudo saiu como planejado e que as suas tarefas foram de vento em popa. A gente adora esse dia, né? Quando você acorda, cumpre todos seus hábitos matinais com louvor, almoça na hora certa, faz todas as escolhas mais saudáveis do que comer ao longo do dia, vai dormir com o coração preenchido e com o corpo cansado e sabe que todas as suas tarefas mais importantes foram realmente feitas.

Quem é que não gosta disso, cara?

É o dia depois desse dia perfeito que quebra os perfeccionistas, segundo o Jon. Quando você não tem mais a chance de fazer tudo da melhor possível, você termina se desanimando e jogando a porra toda pro alto. Quem se identificou com isso rola essa página até o final e deixa um “EU!” lá nos comentários, faz o favor. Ver a nossa imperfeição cara a cara, olho no olho, machuca o nosso ego. Saber que a gente vai precisar andar com os nossos projetos de um jeito imperfeito, em zigue-zague, machuca mais ainda. Pelo menos para mim. Eu detesto imprevistos, interrupções e qualquer coisa que me impeça de ser perfeita.

Eu detesto quando eu mesma não consigo agir da forma exemplar que o meu cérebro diz que eu deveria.

Mas, como diz o Jon: “Você não vai ser perfeito, mas sabe o que é mais importante do que a perfeição? Você sabe o que vai te servir e te ajudar muito mais do que o perfeccionismo? Seguir em frente de um jeito imperfeito”. Seguir em frente – essa expressão maravilhosa. Conquistar algumas coisas, falhar em outras, apreender um bocado e poder dizer, de peito aberto, que você fez tudo o que queria fazer. Tem coisa melhor do que dizer que você realmente terminou aquele projeto que vivia parado no fundo da sua gaveta? E daí se você colecionar alguns fracassos ao longo do caminho? Você sempre vai ter a chance de tentar de novo amanhã, cara. O fracasso, pequeno ou grande, nunca é definitivo. Ele dura só um dia.

 

Uma outra mentira do perfeccionismo é: você consegue dar conta de tudo. Eu estou aqui para te dizer que você não consegue.

Eu mesma vivo dizendo isso e, surpresa surpresa, nem sempre consigo colocar o meu próprio conselho em prática. De alguma forma, por causa de N fatores, a gente cresce pensando que precisamos conseguir fazer tudo. Dar conta do trabalho, ganhar promoções, manter a casa sempre limpa, perfumada e pronta pra receber a rainha da Inglaterra e ainda ter tempo de ler uma penca de livros. Todos os assuntos deveriam ser conduzidos com elegância – desde as pequenas coisas até as grandes decisões de vida.

A gente deveria estar sempre à postos, sempre arrumados, sempre dispostos a ajudar o próximo e nunca titubear perante um desafio. A gente precisa dar conta de tudo ao mesmo tempo sem falhar.

“A nossa tentativa de fazer muitas coisas ao mesmo tempo parece nobre e honrável, não é? Olha pra gente: trabalhando demais, sem descansar, quase chegando à beira do esgotamento. Reduzindo a qualidade de todas as coisas porque a gente insiste em querer fazer de tudo. A gente pode compartilhar essa atitude com honra no Instagram. Essa é a luta, essa é a animação verdadeira.” – diz o próprio Jon.

E uma das estratégias para contornar o perfeccionismo é, justamente, decidir quais são as coisas (áreas da vida, frentes de trabalho ou expectativas irrealistas que você ainda mantém) que você vai deixar de lado. Ou, dizendo de outra forma: quais são as coisas nas quais você não vai ser excelente. Porque a verdade continua sendo uma só: você não consegue ser o modelo perfeito em todas as áreas da vida. Não consegue, cara. Não tem como. O exemplo que o próprio Jon dá é relacionado à manutenção da casa.

Ele mora em um subúrbio dos Estados Unidos, daqueles que tem casinhas fofas com uma grama lindona na frente, sabe? E ele diz que todos os vizinhos cuidam muito bem das suas gramas. Eles contratam serviços especializados, aparam a própria grama diariamente, plantam flores, etc., etc.

Cuidar da sua casa é um bom objetivo de se ter? Com certeza que sim. A qualidade do lugar em que a gente mora importa e impacta a nossa felicidade e a nossa paz mental? Sem discussões. Mas na hora do vamos ver, na hora do aperto, ninguém vai morrer porque o seu móvel está com poeira. Ou porque os cantinhos do banheiro estão meio sujos. Alguma coisa vai precisar ser deixada de lado, meu bem.

Até você ter tempo ou dinheiro de fazer tudo exatamente do jeito que você quer, em todas as frentes.

Até lá, qual ideal irrealista você vai deixar de lado? Quais são as coisas que você suporta não ser o melhor exemplo do mundo para, nesse meio tempo, conseguir mandar bem no que realmente te importa?

 

Se você quer terminar algo, faça isso ser divertido.

Um conselho perigoso, é claro, porque a gente sabe que nem tudo o que a gente tem que fazer pode se tornar divertido. Nem todas as nossas obrigações são passíveis de mudanças e, por um lado, almejar ter um futuro totalmente divertido, gostoso e que atenda à todos os nossos gostos pessoais é muita ingenuidade. A vida acontece de uma forma impetuosa e, às vezes, a gente precisa fazer o que não quer.

Atenção para aquelas duas pequenas palavrinhas ali, ó: às vezes.

Nem sempre, meu povo. Esse conselho é assustador de tão real e, para mim, ele caiu como uma luva. Principalmente quando a gente fala de projetos pessoais sobre os quais a gente tem total controle: perder peso, ganhar peso, se exercitar semanalmente, ser mais saudável, começar um negócio, estudar uma coisa nova, mudar de casa ou começar um passatempo qualquer. Quanto mais divertido for o caminho que a gente escolheu para chegar no objetivo, maiores são as chances da gente terminá-lo.

Quem é que disse que o caminho tem que ser sofrido, afinal de contas?

Quem foi o infeliz que decidiu que se uma coisa for fácil, ela não conta? Isso pode ser verdade em alguns aspectos muito específicos, mas pelo amor do santo cristo, cara: você não precisa sofrer pra conseguir o que você quer. Que afirmação mais estúpida e, ao mesmo, tão necessária. Essa “regra invisível” é uma das regras preferidas do perfeccionismo, também. Porque quanto mais trabalhoso, dificultoso, desafiador e bizarramente complexo for o seu objetivo, mais propenso você vai estar a deixar ele de lado.

E isso é tudo o que parte do seu instinto perfeccionista quer: ver você desistir.

Porque, afinal de contas, se você nunca tentar, não tem como dar errado, né? Ninguém vai apontar dedos, nenhum membro da família ou colega de trabalho vai soltar um comentário maldoso, você não vai perder nenhum dinheiro e nem desperdiçar o seu precioso tempo. Seria o cenário perfeito não fosse um pequeno detalhe: você vai ser criticado de qualquer forma. Você vai cometer erros quer você queira quer não. Essa é só uma das falácias do perfeccionismo – e para contorná-la você precisa jogar a seu favor.

De que forma você pode aumentar as chances de você realmente se exercitar toda semana?

Quais são os parâmetros que mais te motivam quando o assunto é “exercícios físicos”?

Eu mesma, uma pessoa que nunca imaginou ver nem um ponta de felicidade nesse tema, sei de algumas coisas que me divertem um bocado. Aulas de dança é uma delas. Fazer exercícios aeróbicos, aqueles nos quais você sua e põe as tripas pra fora, é outro. Não precisar sair de casa e pegar ônibus, então, nossa. Isso me deixa feliz que nem pinto no lixo. Quais são as coisas que você pode fazer pra se divertir mais no caminho do seu projeto? O que é que vai aumentar as chances de você cumprir essas tarefas porque elas são, quem diria, realmente divertidas e prazeirosas de fazer? Se isolar na Ilha do Sofrimento é um passaporte sem volta para que vários projetos morram pra sempre na sua gaveta, meu filho. Fique ligado.

 

Quanto mais perto você chega de terminar o seu projeto, mais interessantes se tornam todas as outras coisas da sua vida.

Conforme o Jon nos explica, essa é uma das últimas táticas do perfeccionismo. No início da estrada, ele te diz que você está doido. Que você é novo demais, velho demais, pobre demais, inexperiente demais, gordo demais ou burro demais para fazer o que você quer. Depois, ele nos joga contra a parede e nos apresenta duas opções radicalmente opostas: ou a gente faz bem feito, cem por cento impecável, ou a gente desiste. Não tem espaço para erros ou para meio-termos. Ou é ou não é. Depois de tudo isso, se você conseguiu tornar o seu objetivo final divertido e realmente progrediu nele, a armadilha é outra.

Você começa a se entusiasmar com os mil outros projetos que você poderia estar fazendo.

Inclusive porque, a gente bem sabe, qualquer objetivo dá trabalho. Por mais divertido que seja, o seu objetivo provavelmente vai te exigir um bocado de esforço. Escrever a sua tese, arranjar outro emprego, começar um bico paralelo, aprender uma nova língua ou um novo instrumento – o que for. Tudo isso é trabalho e trabalho nem sempre é confortável. O instinto de fugir da raia e de fazer alguma outra coisa (mais fácil ou mais divertida) quase sempre aparece. E isso é o que o Jon chama de “esconderijos”.

O lugar para onde você vai quando você quer fugir de ter que terminar aquela porra que você começou.

Existem dois tipos de esconderijos: aquelas coisas que são claramente uma perda de tempo (ver o feed do Instagram eternamente, acompanhar todas as atualizações do Facebook, ficar no sofá meio que vendo, meio que não, o programa que os seus pais estão vendo na TV, etc.) e as iniciativas nobres que realmente precisam ser feitas, mas que não têm nada a ver com o seu objetivo principal.

Esses são os esconderijos mais perigosos, cara.

Eles são sacanas, perniciosos e, o pior de tudo, usam a Manta da Nobreza para disfarçar a sua verdadeira sacanagem. O Jon dá um exemplo pessoal disso: a sua vontade de sempre zerar a sua caixa de email e de nunca deixar de responder ninguém. Como dono de empresa, escritor famoso e vários outros títulos importantes, ele recebe muitos emails por dia. E, até certo ponto, é realmente legal zerar a sua caixa de entrada. Mas para ele (uma pessoa que facilmente poderia pagar alguém para ser o seu assistente e lidar com o volume colossal de emails recebidos) isso era um esconderijo. Principalmente porque ele podia justificar o tempo perdido no email para ele mesmo – era uma coisa nobre, percebe?

Era uma tarefa profissional da qual ele não podia escapar.

Só que ele podia. No estágio da carreira em que ele está, emails se tornam preocupações bem pequenas e facilmente administráveis por outras pessoas. Ele mesmo diz que chegou à conclusão que de todas as centenas de emails recebidos por dia, só meia dúzia deles exigiam uma resposta realmente pessoal dele. Todos os outros poderiam ser respondidos por outra pessoa, se ela estivesse à par da situação.

Fugir do que a gente realmente tem que fazer, ou do que a gente quer fazer, é muito fácil, meu povo.

“Você nunca vai terminar acidentalmente fazendo um projeto difícil”. O Jon diz e eu assino embaixo. Ninguém termina, de repente, escrevendo todo o pré-projeto do TCC que estava enrolando há semanas. Ninguém completa, como que por milagre, a planilha intricada e complexa do pagamento dos funcionários do mês. Ninguém realmente acaba fazendo algo muito difícil acidentalmente. Preste bem atenção na sua lista de tarefas e nos atos compulsivos que você nem lembra de ter feito depois.

Eles provavelmente são esconderijos, acidentais ou conscientes, que te afastam d’A Coisa Principal.

 

Um obstáculo nobre é uma tentativa de fazer o seu objetivo ser mais difícil do que precisa ser para que você não precise terminá-lo e possa, ainda assim, parecer respeitável.

Duas desculpas que pegam muita gente pelo pé e que atrasam ou impedem projetos lindíssimos de verem a luz do dia: “eu não posso fazer X até fazer Y” ou o bom e velho “se eu for fazer X, eu preciso fazer de tal forma”. A primeira armadilha é tinhosa e ela te faz criar uma lista incrivelmente irrealista de coisas que você precisa fazer para conseguir chegar às vias de fato do seu objetivo final. Eu não posso fazer nenhum exercício físico até eu realmente escolher a rotina ideal para mim, por exemplo. Eu preciso ir no médico, estudar bastante sobre musculação, escolher a academia perfeita, comparar o preço de todos os pacotes das academias perto de mim, ir em pelo menos três estúdios de pilates antes de tomar a minha decisão e, de preferência, ir em um bom nutricionista antes de começar a fazer qualquer exercício.

Ao invés de simplesmente caminhar por cinco minutos no seu quarteirão, você prefere criar uma lista hercúlea de itens que, colocados lado a lado, transformam o seu humilde projeto (não ser mais tão sedentária, por exemplo) em uma verdadeira maratona para ser a maior atleta que o mundo já viu. Fala sério, né? Eu já consigo enxergar à distância esse tipo de desculpa hoje em dia. Nem sempre consigo fugir dela, mas eu já vi que eu faço muito isso. E a pior coisa dessa desculpa é que ela veste o chapéu da responsabilidade. “Eu não tô fugindo”, você diz pra você mesmo. “Eu estou sendo responsável, ora bolas”.

REALLY QUEEN?

Responsável ou covarde? Responsável ou com medo de colocar o seu na reta?

Verdade seja dita, a gente sempre pode melhorar e aperfeiçoar os nossos objetivos com o tempo. Você começa caminhando no quarteirão e, algumas semanas depois, você já não é mais uma pessoa sedentária. Se esse era o seu objetivo final, você já o conquistou. Parabéns! Você quer criar um objetivo novo? Fique à vontade, ninguém vai te impedir. Você pode decidir que vai começar a correr ou que vai entrar em uma academia. Esse é o próximo nível de uma mesma categoria de objetivos, percebe? É da mesma família, mas é um objetivo diferente do primeiro. E para entrar numa academia você também não precisa fazer muitas acrobacias. Corte pela metade a lista do que você acha que precisa fazer e simplesmente faça.

Essa foi a abordagem que me fez tirar o Eu Organizado do papel, sinceramente.

O segundo tipo de desculpa super comum é aquela que, como eu falei lá em cima, só te dá duas opções: ou eu me transformo em um Campeão Estadual de Natação ou eu nem ponho os pés na piscina. Ou o meu site vai ganhar o prêmio brasileiro de melhor conteúdo já visto ou eu sequer abro uma conta no Twitter. Ou – o pior tipo de distração de todas – se eu não conseguir estar cem por cento focado, eu não trabalho. Mano: se você realmente esperar estar totalmente livre de distrações e de compromissos para fazer aquele trabalho ou projeto paralelo criativo que você sempre quis, sabe quando é que cê vai fazer isso?

NO DIA DE SÃO NUNCA.

O Jon fala que esse segundo tipo de armadilha é justamente aquela que só te dá duas opções extremas de ação. Não existe meio termo, não existe “minimamente bom”. Ou é do seu jeito (ou melhor: do jeito do seu perfeccionismo) ou não é de jeito nenhum. “Se você quer que seja feito, tente fazer do jeito mais fácil”. Esse é o conselho que o Jon dá nesse capítulo e ele resume muito bem o melhor antídoto de todos.

Descomplique, cara. Corte pela metade o seu objetivo final (pra que escrever vinte página se você pode escrever dez? alguém vai morrer por isso?), se dê o dobro de tempo para concluir a sua meta (faz mesmo muita diferença perder 10 quilos em mais duas semanas do que o planejado?), faça uma lista simples das coisas mínimas que você precisa fazer para tirar o seu projeto da gaveta e abra os olhos para a miríade de opções que você tem para colocar essa ideia em prática.

Não precisa ser o vencedor, não precisa o melhor, não precisa ser em tempo recorde. Só precisa ser.

 

Eu já li mais livros sobre como conquistar as minhas metas do que cumpri as minhas metas de verdade. Isso provavelmente é sinal de alguma coisa... de alguma coisa ruim.

Um outro exemplo de um esconderijo muito nobre e bastante popular: a leitura. Ler esse artigo, por exemplo, com certeza é um bom primeiro passo, mas eu quero de verdade que você faça duas coisas com esses ensinamentos: reflita e pense em ações práticas que vão te ajudar a terminar os seus projetos e, em seguida, tome as ações necessárias para que isso aconteça. Uma última dica bem importante que o Jon compartilha é o hábito de (sem ser super perfeccionista nisso também) anotar o seu progresso.

Para cada objetivo, ele pede pra que você crie de 1 a 3 pontos de progresso.

Você não precisa se transformar no Tim Ferris e anotar todo copo de água que você tomar ou anotar todas as calorias específicas de cada coisa que tem no seu prato. Esse exercício não pode ser tomado pelo perfeccionismo – porque se for, vai ser só mais um esconderijo de araque. A ideia é que você defina um objetivo claro (deixar de ser sedentário é bem diferente de correr uma maratona de 5 km, por exemplo) e que anote, semanalmente, a quantidade de unidades/medidas que te fizeram chegar mais perto dele.

Um, dois ou três pontos de controle e só, nada mais do que isso.

Se o seu objetivo é deixar de sedentário, por exemplo, anote quantas vezes você saiu pra andar na rua. Para ir até a padaria, para pegar seu filho na escola, para levar o cachorro pra passear. Três vezes no dia? Duas vezes no dia? Depois de alguns dias fazendo isso, some os números: quantas vezes na semana você saiu e andou na rua? Se você é sedentário de raiz, sair dez vezes pra andar na sua durante a semana já é um bom começo. O propósito desse exercício é que você se concentre no quanto você já andou e não no que te falta andar. Porque o perfeccionismo também adora desencorajar a gente.

Principalmente quando estamos no meio, bem no meio mesmo, de chegar à nossa meta.

É muito fácil pensar: “Nossa, tô tentando fazer tal coisa há semanas e não cheguei nem na metade. É melhor eu parar por aqui mesmo”. Mas quer ver você se animar rapidinho? Ver que você escreveu, nos últimos 10 dias, 5 páginas por dias. Os números não mentem, meu povo. A sua sensação e a percepção que você tem de você mesmo pode flutuar de acordo com o seu humor ou de acordo os acontecimentos do dia. Mas se o seu objetivo é escrever alguma coisa que possa ser medida em páginas, o que quer que seja, é muito bom ver que você escreveu 50 páginas nos últimos 10 dias. Para quem estava com o TCC, a dissertação ou o livro parado, 50 páginas é um progresso imenso comparado ao que você tinha no início.

Isso já é alguma coisa.

E esse é um grande segredo pra você começar a finalizar os seus projetos e, depois, aperfeiçoar em cima do que você já fez: estar satisfeito em conseguir realizar alguma coisa. Alguma coisa não é nada.

Alguma coisa não é uma vontade enterrada embaixo de várias caixas lá no fundo da sua mente. Alguma coisa é o início. É o mínimo necessário pra que você avance cada vez mais, usando o próprio início imperfeito e titubeante como bússola e como fogo para continuar seguindo em frente. É a melhor coisa que você pode fazer com o seu tempo, a sua energia e o seu dinheiro, meu bem. Acredite em mim.


 

PRA CONTINUAR APRENDENDO, COLA NUM DESSES TEXTOS AI Ó. SÓ TEM IDEIA BOA:

 

comentários? dúvidas? sugestões?