Entrevista com Rafa Cappai: dicas para uma vida com mais harmonia

Uma das maiores lições que a vida me ensinou sobre organização, até hoje, foi essa aqui: tudo bem mudar. Tudo bem se contradizer, tudo bem testar coisas novas e tudo bem voltar para esquemas que você achava que não iam dar certo de jeito nenhum. Se eu sou exemplo de alguma coisa, essa coisa é a mudança.

Quem me conhece de perto sabe que o meu sistema de organização muda constantemente. Ele reflete o meu momento de vida, as prioridades que eu escolhi ter e o quanto eu estou precisando de uma ajuda externa e estruturada para me conduzir até os meus objetivos. E isso muda o tempo todo. Se organizar é também (e principalmente) estar de olhos abertos e de coração livre para descobrir do que você mais está precisando agora.

A vida nunca é estática. Porque os nossos métodos de organização seriam?

A vida nunca é única e pré-determinada. Porque a gente seria? A vida não tem um único sentido cravado em pedra. Porque as nossas motivações teriam? Nós precisamos ser fluídos e consistentes ao mesmo tempo, meu povo. Nós não andamos apenas em duas direções excludentes. Harmonia e criatividade podem coexistir. Livre arbítrio e planejamento também.

Essas foram algumas das ideias lindas que pipocaram na minha cabeça enquanto eu lia as resposta que a Rafa Cappai deu para as minhas perguntas. E que respostas, viu. Que mulherão. Fiquei honrada até o último fio do meu cabelo quando essa moça linda disse que topava dar uma entrevista pro nosso blog. Sigo a Rafa faz alguns anos e nem preciso dizer – mas vou mesmo assim – que ela foi uma das minhas mentoras virtuais que mais me ajudaram a colocar esse show aqui na estrada.

Mesmo de longe, sem nem me conhecer, ela ajudou bastante.

Pelas palavras, pelas ideias, pelos métodos super bacanas que ela compartilha e principalmente pelo exemplo. Tem coisa que mais nos inspira do que ver uma pessoa vivendo as suas palavras? Muito pouco, quase nada. O exemplo é a forma mais fantástica de educação – e se você quer algumas ideias sobre como organizar a sua vida de um jeito mais fluído e autêntico, cola aqui.

Essa entrevista está imperdível, de verdade.

E pra quem não conhece a convidada de honra, uma breve tecla SAP: a Rafa Cappai é, nas suas próprias palavras, uma DJ de ideias. Ela é artista e empreendedora e lá em 2013 criou a Espaçonave, uma empresa que educa e propaga metodologias incríveis para empreendedores criativos. A Rafa dança, atua, faz vídeos incríveis e é autora do livro Criativo e Empreendedor, Sim Senhor! Definir a Rafa em um parágrafo seria uma contradição, na verdade – ela escapole das definições clássicas e fixas.

Aprecie bem cada uma das respostas dessa entrevista, meu filho. Todas elas podem te levar a percepções bacanas que você nunca tinha considerado. Elas vão te contar sobre organização fluída e autêntica, sobre o que é a criatividade e sobre a iniciativa – nobre e difícil – de juntar a ambição e o cuidado consigo mesmo em um único caldeirão. Só ideia TOP (pra usar a gíria dos jovens), só exemplo incrível.

 
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O seu jeito de se organizar e de planejar os seus objetivos de vida mudou nos últimos anos em algum aspecto? Se sim, qual?

Muda a todo momento. É difícil pensar em um método que eu tenha definido, pra qualquer coisa, e que eu não tenha mudado até hoje. Eu vou sempre buscando novas formas de fazer as coisas. Eu já usei o GTD e eu também já usei muito o Evernote para me organizar. Hoje em dia eu tenho usado métodos mais coletivos, já que eu tenho uma equipe. Eu vou vou transformando a forma com a qual eu trabalho a todo momento. Eu vejo  uma coisa que não está funcionando e já vou procurando um novo jeito de fazer aquilo. Essas coisas vão fluindo de acordo com a necessidade do momento mesmo – tanto para o meu planejamento de vida quanto para a produtividade do dia-a-dia.

Eu já fui mais cartesiana e já defini metas bem específicas do que eu queria alcançar na minha vida naquele ano. Já fui muito tarada em fazer listas de final de ano novo e listas de objetivos anuais. Hoje em dia, especialmente nos últimos dois anos, eu tenho vivido um processo mais fluido de deixar as coisas acontecerem. Até porque, hoje em dia, é como se o barco já tivesse começado a acelerar e as coisas acabam vindo com menos esforço da minha parte. Então, sim, a minha forma de organizar e de me planejar muda a todo momento.

 

O que você costuma fazer quando está se sentindo estafada e precisa recarregar as baterias?

Eu confesso que ainda não sou a melhor pessoa para ter esse esse olhar cuidadoso comigo mesma. Isso é uma coisa que eu estou implementando a partir desse ano. Ter essa chavinha mais atenta pra notar quando a coisa não está mais caminhando muito legal e conseguir fazer uma pausa, fazer uma viagem ou me dar um descanso. Eu ainda preciso aprender bastante sobre isso. Eu até cunhei o termo zenpreendedorismo porque é isso que eu tenho tentado fazer: conciliar a loucura do dia-a-dia empreendedor com um olhar mais zen pra mim mesma.

O que eu tenho percebido é que são os hábitos do dia-a-dia que vão nos permitir seguir a vida com mais tranquilidade – até mais do que estar apenas atenta para quando a coisa apertar. Eu tenho meditado, eu tenho feito exercícios físicos pelo menos quatro vezes por semana e eu tenho tentado reservar algumas horas para coisas que não tem a ver com o trabalho. Faz também um mês que eu comecei a trabalhar só meio período, a partir do meio dia. Na parte da manhã eu fico focada mais na minha vida pessoal: cuidando do corpo, da alimentação, indo a médicos e fazendo as coisas da casa. Eu tenho praticado essas coisas e percebi que eu tenho conseguido ficar mais equilibrada, de maneira geral. E isso até me permite ficar menos estressada no dia a dia. Permite que a estafa venha com menos frequência e com menos força.

Outra coisa que eu aprendi é que é realmente preciso ter prazos específicos para tirar férias. Eu aprendi com o Brendon Burchard algo muito interessante. Ele diz que ele tira folgas deliberadas de 90 em 90 dias. Ele pára tudo, vai para algum lugar para descansar e tira umas pequenas férias. Isso é bem importante. Eu ainda não consegui implementar essa ideia, mas pretendo. 

 

Qual foi a compra de menos de cem reais que mais melhorou e otimizou a sua vida nos últimos meses?

Foi uma garrafa térmica de mais de um litro. É uma garrafa térmica específica pra você colocar chá ou frutas. Você pode colocar frutas dentro e a água fica saborizada. É simples, mas tem me ajudando a beber mais líquidos e também a beber mais chás – coisa que é bastante importante e que eu gosto muito.

 
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Qual foi o pior conselho que você já escutou alguém dar dentro da sua área ou do seu meio de trabalho?

O pior conselho que eu recebi pra mim, no caso. Não dá para deslocar o conselho de quem dá e nem de quem recebe. Esse conselho pode ser muito legal para outra pessoa, mas pra mim ele não foi bacana. Foi quando me disseram que eu tinha que escolher uma profissão só. Eu escutei isso várias vezes no passado e escuto ainda hoje em dia. Essa é uma máxima do marketing e do empreendedorismo: você tem que ser um especialista. Para mim isso não funcionou. Eu me sentia bem oprimida quando eu pensava em abrir mão de uma das minhas habilidades, de uma das minhas paixões ou de uma das coisas que eu gostava de fazer.

Eu tinha a sensação que eu estava deixando uma grande parte de mim de fora e que eu estava podendo mostrar para o mundo só uma parte minha. Esse conselho acabou funcionando para mim de outra forma, na verdade. Eu acabei descobrindo que era justamente o contrário que fazia sentido pra mim. Boa parte do meu trabalho hoje em dia é ajudar as pessoas a juntarem uma grande parte das suas paixões e dos seus talentos em uma mesma marca.

 

Quais são as estratégias específicas que você usa para planejar e organizar as suas metas do ano?

Atualmente eu não tenho usado nenhuma estratégia específica pra planejar o meu ano. Eu tenho me reunido com a minha equipe duas vezes por ano para fazer um planejamento estratégico e nós tentamos entregar grande parte das ações, dos projetos, dos produtos e dos serviços que foram planejados nessas reuniões. Mas eu não tenho nenhuma estratégia específica de planejamento na minha vida pessoal.

 

Se você pudesse escrever qualquer coisa em um outdoor bem grande, bem no centro da cidade, o que seria?

Eu acho que eu escreveria: você existe, não se desperdice. Isso resume grande parte do meu trabalho. Como é a gente se usa e se expressa. Como usamos a nossa história e os nossos talentos na criação de um mundo melhor para todo mundo.

 
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Você tem algum tipo de ritual para começar bem a manhã? Como costuma ser a primeira hora do seu dia?

Hoje em dia eu tenho um ritual para começar a minha manhã, sim. Eu acordo, eu medito… quer dizer, mentira! Eu acordo, eu vou ao banheiro, eu volto pra cama e aí medito. Na grande maioria das vezes eu acordo já com muita vontade de fazer xixi e não consigo meditar direto na cama. Depois eu troco de roupa, coloco a roupa de ginástica e desço para tomar o meu café da manhã – que costuma ser café com um pedaço de queijo branco e com óleo de coco. Eu vou treinar, volto pra casa e fico tranquila, arrumando as coisas da casa ou fazendo comida. Depois eu tomo banho e vou trabalhar por volta de meio dia.

 

Qual é o hábito mais simples que você tem e que, ao mesmo tempo, mais te ajuda a se manter produtiva durante o dia?

O hábito mais simples que eu tenho é anotar as coisas que eu quero fazer  naquela semana e como eu pretendo gastar o meu tempo nos próximos dias. No domingo, ou mesmo na segunda, eu pego uma folha e anoto tudo o que eu quero realizar. Isso já me ajuda a começar a semana de forma bem focada e eu consigo ir entregando todos aqueles itens. É simples, mas bem efetivo. Eu descarrego tudo do meu cérebro e colo no papel.

 

Qual tem sido a sua maior pedra no sapato em relação à organização e ao planejamento, ultimamente?

O meu principal desafio do momento é conseguir construir uma vida zen e mais tranquila, trabalhando de forma menos louca, mais focada e mais produtiva. Trabalhar com uma carga horária mais enxuta e, ao mesmo tempo, fazer a minha empresa crescer. Esse é um desafio bem grande e que parece ir na contra mão. Se você quer fazer a empresa crescer você tem que trabalhar mais, teoricamente. Mas eu acredito que é possível fazer isso de forma mais tranquila, organizada e equilibrada sim.

 

Me diga uma coisa na qual você firmemente acredita mas a maioria das pessoas acha totalmente doida.

Eu acredito que todo mundo tem algum talento ou alguma missão. Não necessariamente uma missão que foi entregue para você quando você nasceu ou um missão religiosa, mas uma missão que é construída ao longo da vida. Nós podemos usar as coisas que nos acontecem como artifícios, instrumentos e ingredientes da nossa própria jornada. Se as pessoas observarem bem a sua vida, todo mundo pode encontrar alguma coisa com a qual se identifica, que faz parte da sua história e que pode ser usada para ajudar os outros e transformar o mundo.


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