Entrevista com Talita Chaves: dicas para uma vida mais leve

Depois de um longo hiato, hoje é o dia de trazer de volta esse segmento maravilhoso do blog: as entrevistas. O primeiro semestre de dois mil e dezessete foi tão doido por aqui – lançando o meu primeiro curso online, planejando o primeiro curso presencial de imersão da nossa escola e cuidando de vários imprevistos pessoais – que eu simplesmente deixei as entrevistas de lado.

Até que, lendo um livro incrível, eu me lembrei do poder de fazer perguntas.

Especialmente o poder de fazer as perguntas certas.

O livro que eu estava – e ainda estou – lendo se chama Tools of Titans, a nova publicação do Tim Ferris. Ele é um empreendedor e biohacker norte-americano que já escreveu algumas coisas de muito sucesso e, pra mim, ele é o irmão mais velho que eu nunca tive. Esse livro não é parecido com nada que eu já li até hoje e eu me apaixonei demais por algumas das perguntas que ele fazia para os seus entrevistados.

Ele me lembrou que conhecer uma pessoa é uma arte.

Uma das mais sutis, complexas e enriquecedoras que existem. Clicando aqui você vai ver as entrevistas já publicadas aqui no blog, cada uma feita com um profissional mais incrível e mais exemplar do que o outro. Mas eu comecei a sentir que as antigas perguntas não estavam me levando muito longe. E à exemplo das entrevistas do Tim eu também queria conhecer os meus entrevistados a fundo.

Algumas das novas perguntas foram descaradamente roubadas desse livro – thank you, Tim! 😉 – e a pessoa que vai estreá-las por aqui é a lindíssima Talita Chaves, dona do site Inside The Office. Ela é fotógrafa e jornalista, mora aqui no Rio de Janeiro e criou há dois anos o projeto de entrevistar os empreendedores criativos cariocas.

O Instagram da Talita é uma das coisas mais lindas que eu já vi, aliás.

Esse projeto nasceu depois que ela saiu de um emprego corporativo tradicional e o principal objetivo do site é compartilhar a jornada de outros empreendedores criativos que, assim como ela, resolveram empreender em cima da sua arte. Ela fotografa os ateliês e os escritórios das pessoas e compartilha com a gente como foi que elas fizeram para chegar até aqui. Tem trabalho mais lindo do que esse, minha gente?

Ainda esse ano a Talita vai inaugurar o seu próprio ateliê, lá em Copacabana, e ele vai ser o centro de todo o seu trabalho. Ela também trabalha como fotógrafa freelancer, e para ficar por dentro dos serviços que ela oferece é só clicar aqui. Essa foi a primeira entrevista que eu fiz ao vivo; cara a cara, olho no olho. E conhecer essa moça ao vivo só me fez ficar ainda mais apaixonada por ela, de verdade. 💖

Nós falamos bastante sobre um aspecto essencial da organização: o improviso. Deixar as coisas fluírem e abrir mão do controle é, às vezes, exatamente o que você precisa para ser mais produtivo. E a Talita entende e vive, na prática, princípios importantíssimos de planejamento de vida. A experiência dela é super enriquecedora e casa direitinho com várias bandeiras que eu vivo levantando aqui no blog.

Ela recomendou um livro fantástico, que eu estou doida pra comprar, e nós falamos também das maiores dificuldades que existem quando você precisa ser produtivo, trabalhando em casa, e cuidar da rotina e da manutenção do seu lar ao mesmo tempo. Quem mora sozinho e faz home office com certeza vai se identificar pacas.

Quem curtiu as novas perguntas vai comentar lá embaixo e me dizer isso, é claro. E se vocês tem sugestões de quem mais vocês querem que eu entreviste, é só dizer. 👍 ✨

 
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O seu jeito de se organizar e de planejar os seus objetivos de vida mudou nos últimos anos em algum aspecto? Se sim, qual?

O meu jeito de planejar a vida mudou muito sim, com certeza. A vida me ensinou na marra coisas muito valiosas sobre planejamento. Há uns anos atrás o meu relacionamento de oito anos terminou do nada, de repente. Eu já tinha todo o meu futuro planejado com essa pessoa e pensava já bem à frente – imaginando e dando como certo, por exemplo, o ano em que eu ia ter os meus primeiros filhos, o ano em que nós íamos nos casar, coisas assim. Eu fui demitida da Petrobras, onde eu trabalhei por vários anos, logo dois anos depois de ter terminado esse longo relacionamento. O que eu aprendi com essas experiências é que você até pode ter os seus planos, mas você não tem o controle de absolutamente nada.

Hoje em dia eu faço planos para o futuro respeitando bastante os imprevistos que podem acontecer. E quando as coisas não saem como eu gostaria, eu tento ver o que eu posso aprender com aquilo. Eu não reclamo e tento não ficar com muita raiva quando os meus planos não dão certo. Sem falar que, às vezes, os imprevistos que “atrapalharam” os seus planos podem dar mais certo e fazer mais sentido para você e para o seu momento de vida do que o planejamento original.

Para mim, então, fazer um plano de vida é apenas um roteiro.

A bússola precisa estar nas suas mãos o tempo todo, porque a qualquer momento tudo pode mudar. Existe algo maior do que nós e que tem mais controle do que a gente. Algumas pessoas chamam isso de Deus, outras chamam de Universo, enfim. Seja lá o que for, às vezes a gente precisa mesmo fazer um desvio de rota. E hoje em dia eu tento dar o máximo de espaço para isso quanto for possível, tanto no meu planejamento diário e pequeno quanto no meu planejamento maior e de longe prazo.

 

O que você costuma fazer quando está se sentindo cansada e precisa recarregar as baterias?

Eu saio pra caminhar. Nesses momentos eu preciso ver o mar e colocar os pés na areia. O azul do céu e o oceano são duas das coisas mais lindas do mundo pra mim. E às vezes eu nem preciso ir até a praia; só de ficar olhando para ela de longe já me faz sentir melhor. No domingo passado, por exemplo, eu me permiti almoçar fora. A cozinha estava um caos (eu tinha passado o dia inteiro descongelando a geladeira), eu estava cansada e resolvi me dar esse luxo. Fui almoçar em um bairro vizinho. Fui até lá de metrô e voltei pra casa andando, caminhando pela orla. Estar em contato com a natureza é muito importante pra mim – e essa simples ação já me faz sentir mais descansada e energizada.

 

Qual foi a compra de menos de cem reais que mais melhorou e otimizou a sua vida nos últimos meses?

O livro The Universe Has Your Back, da Gabrielle Bernstein. Ele custou pouco mais de 70,00 reais e tem sido uma leitura muito boa. Essa autora fala sobre como nós podemos fazer a nossa parte para definir o que queremos de verdade para a nossa vida. Ela fala também sobre entrega. Sobre como você não pode querer controlar todos os aspectos do seu dia-a-dia. Tem cada passagem incrível nesse livro.

 
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Ela diz que se você estiver exercendo um controle exagerado sobre a sua vida você pode impedir a conexão com forças maiores que você. Eu vejo muito disso por aí. Muitas pessoas parecem não conseguir relaxar e aproveitar o momento; elas parecem não ser capazes de entregar e abrir mão dos resultados. No fim, é necessário haver um equilíbrio: você precisa fazer a sua parte e visualizar o tipo de vida que você quer ter, é claro, mas você também precisa ser flexível.

Sem flexibilidade a gente não consegue nada.

 

Qual foi o pior conselho que você já escutou alguém dar dentro da sua área ou do seu meio de trabalho?

Eu nunca escutei um grande conselho errado ou ruim dentro da minha área. Mas eu acho que, no geral, muitas pessoas atualmente entraram em uma onda de pessimismo. Elas reproduzem o discurso que o país está em crise, que tudo está horrível e que ninguém mais tem emprego. É claro que isso é verdade, não é mentira. Mas outra coisa que eu aprendi é que se você repete coisas ruins tipo essas o tempo inteiro, você não atrai boas energias e nem boas oportunidades para a sua vida. E toda essa aura de reclamar, de se lamentar e de sempre ressaltar as coisas negativas da vida é muito pior do que qualquer conselho ruim.

Além disso, outra coisa ruim que eu noto é que as pessoas não são muito encorajadas a empreender, hoje em dia. Elas estão acostumadas a pensar que só existe um caminho: entrar no mercado tradicional de trabalho, brigar por uma vaga e cumprir todo aquele script. Nós não podemos dar muito ouvido à esse discurso. Nós precisamos ter coragem e determinação para criar o nosso empreendimento, apesar dos pesares. Se você tiver condições mínimas para viver tranquilamente e com um certo conforto, não desista dos seus sonhos.

 

Quais são as estratégias específicas que você usa para planejar e organizar as suas metas do ano?

O que me ajudou muito esse ano foi o planner da Meg Meg. Logo na primeira página ele tem um espaço para que você escreva as suas dez metas para 2017 e essa foi a primeira vez que eu realmente coloquei os meus objetivos no papel. No revéillon a gente sempre pensa no que a gente quer conquistar no ano seguinte, né. Eu sempre pensava nisso, mas não fazia nada a respeito. Dessa vez está sendo muito legal porque, hoje em dia, quando eu volto naquelas metas do início do ano, eu vejo que algumas coisas se realizaram, outras não. Eu ainda sou bem básica nessa questão de planejamento, mas tudo o que eu coloco no papel tem uma força muito grande.

 

Se você pudesse escrever qualquer coisa em um outdoor bem grande, bem no centro da cidade, o que seria?

“Tenhamos mais amor e mais empatia.” Eu escreveria isso. Eu vejo muita falta de amor no mundo. Nos colocarmos no lugar dos outros é super importante. E para que a sociedade evolua, em todos os aspectos, ela precisa muito dessas duas bases.

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Você tem algum tipo de ritual para começar bem a manhã? Como costuma ser a primeira hora do seu dia?

Eu não tenho, mas quero muito ter. Eu quero melhorar muito essa parte do meu dia. A forma como eu imagino que seria a minha manhã e o que acontece de verdade terminam sendo duas coisas bem diferentes. Eu sou muito lenta de manhã – e se deixar, eu durmo às 2 da manhã e não consigo acordar cedo. Eu brigo pra tentar acordar por volta das setes horas e pra fazer o dia render, mas dormir bem tarde é fácil pra mim. E eu nem tenho insônia ou nada do tipo, mas de noite eu fico super agitada. Eu gostaria, idealmente, de ter um ritual matinal: fazer yoga, caminhar na areia da praia e talvez meditar.

Pra mim, ter uma rotina matinal é bem importante. Eu faço tanta coisa quando eu consigo acordar cedo! Acho que a manhã é a parte mais importante do dia. Se você já começa o dia pilhada, no tom certo, a energia do resto do seu dia vai ser melhor também. Mas quando eu acordo um pouco mais tarde eu pisco e, de repente, já é hora de almoçar. O meu sonho de consumo é ter um ritual bacana, fazer exercícios físicos e tirar as primeiras horas do dia pra cuidar de mim.

É claro que eu sei que eu não vou me exercitar todos os dias, por exemplo. Mas eu gostaria de fazer exercício pelo menos três vezes na semana e meditar todos os dias. O que acontece na prática é uma vergonha. A primeira coisa que eu faço é pegar o celular – eu sou viciada no Instagram – e ver TV enquanto eu tomo o café da manhã.

 

Qual é o hábito mais simples que você tem e que mais te ajuda a se manter produtiva durante a semana ou durante o dia?

Tomar um cafezinho depois do almoço. O único tipo de açúcar que eu consumo é o açúcar mascavo no café expresso. Eu adquiri esse hábito trabalhando no mundo corporativo. A pessoa que tem tanto sono quanto eu e que precisa chegar às sete e meia da manhã no trabalho, totalmente moída, acaba tendo ainda mais sono depois do almoço. Hoje em dia, por causa do meu padrão de sono, eu realmente preciso de um pequeno ânimo depois do almoço pra encarar a parte da tarde. Esse é o respiro do dia pra mim. É o momento em que eu desço, converso com algumas pessoas, tomo o café e depois volto pra casa pra trabalhar.

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Qual tem sido a sua maior pedra no sapato em relação à organização e ao planejamento, ultimamente?

A rotina, com certeza. E conseguir equilibrar o meu sono. Não é nem que eu não tenha tempo de fazer as coisas, mas, pra mim, ser dona de casa e empreender ao mesmo tempo é bem difícil. Eu estou há dois anos trabalhando em casa nesse mesmo esquema, mas recentemente eu precisei levantar a bandeira branca. Eu preciso sair de casa para que a minha cabeça entenda que agora é hora de trabalhar. Porque, do contrário, às vezes passa um dia inteiro e eu só ligo o computador às cinco da tarde. Sem falar dos trabalhos na cozinha, que ainda me tomam muito tempo.

Eu priorizo muito uma alimentação saudável hoje em dia.

E, como eu moro sozinha, eu não gosto de fazer uma quantidade de arroz que dure quinze dias na geladeira. A comida que eu faço costuma dar para dois ou três dias. Comprar os ingredientes, fazer a comida e limpar tudo depois ainda me tira muito tempo. Principalmente porque quando eu desço pra comprar comida eu termino fazendo uma penca de outras coisas que não estavam programadas. E às vezes bate aquele desespero. “O que foi que eu fiz hoje? Eu só lavei louça!”

A minha grande pedra no sapato é deixar de ser dona de casa e trabalhar em home office. Trabalhar em casa é muito difícil pra mim. Quando eu tenho um trabalho com prazo pra entregar eu tento nem olhar pro chão que está sujo, por exemplo. Deixa ficar! Mas nem sempre eu consigo. E às vezes me dá um desespero: eu saí do mercado de trabalho pra virar dona de casa!

 

Me diga uma coisa na qual você firmemente acredita e que a maioria das pessoas acha totalmente doida.

Eu não sou tão diferentona assim, a ponto de acreditar em algo que quase ninguém acredite. Mas tudo o que eu aprendi nesses dois anos de projeto e que hoje pode parecer óbvio pra mim, na verdade não é tão óbvio assim. Essa coisa de abrir mão do controle é essencial – ainda mais pra quem está empreendendo. Eu mentalizo, eu peço, eu faço a minha parte e hoje eu acredito que você pode criar a sua própria realidade sim. Se você realmente desejar aquilo e fizer a sua parte, é possível. Mas alguns empreendedores acham que tem o controle de tudo nas suas mãos. Com isso eu não concordo. Eu acredito que você precisa ter a sua conexão com o universo, antes de tudo – e, é claro, fazer a sua parte também.


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