Os maiores erros de organização que cometi em 2016

Nem só de louros vive o homem, certo?

No meio do imenso mar de rosas perfumadas e coloridas que está sendo o ano de 2016, alguns espinhos ardilosos mostraram as caras.

Provavelmente foi o jeito do universo de dizer: “ei Ana, baixa a bola, você ainda tem muito o que aprender”.

E quando o universo diz, a gente tenta escutar. Quando o universo manda um recado, a gente espalha esse recado para as outras pessoas.

Vou contar para vocês hoje as maiores burradas que eu fiz esse ano em relação à minha administração do tempo, organização e produtividade. 

São erros crassos? Sim. Eu deveria saber mais à essa altura do campeonato? Possivelmente.

Mas se ter quebrado a cara algumas vezes servir para ajudar vocês a não cometerem os mesmos erros, tudo bem. Já valeu à pena.

 

Planejar demais e fazer de menos

Eu perdi a conta de quantas vezes eu caí na queda de braço com esse problema e perdi. Dezenas de vezes ao longo dos últimos anos.

Colocar a mão na massa e realmente executar todos os meus projetos sempre foi a minha maior dificuldade. Não importava o método ou o aplicativo que eu usasse, sempre acabava ficando presa no vale do planejamento e nunca mais saia.

Ficava presa em detalhes periféricos da etapa da organização, revia e modificava o meu fluxo de trabalho diversas vezes e não fazia praticamente nenhum avanço.

 
 

Colocava muito peso e importância nas pequenas tarefas de manutenção da vida, mas não tirava nenhum projeto significativo da gaveta. Agora vocês entendem porque eu encho o saco de vocês para parar de enrolar e partir para ação, né?

Eu fiquei nesse corredor escuro e apertado do medo e da insegurança por alguns anos. Até eu começar a ficar com raiva de mim mesma. A angustia de saber que eu estava deixando os meus sonhos para depois ficou grande demais e eu decidi embarcar em uma dieta low planning.

Existe aquela dieta low carb. Já ouviu falar? Ela prevê um aumento na quantidade de boas gorduras e uma diminuição na ingestão de carboidratos.

Fiz a mesma coisa: reduzi drasticamente o tempo gasto com a manutenção e a organização dos meus sistemas de organização (percebe a ironia?) e aumentei o máximo possível de tempo destinado a cumprir as minhas tarefas.

Comecei a não seguir mais o GTD (caso não saiba se isso é de comer ou de passar na cara, leia mais sobre ele aqui), decidi qual seria o meu aplicativo fiel amigo de todas as horas e fiz um corte severo nas obrigações malucas que eu tinha me imposto.

Passei um tempo pensando nas minhas prioridades, olhei bem para dentro de mim e encontrei várias respostas que eu andava procurando há muito tempo. Esbocei quais eram meus projetos mais importantes e abri mão de ter um sistema de tarefas super compreensivo e abrangente.

A execução virou a rainha do meu reino e todo o resto foi rebaixado a súditos obedientes. Deu tão certo que lá pelo meio do ano, voilà! Finalmente criei esse blog e comecei mexer a minha bunda em direção às ideias e iniciativas que realmente casam comigo.

Hoje em dia eu consigo balancear o planejamento e a ação de uma forma bem mais saudável e justa.

O resumo da ópera é o seguinte: se você perceber que está passando tempo demais em um desses dois lados da moeda, faça o que for necessário para restaurar o equilíbrio.

Reconhecer as suas próprias limitações não é (e nunca será) sinal de fraqueza. Criar um plano estratégico para superar as suas próprias dificuldades vai te fazer progredir cada vez mais rápido.

 

Querer abraçar o mundo com as pernas

Um dos meus maiores erros de 2016 foi ter elegido várias prioridades igualmente importantes e dito para mim mesma que eu deveria ser capaz de administrar todas elas sem nenhum problema.

Por um conjunto de fatores e tendências, demorei muito a aceitar que eu não sou (e não preciso ser) a mulher maravilha.

Eu não sei o que “abraçar o mundo com as pernas” significa para você, mas eu defino essa expressão como: se comprometer com mais obrigações e projetos do que você consegue aguentar e fazer das tripas coração para administrar tudo com tranquilidade.

Não foi fácil, mas eu precisei olhar as minhas limitações de frente.

Quanto mais você tenta manter um estilo de vida que te exige 150% da sua capacidade de ser produtiva, menos você consegue produzir. É um paradoxo natural e assustador feito para dar um choque de realidade na gente.

Consegui voltar aos trilhos cortando cada vez mais as obrigações auto impostas e pedindo ajuda das pessoas ao meu redor. Entendi que eu não tinha tantas prioridades assim, afinal de contas.

A minha saúde e os meus projetos profissionais foram reconhecidos como as áreas mais importantes para mim naquele momento – e ponto final.

Pra que ficar me enganando, fingindo que eu estava cuidando igualmente bem de todas as áreas da minha vida? Percebi que a gente precisa de um pouco de desequilíbrio sim.

Nem sempre vamos fazer um malabarismo perfeito com todas as nossas responsabilidades, projetos e áreas de atenção. E tudo bem. Essa é uma das formas que a vida anda para frente e que a gente consegue resultados práticos que nos motivam.

Fica a dica: quando você sentir que está tentando abraçar o mundo com as pernas, se pergunte porque você está tentando fazer isso. Aonde o seu coração e a sua mente estão agora? Qual é o aspecto da sua vida que você quer cuidar e nutrir de verdade?

A aceitação é uma arma poderosa, minha gente.

 

Esquecer de reservar tempo para mim

Outro erro fundamental que eu cometi foi ignorar os meus instintos naturais e forçar uma disciplina rígida que não combinava com eles nenhum pouco.

O que isso quer dizer, na prática?

Que eu ia dormir super tarde trabalhando (sempre na frente do computador). Sentia um sono profundo bem no meio da tarde, logo depois almoço, mas não queria ceder ao sono. Aguentava firme e ficava como um zumbi.

Eu parava de trabalhar logo antes de deitar na cama, sem nenhum intervalo ou transição. Como trabalho em casa, ficava dias e dias sem colocar a cara na rua. Passava o dia inteiro dentro do meu quarto, no máximo andando até a cozinha ou até a sala.

Reservava pouco tempo para ler, sair com os amigos ou fazer qualquer coisa diferente que fugisse à rotina. Tudo isso porquê? Porque eu precisava ser produtiva, ora bolas! Eu precisava trabalhar; quanto mais melhor.

Especialmente depois de começar a dieta de baixo planejamento.

Quando percebi que eu estava empacada, absurdamente longe de onde gostaria de estar, fiquei obcecada em ser mais produtiva.

O que apenas reforçou a minha vontade de abraçar o mundo com as pernas. E aí já viu: fiquei presa em um ciclo vicioso de uma cobra mordendo o próprio rabo.

Fui mudando os hábitos aos poucos, assim como quem não quer nada.

Me permiti dormir de tarde (por pouco tempo, é claro) em alguns dias e parei de trabalhar até a hora de dormir.

Inseri no meu dia-a-dia mais coisas que me davam prazer: ler um livro de noite, sair com alguém no meio da semana, dar uma volta lá embaixo só para pegar um sol.

Implementei também a regra de nunca trabalhar até a última hora do dia e nossa, que diferença brutal. Passei a acordar com muito mais energia e disposição.

Hoje em dia eu me forço a parar de trabalhar às 21h. Nem sempre consigo, obviamente, mas me empenho bastante para seguir essa diretriz.

Das 21h até a hora de dormir (que costuma varia entre 22h e 23h) eu tento ficar longe das redes sociais, parar de pensar em qualquer coisa que tenha a ver com trabalho e fazer mais coisas divertidas. Conversar com pessoas, ouvir um podcast ou ver uma série na Netflix, fazer um bom alongamento, tomar um banho, meditar, etc.

No fim das contas, aliviar essa pressão de ser produtiva o tempo todo e ceder a algumas vontades naturais do meu corpo fez maravilhas pelo meu humor e (que surpresa, não?) pelo meu trabalho.

É por isso que eu indico: nunca deixe de reservar um tempo para você mesmo. Se esforce para descobrir qual é a hora do dia em que você está mais alerta e focado e agarre essas horas com unhas e dentes. Faça tempo na sua agenda para sair da rotina e experimentar algo diferente. Nutra seu corpo com descanso, lazer e alguns momentos de completa ociosidade.

Isso pode ser tão importante quanto as próprias tarefas e projetos.


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