Criando o futuro agora: um exercício para decidir os seus objetivos do ano

Como vocês já estão carecas de saber, eu sou o tipo de pessoa que valoriza o foco e a conclusão dos projetos. Como perfeccionista nata, o meu maior desafio sempre foi colocar a mão na massa, decidir com firmeza quais são as minhas prioridades do momento e realmente entregar o que eu me propus a fazer. Essa é a minha ementa, esse é o meu clube. Mas não dá para fechar os olhos para o outro aspecto dessa equação – que, por muitas vezes, acaba ficando de lado por causa da correria da vida: o planejamento de médio e de longo prazo. Eu já falei um pouco sobre isso nesse texto aqui, mas hoje a gente vai além.

Hoje a gente vai realmente colocar os pés na água e sentir o quão profundo é esse mar.

E, pra ser totalmente sincera, dois textos me inspiraram a tratar desse tema: um texto sobre criação de metas, escrito pelo David Allen (criador do GTD), e outro sobre objetivos do ano, escrito pela Thais Godinho. Juntos, esses dois textos me deram a formatação perfeita para pensar nos meus objetivos do ano (vulgo “resoluções de ano novo que a gente esquece e deixou pra lá na segunda semana de janeiro”) sem ficar tensa, ansiosa e já preocupada sobre como eu vou dar conta de tudo ao mesmo tempo.

Mas ó: nada disso vai roubar o seu foco atual, ok?

O exercício que eu vou propor veio diretamente do podcast do David Allen e o meu objetivo hoje é unir esse conselho maravilhoso com um passo-a-passo humilde para você não ser engolido pelas suas próprias ambições. Esse sempre foi o meu maior desafio e quero ajudar quem é desse time.

Algumas pessoas, porém, sofrem disso menos do que eu e para elas o bicho papão é outro: colocar as suas aspirações no papel e na sua rotina de uma vez por todas, sem se deixarem distrair pelas mil urgências da rotina semanal. De uma forma ou de outra, acredito piamente que a gente pode fazer sempre um pouquinho dos dois – olhar para o presente, se concentrar na ação e, de tempos em tempos, nos transportar para o futuro e começar a desenhar ele desde hoje, com consciência e firmeza.

Até porque, é aquilo: o futuro nunca chega de verdade. Ele é sempre hoje.

E a única pessoa que pode garantir que o seu futuro vai ser tão autêntico, realizado, vitorioso e tranquilo quanto você deseja é você. Essa responsabilidade é sua, pessoal e intransferível, e está descrita no seu Contrato da Vida desde que você nasceu - não tem como recusar. Então porque não tomar a frente desse negócio e realmente vestir a camisa? O seu eu do futuro vai te agradecer muito, eu aposto. :)

 
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aproveita pra salvar essa imagem aí no Pinterest para se lembrar dessas ideias legais depois. <3


 

O que eu quero que seja verdade até o final do ano?

Eu já tinha ouvido o David Allen fazer essa pergunta, mas foi o texto da Thais Godinho, que indiquei lá no início, que realmente fez essa ideia se firmar de vez. A ideia de fazer novas resoluções do ano e de criar metas de ano novo sempre desceu errado para mim – principalmente porque a maioria de nós não pára pra pensar em objetivos realmente práticos, lógicos e quantificáveis. “Ser mais gentil” é uma excelente intenção, por exemplo, mas ela é só isso – uma vontade abstrata válida que pode terminar sendo posta para escanteio se você não se comprometer em materializar esse sentimento em algo realmente prático.

Essa pergunta me fez modificar o enquadramento das famosas “metas para o ano”.

Eu não estou só escolhendo meia dúzia de sentimentos abstratos e nobres para colocar no meu mural e me sentir bem comigo mesma – eu estou, ao invés disso, dedicando um tempo precioso para começar a criar o meu futuro desde agora. E é isso que o David Allen reforça: o poder que existe no exercício de “viajarmos” até o futuro e criamos uma imagem mais ou menos definida de como queremos que ele seja e registrando isso no papel depois. Nossa, cara – isso faz milagres.

O que eu quero que seja verdade até o final desse ano dá abertura para outras perguntas, também.

O que você quer que seja verdade até os seus 30 anos? Ou até os 40? O que você quer que seja verdade até o dia em que você se aposentar? Ou até o dia em que você se formar na faculdade? O que você quer que seja verdade na sua vida antes de você ter o seu primeiro filho? Ou antes dos seus pais morrerem? Cês percebem a quantidade de portas que essa simples pergunta abre, meu povo?

Existem poucas coisas tão mágicas quanto o seu poder de conduzir a sua vida para onde você quiser.

Use esse poder. Não abuse dele, é claro, porque como a gente bem sabe, a vida também tem vontade própria e às vezes elas nos chacoalha para destinos que a gente nunca pensou visitar. Mas tudo bem também, isso faz parte do pacote e você sabe disso. Mas, no meio de toda a correria doida que te cerca (contas, filhos, trabalho, relatório, burocracias, dinheiro, atividades extras, etc.) você precisa dedicar um tempo, não importa o quão pequeno, para pensar no seu futuro. Para realmente apertar o botão “pausar a realidade” e desenhar a forma com a qual você gostaria que os próximos meses se desenrolassem.

Sem pressão, sem angústia, sem obrigação de fazer todas as suas ideias acontecerem.

Apenas com uma intenção clara e um planejamento mínimo. Se você ainda não pensou no que você quer fazer até o final desse ano, olha que sorte! Esse é o seu gatilho. Eu te dou a desculpa e a permissão de tirar meia hora do seu dia de hoje para se acomodar gostoso na sua cadeira preferida e pensar. Escreva essa pergunta no topo de uma folha de um caderno, ou em uma nova nota no computador ou documento de Word, e se permita imaginar o que você gostaria que fosse verdade nos próximos meses.

Sem tirar os pés do chão, mas, ao mesmo tempo, se descolando um pouquinho da sua realidade atual.

 

Alguns objetivos para cada área da vida

Para facilitar, divida a sua vida em grandes categorias: pessoal (o seu desenvolvimento intelectual, o seu lazer, a sua saúde, os seus estudos, a sua prática espiritual, a sua vida financeira), social (os seus relacionamentos amorosos, a sua família, imediata ou distante, os seus amigos, os seus colegas e os seus eventos sociais) e profissional (o seu trabalho voluntário, os seus clientes, o seu novo negócio, os seus cargos ou atribuições na sua empresa, a ONG para a qual você está contribuindo), o que for.

O que você gostaria que fosse verdade no seu trabalho até o final do ano? Você quer ganhar um aumento, mudar de posição, conquistar mais clientes ou fazer uma transição radical de carreira? Quanto dinheiro você quer ter guardado até o final do ano? Você quer investir um valor fixo todo mês, quer pagar uma dívida, quer fazer uma grande compra? O que você quer fazer pela sua saúde nos próximos meses?

Você quer perder peso, ganhar peso, fazer alguma aula de dança, mudar alguma coisa na sua alimentação? Quer começar a fazer terapia ou fazer um check up geral de exames? Pense em termos gerais e guarde essa lista de objetivos do ano em um lugar seguro. Vou te mostrar o que fazer com ela, ó.

 

Para cada objetivo, um projeto

Quando você pensa em um objetivo para cumprir até o final do ano, chances são que a sua intenção vaga já vai estar um pouco mais materializada em termos práticos a essa altura. Se você quer cuidar da sua saúde e você pensa “o que eu quero fazer pela minha saúde até o final do ano?”, essa pergunta naturalmente vai gerar respostas mais ou menos definidas. “Eu quero começar a fazer exercício toda semana” ou, talvez, “eu quero deixar de ser uma pessoa sedentária”. “Eu quero fazer uma reeducação alimentar geral” ou “eu quero eliminar refrigerante e batata frita da minha dieta”. As respostas podem ser muitas e o grau de clareza do que você quer exatamente pode variar. Isso não importa tanto.

Porque é na hora de colocar esses objetivos em prática que você vai realmente bater o martelo.

Parar todas as coisas que você quer conquistar até o final do ano, se pergunte: isso está quantificável? Eu entendo bem o que vai acontecer quando esse objetivo se realizar? Digo isso aqui só pra constar, caso alguém tenha escrito que “quer juntar mais dinheiro” e ainda não tenha parado para pensar na quantidade exata de reais que gostaria de ter na sua poupança até o final do ano, por exemplo.

O próximo passo é se perguntar como esse objetivo específico vai se realizar.

Ou seja: quais são os projetos que você precisa ter para ter pelo menos cinco mil reais na poupança até o final do ano? Como eu já disse em outros textos, os projetos são as estradas pelas quais você vai viajar para chegar até o seu destino final (os seus objetivos). Se você quer chegar em um lugar de resistência e de saúde física, o que é que você quer fazer para chegar lá? Essa pergunta é fatalmente essencial, meu povo, e por vários motivos. Primeiro: porque cada um sempre termina escolhendo uma rota específica para chegar ao mesmo objetivo. Não importa quantas pessoas querendo ser mais saudáveis você coloque juntas na mesma sala: cada uma delas vai ter, provavelmente, a sua própria lista exclusiva e especial de projetos. E segundo: porque as suas intenções precisam estar acompanhadas de um plano.

Pegue todos os seus objetivos, as coisas que você quer que sejam verdades até o final do ano, e escreva embaixo delas os projetos que você precisa ter para fazer aquilo virar realidade. Se um dos seus objetivos é terminar a sua tese de doutorado, por exemplo, escreva os pequenos projetos necessários para você concluir isso com serenidade. “Dedicar X horas diárias para escrever a minha tese” é um projeto. “Marcar reuniões mensais com o meu orientador/a e pedir revisões dos meus capítulos” seria outro projeto. “Terminar o terceiro capítulo da minha tese até o dia X”, outro projeto.

Se você quer começar a investir, por exemplo, os seus projetos vão refletir as escolhas que você fez para que isso aconteça. Onde é que você vai investir? Você vai contratar alguém para te ajudar nisso ou vai fazer por conta própria? Quanto dinheiro você tem “livre” por mês para investir? Escrever os seus projetos é já estar tomando as decisões necessárias para fazer aquele grande objetivo acontecer.

 

Escolhendo os seus projetos atuais

Se tudo isso foi de vento em popa, você agora tem pelo menos uns 5 ou 7 objetivos para cada grande área da sua vida e cada objetivo macro possui pelo menos uns 3 ou 4 projetos dentro de si. Como não se perder no meio de todas essas boas intenções? Excelente pergunta, meu caro Watson. Porque eu quero, justamente, impedir que você se sobrecarregue com o peso das suas próprias nobres intenções.

Escreva, no mesmo lugar, os seus grandes objetivos do ano para cada grande área da vida e, embaixo de cada objetivo, pelo menos dois ou três projetos que fariam aquela ideia se materializar na prática. Tome as decisões pertinentes (como eu quero fazer X acontecer? de que forma específica?) e registre os seus projetos iniciais lá mesmo. Agora, em outra folha (de preferência no mesmo lugar em que você anotou os seus objetivos do ano), escreva o título “projetos atuais” em cima dela e escolha, de toda a sua lista, os mais importantes e relevantes de serem feitos agora. De tudo o que você quer fazer até o fim do ano, quais são os 3 ou 4 projetos que vão maximizar os seus lucros em todas as outras áreas da sua vida?

Se você está familiarizado com o GTD, você sabe que a gente não tem só projetos super imensos.

Nós temos todo tipo de projetos. A própria manutenção da vida (comer, dormir, se vestir, ganhar dinheiro) exige que muitos projetinhos, geralmente invisíveis e discretos, estejam em ação. Mas, como eu disse lá em cima, a gente precisa de foco, meu povo. E se vocês sentem que ter uma lista de mais de 15 projetos pode ser uma fonte de distração mais do que realização, escutem o umbigo de vocês. Uma vez por mês (anote isso no calendário ou na agenda), olhe pra sua lista de objetivos do ano e para os pequenos projetos que vão dar vida à essas intenções. Os seus objetivos ainda estão valendo? Você mudou de ideia e quer adicionar, retirar ou modificar algum deles? Todos os projetos ainda são válidos?

Pense, revise, edite se precisar e, no final, escolha um número pequeno (algo entre 4 ou 7 me parece bom) de projetos que vão ser postos para andar DE VERDADE VERDADEIRA. Clique aqui e venha ler sobre quais são os quatro pilares que realmente nos ajudam a começar e a finalizar os nossos projetos e se concentre na sua pequena lista de Prioridades Máximas ao longo daquele mês. Daqui a trinta dias, faça a revisão novamente e veja quantos projetos dessa pequena lista foram conquistados pra valer. Você deu conta de tudo, muito bem obrigado? Ótimo, o seu poder de ação está bem grande e você pode pegar mais projetos dessa vez. Não conseguiu cumprir tudo? Sem o menor problema: você tem mais trinta dias pela frente para aumentar o seu foco e realmente se dedicar a finalizar esses projetos.

De um jeito ou de outro, o que eu quero é que vocês consigam alinhar o foco com o planejamento.

Os seus objetivos do ano vão refletir as suas prioridades a médio prazo. Os seus projetos específicos para fazer essas ideias acontecerem vão ser as decisões que mais se encaixam com o seu estilo de vida e com as suas circunstâncias atuais. Se você estiver começando a sentir que os seus objetivos do ano não estão representando mais o que você realmente quer fazer, pare, volte duas casas e faça o primeiro exercício de novo. Manter a sintonia entre todas essas etapas (desejos abstratos > objetivos > projetos práticos) exige uma revisão constante. E uma vez que você tem certeza do que você quer, mão na massa, meu bem! Não se distraia pelo tamanho da sua lista – cuide de um projeto por vez com carinho.

De pequeno projeto em pequeno projeto é que o seu ano vai se construir e se transformar em uma linda borboleta – colorida, saudável e bem representativa das suas verdadeiras vontades. Eu sei que você consegue. Se você tiver um cadinho de foco e de planejamento, universos incríveis se relevam pra você.


 

PRA CONTINUAR APRENDENDO, COLA NUM DESSES TEXTOS AI Ó. SÓ TEM IDEIA BOA:

 

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