In The Company of Women: notas sobre como ser uma mulher de sucesso

Vira e mexe eu trago para o blog algumas anotações e reflexões sobre os livros que eu leio e quem me segue por aqui há mais tempo já sabe disso. O último texto desse tipo que eu escrevi, no fim de 2017, foi de um dos melhores livros que eu li ano passado e eu precisava muito compartilhar aquelas ideias com vocês. O ano passou, a champagne foi estourada, chegaram as resoluções de ano novo e a lista de leituras foi seguindo. Eu entrei em 2018 lendo um livro bem promissor que, pelo que tudo indicava, seria uma leitura leve, interessante e bem despreocupada. POBRE CRIANÇA, TÃO ILUDIDA.

Eu estava achando que essa nova leitura ia ser boa, mas nada demais. Mano, como eu estava errada.

O livro In The Company of Women, escrito pela artista Grace Bonney, cruzou o meu caminho pela primeira vez quando eu vi a entrevista que essa empreendedora incrível deu para o programa da Marie Forleo. Eu amo esse segmento de entrevistas que a Marie faz, aliás – já descobri muita coisa boa lá. A entrevista da Grace é uma coisa deliciosa de se ver e, entre outras coisas, ela fala que esse livro deveria ser sobre artesanato e projetos do estilo “faça você mesmo”. O site da Grace, o Design*Sponge, trata justamente desse assunto e era mais ou menos sobre isso que a editora tinha contratado ela para falar.

Mas cadê que a Grace queria falar sobre isso?

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Num pequeno grande ato de coragem ela mandou um email para a editora propondo uma outra coisa: e se, ao invés de projetos de design, ela corresse os Estados Unidos tirando fotos e entrevistando outras empreendedoras e artistas fodonas que estavam encabeçando e guiando o seu próprio negócio? Ela conta que estava tremendo na base, mas abençoada seja a pessoa (ou o time de pessoas) que deu o sinal verde pra Grace produzir esse livro.

Porque cara, sério: que coisa incrível.

Pra início de história, eu chorei. Chorei e não foi uma vez só não, tá? A riqueza, a coragem e o exemplo dessas mulheres que a Grace entrevistou não estão no script. Esse livro não foi traduzido pro português, infelizmente, mas se você arrisca a ler em inglês eu recomendo que você leia ele!

As fotos são maravilhosas e o próprio livro, enquanto objeto, é uma pequena obra de arte. Se você se considera uma pessoa criativa, autônoma ou freelancer, seja do segmento que for, essas mulheres vão te inspirar muito. E digo muito mesmo, para caramba. Eu levei mais de um mês saboreando história por história, colhendo os exemplos e sorvendo as gotas de sabedoria que todas essas mulheres jogaram ao longo das entrevistas. E poxa, a minha vida ficou muito mais ampla, com muito mais empatia e muito mais força depois disso.

Essas mulheres te fazem querer arregaçar as mangas, sabe?

Quero compartilhar hoje algumas das melhores frases que li nesse livro e talvez inspirar outras mulheres a serem cada vez mais donas de si. Quando eu estava pensando no título para esse texto, uma voz na minha cabeça foi logo criticando a minha escolha. “Mas Ana, que título sensacionalista da porra. O termo ‘mulher de sucesso’ não vai ficar legal pra você colocar no seu blog”, disse a voz.

O tanto de preconceito que a gente guarda dentro da nossa mente é bizarro, né?

Decidi silenciar esse voz, mandar ela catar coquinho e escrever “mulher de sucesso” sim porque é isso que eu quero ser, afinal de contas. É isso que eu quero que você seja também. Seja lá qual for a sua definição “sucesso”, seja lá qual for a vida que você gostaria de ter. Não importa a imagem que você tenha na sua mente, meu bem – eu quero que você a conquiste. É pra isso que eu estou aqui, afinal de contas. Para te ensinar a usar a organização e o planejamento a seu favor e para te mostrar que não tem ninguém melhor e mais capacitado nesse mundo para criar a sua vida do que você.

Essa responsabilidade é totalmente sua – e você não deveria abandonar esse luxo. A história dessas mulheres e o empenho que a Grace teve e fazer esse livro também contribuem para essa causa.


 

Eu crio livros de receitas, eu não salvo vidas

A autora dessa frase é a Julia Turshen, uma escritora e chef de cozinha (esposa da Grace Bonney, autora do livro, aliás) que já escreveu dois livros famosíssimos sobre comida: o Feed the Resistance e o Small Victories. O primeiro ganhou o prêmio de melhor livro de receitas de 2017, pelo site Eater, e o segundo foi nomeado um dos melhores livros de receita de 2016 pelo jornal New York Times.

Dois livros muito badalados, dois prêmios maravilhosos.

E ela ainda consegue reconhecer que ela não está descobrindo a cura da AIDS.

Tem noção do tamanho de humildade que essa mulher precisa ter? Essa é uma das minhas frases favoritas de todo o livro porque ela te dá um pequeno e gentil (porém muito necessário) tapa na cara. Por mais sucesso que você tenha, você ainda é só uma pessoa normal. Por mais que o seu trabalho afete positivamente a vida de centenas ou dezenas de pessoas, você ainda ocupa um lugar bem minúsculo nesse mundo. E é claro que, num certo sentido, o trabalho dela salva vidas sim.

A gente poderia argumentar que ela salva o ânimo das pessoas, talvez.

Mas na prática-prática das coisas, na hora da realidade nua e crua, ela só escreve livros. E esse é um pensamento muito útil de se ter na manga quando você, assim como eu, começa a entrar em parafuso e a pirar por causa daqueles erros ou detalhes bem desimportantes – principalmente em relação à sua vida profissional ou seu trabalho. Essa frase é o equivalente a dizer: relaxa, cara, tá tudo bem.

Você errou, sim. Mas e daí?

O mundo vai continuar girando amanhã, acredite em mim. O seu erro com certeza não foi tão fatal assim e você bem que poderia descer de todo esse salto no qual você subiu, né? Nós somos pequenos seres, fazendo pequenas pequenas e dando com pequenas contribuições. E isso já é lindo por si só.

 

Estar ocupado é uma decisão

Uh, girl. A Debbie Millman disse TUDO o que eu poderia te dizer na vida com uma simples frase. Essa moça é designer, escritora e consultora de branding. Ela criou um dos primeiros podcasts do mundo, o Design Matters, e escreveu alguns livros famosos sobre o tema: How to Think Like a Great Graphic Designer e Brand Thinking. Ou seja: a mulher faz de tudo, né. Ela se considera uma professora, além de artista, porque parte do seu trabalho consiste em ensinar as pessoas sobre design e branding.

E ela, de todas as mulheres no livro, foi a que melhor tocou nesse calcanhar de Aquiles: as desculpas.

As desculpas que nós falamos para nós mesmas. Aquelas ilusões e histórias para boi dormir que são, na verdade, falta de vergonha na cara. Eu sei que algumas pessoas não tem o luxo de dizer “não” para certas coisas, principalmente em relação à trabalhos e oportunidades profissionais. Eu sei disso. Existe uma grande cama de privilégio e de desigualdade social cobrindo esse tipo de pensamento.

Mas no fundo no fundo ela está certa.

Todos nós temos as mesmas vinte e quatro horas por dias e a gente pode passar esse tempo com o que a gente quiser. O tempo existe e nós sempre estamos fazendo escolhas, conscientes ou não, de como nós vamos gastar o nosso. A única coisa que a gente não pode fazer é tapar o sol com a peneira. Se você vive ocupada e não tem tempo de ir na academia, por exemplo, basta admitir que fazer exercício não é uma prioridade pra você por enquanto. Ponto, baile que segue.

Ninguém vai te obrigar e nem te descriminar por isso. Mas você precisa admitir a verdade. Estar ocupado é uma decisão, assim como todas as coisas na vida. E quando você diz que não tem tempo pra fazer tal coisa, você está, na verdade, dizendo que você não quer fazer tal coisa. Chocante, né?

A Debbie diz, na sua entrevista, que ela nunca deixa de fazer algo que ela realmente quer só porque “ela está muito ocupada”. Se a atividade X ou Y for realmente (e eu digo realmente mesmo, não só um fogo de palha pra inglês ver) importante, ela arranja um tempo. A organização e o planejamento semanal são essenciais para isso, é claro, mas o primeiro passo é perceber que você tem muito mais poder de ação do que você pensa. E quer você queira quer não, você já está tomando várias decisões sobre como você vai passar a sua vida e para quais coisas você vai dar atenção. Admita isso de coração aberto.

 

Pedir ajuda é um sinal de respeito pelo o que as outras pessoas podem contribuir pra sua vida

A Dominique Browning é uma escritora que também já trabalhou como editora por alguns anos. Os seus livros mais conhecidos são o Slow Love e o A Memoir of Heartbreak, Healing and Home Improvement. Não conheço muito sobre ela e nunca li nada que ela escreveu, mas essa frase. Nossa mãe do céu.

Essa frase acertou tanto em cheio que eu até coloquei ela aqui no site, lá no página onde falo mais sobre mim. Ela representa muito do que eu acredito e traduz perfeitamente a minha atitude em relação à relacionamentos e à convivência com outras pessoas. Eu sou sempre a favor de ajudar as pessoas e de ser uma força e uma presença positiva na vida de quem passa pelo meu caminho.

E tenho, admito, dificuldade de conviver com quem não sabe buscar ajuda. Ou, pior ainda, de quem sequer aceita a ajuda que eu ofereço. Eu sei, obviamente, que a gente não pode ajudar quem não quer ser ajudado – mas essa frase é um bálsamo maravilhoso para quem está na outra ponta desse problema. A ideia que aceitar ajuda é uma atitude ativa, e não só uma recepção passava e apática, coloca o assunto sobre uma outra luz. Aceitar a ajuda (dos seus amigos, pais, marido, mulher, filhos, quem for) é uma demonstração de respeito e de humildade. É saber que não, você não vai dar conta de tudo sempre.

E tudo bem.

As outras pessoas podem contribuir muito pra sua vida; e às vezes de uma forma que você sequer estava esperando. Saber buscar o apoio de um profissional específico, também, seja ele qual for, é um puta ato de coragem. É saber que você não é capaz de conquistar tudo sozinho e se permitir ter um momento de vulnerabilidade – sabendo, ao mesmo tempo, que depois desse período você vai seguir por conta própria de novo. Saber ser ajudado é um dos atos mais fortes que uma pessoa pode ter, tenho certeza.

 

Fazer é a coisa principal. Pensar e se preocupar não é a coisa principal.

Essas mulheres moram dentro da minha cabeça, por acaso? Porque essa é outra frase que foi feita sob medida para mim. Ela foi dita pela Amy Poehler, uma atriz e comediante norte-americana que já fez um bocado de filmes famosos. Ela nomeou uma das minhas maiores dificuldades desse mundo: sair de dentro da minha própria cabeça, quebrar os pensamentos circulares e realmente fazer algo.

“A coisa” que a gente precisa fazer nunca é feita quando a gente fica só se preocupando e pensando nela. Seja essa coisa o que for, aliás: uma decisão delicada, uma parceria profissional ou um projeto paralelo criativo qualquer. Pessoas que pensam muito às vezes sentem uma dificuldade enorme de fazer por onde – de colocar a mão na massa, abrir mão do perfeccionismo e realmente vestir a sua decisão.

Se você for como eu, acho que essa frase merece virar o seu novo mantra, viu?

Ao invés de falar para os quatro ventos sobre o seu futuro projeto, porque não fazer a próxima pequena ação necessária para fazer ele acontecer? Pensar demais e fazer de menos também é uma forma de procrastinar, geralmente causada por um medo monstruoso de nada dar certo no fim das contas. Mas na verdade na verdade, quando cê para pra ver, você não precisa de muita coisa para fazer algo em relação aquele projeto que está criando mofo lá no fundo da sua gaveta. Você só precisa agir.

Um pouquinho por vez. Uma pequena nano ação por vez, como diz o nosso bom e velho GTD.

Seja para ninguém colocar olho gordo na sua ideia ou para você aumentar as suas próprias chances de sucesso, coloque a sua energia um pouco mais na ação do que na preocupação, só pra testar. Quando você se pré-ocupa com alguma coisa que ainda não se materializou na sua frente, você está alimentando altas doses de estresses desnecessárias pra sua mente – e eu não sei você, mas eu com certeza não preciso de mais estresse do que os que já existem. Especialmente se for imaginário.

Se ocupe com as coisas que valem à pena, que têm a ver com a sua vontade maior e com o seu plano de vida. “Se ocupar” no sentido literal mesmo – usando as suas mãos e a sua mente para criar ou aperfeiçoar algum projeto que seja realmente importante pra você. É assim que a vida vai pra frente, meu povo.

Colocando um pé na frente do outro, dia após dia, na medida que a gente conseguir.

 

Você entende que essa é a vida e que merdas acontecem com todo mundo. Você precisa aceitar o bom e o ruim.

As frases pungentes e mais tapa-na-cara são sempre as que mais chamam a minha atenção, não sei se vocês já repararam (risos). Essa foi dita pela Laura Jane Grace, cantora, guitarrista e compositora da banda de punk rock Against Me! Ela começou a carreira de música solo em 2007 e em 2012 ela relevou para o público ser uma mulher transgênero. Um mulherão da porra, aliás. Eu amei a entrevista dela.

Foi tão gutural e verdadeira que me deu até arrepios. E essa frase é o ápice da lucidez pra mim. A Laura com certeza não é o tipo de “mulher de sucesso” tradicional – começando pelo fato de ela ser música, de viver e ganhar dinheiro com a sua banda, até o chegar ao fato dela ter uma filha, uma esposa e de ser uma mulher transgênero. Ela com certeza tem mais oportunidades e facilidades do que muitas pessoas, mas, por outro lado, ela já passou por muitos momentos difíceis e de privações na sua vida.

O bom não vem sem o ruim. Nem pra mim, nem pra você e nem pra ninguém.

E por mais que as fotos felizes e perfeitas do Instagram e as viagens compartilhadas no Facebook possam te dar essa ideia, todo mundo carrega a sua própria cota de sofrimentos e de sacrifícios.

Perceber isso de verdade, com todas as fibras do seu corpo, abre muitas portas. A porta da empatia, por exemplo – quando você percebe que todas as pessoas ao seu redor também precisam enfrentar a sua própria cota de dificuldades, descriminações e desafios. A porta da humanidade também dá uma escancarada. As “barreiras” das redes sociais caem rapidinho quando a gente se lembra que por trás de qualquer fachada existe um ser humano inseguro e cheio de medos que nem a gente.

Acima de tudo, a porta da aceitação se abre.

E você percebe que todos os caminhos que você escolher guardam presentes e dores altamente únicas. Nenhum deles é livre de privação, nenhum é livre de angústia. Eles são apenas diferentes e a única pessoa que sabe julgar qual caminho você consegue bancar é você mesmo.


 

E ó, aqui embaixo tem outras ideias que podem te abrir ainda mais os horizontes:

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