Marie Kondo e a mágica de amar as suas coisas

Eu fui uma daquelas pessoas que não soube do grande sucesso da Marie Kondo por um bom tempo. Parcialmente porque eu evito ler alguns livros que explodem de sucesso rápido demais (sim, me julguem), mas em grande parte porque eu sou meio eremita e as notícias do mundo normal demoram a chegar até mim.

Só ano passado, vendo um vídeo da Jout Jout, é que soube que ela existia. Achei o conceito interessante e fui lá comprar o livro.

Preciso dizer que me apaixonei imediatamente? Preciso dizer que ela colocou em palavras algumas das minhas filosofias mais profundas de vida? Não preciso, mas vou dizer ainda assim. 😄

Essa mulher trouxe um enquadramento maravilhoso para o mundo da organização e hoje quero te contar um pouco mais sobre os conceitos que ela abordou no seu primeiro livro, A Mágica da Arrumação.

Esse texto vai servir como uma vitrine para quem ainda não conhece esse livro e vou fazer um rápido apanhado dos princípios que mais me chamaram atenção. Por mais simples que eles pareçam, confia em mim: eles são muito poderosos.

Mais do que isso: são o antídoto perfeito para o piloto automático que costuma liderar as nossas atitudes quando o assunto é arrumação. Se você está afim de repaginar os seus ambientes e começar a ter uma vida mais leve, segue lendo.

 
 

O que te faz feliz?

Vamos começar do lugar certo: a felicidade.

É seguro dizer que esse é o pilar de tudo o que a Marie defende, já que uma das principais perguntas que ela faz para o leitor ao longo do livro é: isso te faz feliz?

A ideia é que você desça do ônibus da correria inconsciente e comece a realmente olhar os objetos à sua volta. Ela sugere que a gente faça uma super limpeza nos cômodos da nossa casa e (aqui está a reviravolta inesperada) que a gente realmente segure cada um deles na mão.

Brilhante e assustadoramente simples, né?

Quando você de fato reparar no que está te cercando, olhe bem pro objeto e pergunte se aquilo te faz feliz. Pode parecer meio abstrato demais, mas insista um pouquinho nessa pergunta e veja pra onde ela te leva.

Esse objeto te faz lembrar de alguma época ou situação particularmente boa? Ele te lembra de alguma pessoa ou lugar extremamente querido? Você se sente mais entusiasmada ou alegre pela presença dele?

Não fique presa na filosofia da coisa toda, apenas se concentre na emoção imediata que aquele objeto te dá. Se ela for indiferente, neutra, ou negativa, tchau tchau. É hora de passar pra frente.

Algumas pessoas costumam apontar problemas com essa abordagem e sim, eu concordo com eles. Algumas coisas são simplesmente necessárias no nosso dia-a-dia e nem todas elas conseguem despertar alguma coisa em nós.

“Mas isso aqui é só uma colher, Ana! Eu não fico feliz por causa dela.”

Também entendo que nem sempre a gente pode se desfazer de tudo e comprar versões melhores e mais bonitas das nossa coisas – nem deveríamos, na verdade. Saber aproveitar bem o que nós temos e achar beleza em algo que nos cerca diariamente é um exercício de criatividade e de consciência.

O ponto principal da coisa toda é apenas um: abrir os seus olhos para os objetos da sua vida e te fazer perceber que, dentro das possibilidades, todos eles deveriam ter um motivo especial de existir.

Afinal, quem quer viver a vida inteira cercado de tralhas insignificantes? Quão melhor não seria se a gente pudesse estar por perto apenas das coisas que nos deixam genuinamente felizes?

Isso aumentaria o nosso cuidado para com os objetos, aumentaria a vida útil deles e eliminaria boa parte da problemática de passar tempo demais arrumando a casa. Mais tempo e mais felicidade.

Afinal de contas, se você for manter por perto só aquilo que te faz feliz, alguma coisa você vai precisar deixar pra lá. E como pessoa que sempre foi um pouco minimalista (antes mesmo desse termo existir), assino embaixo de todos os benefícios que essa abordagem pode ter.

Ter apenas objetos que sejam realmente relevantes pra você faz com que tudo fique um pouco mais fácil, agradável e simples de manter. As limpezas são mais rápidas, o espaço pra guardar os objetos é sempre largo e você tende a saber de cor tudo o que está nas suas gavetas.

 

Tudo de uma vez

Marie Kondo também te diz para se jogar nesse processo de uma vez só: abra a janela e jogue as chaves pra fora. Quanto mais rápido e intensamente você puder fazer essa super limpeza, melhor.

Ela defende (e eu concordo) que um dos grandes motivos para as pessoas não conseguirem se organizar de verdade e arrumar a sua casa de uma vez por todas é a frustração que elas sentem ao lidar com a bagunça.

São tantas decisões pra fazer, tanta poeira centenária pra respirar, tantos sacos pra jogar fora, tantas preciosidades perdidas no fundo do armário que muita gente simplesmente desiste no meio do processo.

Por outro lado, se você atravessar esse túnel de uma vez só vai conseguir sentir na pele todos os benefícios de ter uma casa arrumada bem mais rápido.

Por mais difícil que seja, quando você ver o seu quarto e a sua sala totalmente arrumados e limpinhos, apenas com as coisas que realmente são relevantes para você, tudo vai ser mais fácil.

A nossa tendência de querer manter a arrumação aumenta e conseguimos eliminar vários dos monstros da bagunça de uma vez só. É benefício em cima de benefício e até certo ponto, acho que eu diria a mesma coisa.

É fato conhecido que nós tendemos a correr bem mais atrás das nossas metas e a não desistir na beira do caminho quando conseguimos ver com os nossos próprios olhos quais são os benefícios reais daquele objetivo.

Se você precisar esperar semanas ou meses antes de entender qual é a verdadeira graça de ir pra academia todos os dias, é bem provável que você vá largar essa ideia de mão antes de colher todos os louros.

Ainda assim, parte de mim discorda dessa regra.

Porque a verdade máxima é que fazer alguma coisa, por menor que seja, é muito melhor do que não fazer absolutamente nada. Na minha escola a ação sempre vai ser o astro principal do show.

Se você não pode fazer uma super limpeza incrível e avassaladora ao longo de dois dias de intenso trabalho, não faça! Ousado, né?

Muitas pessoas hoje em dia costumam dizer coisas do tipo: “Nossa, você defende o minimalismo e a arrumação total da casa e o seu armário está nesse estado? Que hipocrisia”.

Apontar contradições é um dos passatempos mais antigos do mundo mas nós não podemos cair nessa ladainha, minha gente.

Se você trabalha fora, cuida dos seus filhos, ajuda em casa, estuda em duas faculdades ou tem uma rotina extremamente atarefada e o máximo que você pode fazer é limpar uma gaveta por dia, vá fundo.

O seu trabalho conta muito e ele não perde o seu valor só porque você não pode ou não quer fazer tudo o que poderia fazer. Entre nada e alguma coisa, escolha sempre alguma coisa.

Mas é claro: se você tem tempo para se dedicar totalmente à causa da arrumação (ou qualquer outra causa de algum outro estilo de vida que você queira praticar), se dedique. As recompensas serão gigantes e a sua evolução vai ser bem mais estável.

 

Cuide bem do seu amor

E pra fechar com chave de ouro, uma das coisas mais lindas que essa japonesa me ensinou: o cuidado para com as nossas coisas.

Ela diz, por exemplo, que nós deveríamos ter um lugar especial (uma caixa de plástico, uma prateleira, uma gaveta) para as coisas que levamos na nossa bolsa ou na nossa mochila ao longo do dia.

Quando chegar em casa no fim do dia, tire tudo da sua bolsa e coloque nesse lugar especial e ponha tudo de volta quando for sair no dia seguinte. Afinal, depois de um longo dia de trabalho você merece descansar, não é?

Os seus objetos também.

Guarde as suas roupas, bolsas e itens da mochila nos lugares que mais fazem sentido e deixe elas se recuperarem um cadinho.

Pode parecer estranho, mas isso é um ato tremendo de respeito.

Se você quer fazer com que seus objetos durem e que o seu suado dinheirinho tenha sido bem investido, não saia jogando as suas coisas pra lá e pra cá, perdendo elas de vista. Tudo na sua casa deveria ter uma moradia oficial.

E aí não importa quantos objetos você tem: não estamos em uma competição para saber quem tem menos coisas. Mas se você realmente quer ter uma vida mais leve e manter por perto apenas os objetos (e projetos, hábitos, pessoas e responsabilidades) que realmente fazem sentido pra você, você vai querer tratar cada um deles com o mesmo carinho que gostaria de ser tratado.

Essa sugestão não é para te fazer ficar obcecado pelas suas coisas, sempre limpando e lustrando os seus móveis como se eles fossem a coisa mais importante do mundo, é claro. Nem 8 e nem 80.

Um certo nível de desapego sempre faz bem e a gente precisa lembrar que existem muitas coisas mais importantes do que os nossos bens materiais.

Mas adicionar uma saudável dose de cuidado no jeito como você lida com os seus objetos diariamente vai aumentar muitíssimo a duração deles.

E assim todo mundo ganha. ☘️

 

Concluindo

Um livro incrível, de uma autora incrível, e que merece ser interpretado dentro do bom senso de cada um. Não leve nenhuma dessas regras super à sério e tempere essa receita com a sua própria personalidade.

E se você estava esperando uma desculpa pra dar uma boa arrumada na sua casa e tirar o peso das tralhas do seu ombro, aqui está!

Querer ter uma vida mais leve – com foco no que é realmente essencial pra gente – é o primeiro passo. E o que te espera lá no fim desse arco-íris é uma rotina mais tranquila, com menos estresse e bem menos barulho. 🙂


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