Minimalismo na prática: estratégias e exemplos

Pra mim, minimalismo tem tudo a ver com autoconhecimento.

E se você acompanha esse blog por algum tempo, já deve ter visto que eu bato bastante nessa tecla. Se organizar também é um processo de se conhecer, aliás – e é por isso que na minha cabeça não tem como falar de minimalismo ou de organização sem falar de si mesmo.

Mas vamos aos poucos.

Eu quis vir aqui falar com vocês sobre esse assunto por um motivo bem básico: simplificar a vida ajuda muitíssimo na nossa produtividade. E como eu quero te ajudar a ser uma pessoa mais eficiente, não tinha outro jeito. 😀

Quando nós buscamos simplificar a rotina (por mais difícil que isso seja para alguns, eu sei) damos uma chance para a energia circular: aproveitamos melhor a nossa disposição, a nossa saúde e o nosso tempo.

Um dos primeiros passos para uma vida mais organizada é tirar tudo da sua cabeça e criar um sistema de apoio externo completo e personalizado para garantir que você não tenha nenhuma ponta solta.

E o segundo passo é aprender a simplificar o seu sistema cada vez mais até ficar apenas com as ferramentas e costumes que realmente fazem diferença.

Digo logo também que para mim minimalismo é a arte de saber se conectar com o que é importante pra você. Ele não tem a ver com o número de objetos que você tem em casa e nem com as cores das roupas do seu armário.

Querer colocar a ideia do minimalismo na prática significa se livrar do excesso (de barulho, de atribulações, de expectativas, de tralha) que só te faz perder tempo e identificar o que é essencial de verdade.

Quando a gente conscientemente busca diminuir a quantidade de coisas inúteis, inconscientes e indiferentes da nossa semana, as coisas que realmente fazem o nosso coração brilhar automaticamente se destacam.

E quem por aqui não gostaria de aproveitar melhor o seu tempo?

O infográfico aí de baixo vai te dar algumas ideias maravilhosas para tirar do seu dia-a-dia tudo aquilo que te deixa confuso, cansado e que aumenta a sua carga de trabalho sem nenhum bom motivo.

Logo em seguida eu vou compartilhar a minha experiência com cada uma dessas ideias e mostrar como eu faço para aplicar elas na prática.

 
 

Priorizar

O que eu costumo fazer para garantir que a minha energia esteja indo para o lugar certo é fazer aquele famoso exercício da roda da vida.

Faço de dois em dois meses, mais ou menos, e utilizo a minha própria versão modificada do exercício tradicional. Descrevo todas as áreas da vida em um papel e vou dando uma nota para o meu estado atual de contentamento e felicidade em relação àquela área.

Depois escolho quais áreas vão ser a minha prioridade número um e passo um tempo fazendo uma chuva de ideia dos projetos que quero implementar em cada uma das áreas ativas (casa, finanças, relacionamentos, vocação, lazer, saúde, vida social, etc.).

Escrevo em um diário quase todos os dias, também, e sempre reescrevo e reforço qual é a minha maior prioridade atual. Às vezes mais de uma aérea da vida está no meu foco máximo, mas nunca mais do que duas.

Descobri que eu funciono muito melhor quando concentro quase cem por cento das minhas energias em uma única área e em alguns poucos projetos principais. Ficar indo e vindo entre várias coisas diferentes e igualmente importantes costuma me deixar bem cansada.

 

Destralhar

Quem me conhece sabe: eu adoro jogar coisa fora, rs.

Sempre de um jeito consciente e planejado, obviamente, para que não termine me desfazendo de alguma coisa importante. Mas o desapego com a maioria dos objetos é natural para mim.

No mês de janeiro faço sempre uma super limpeza no guarda roupa e em todos os outros móveis da casa. É um dos momentos mais lindos do ano! Não existe sensação melhor do que ver um quarto bem arrumado e limpinho.

Ao longo do ano reservo alguns dias para fazer pequenas versões dessa grande faxina, atacando um móvel por semana. Tiro tudo de dentro, limpo e na hora de colocar de volta vejo se aquele objeto é realmente necessário, se ele está sendo usado com frequência e se ele me desperta alegria.

Sempre tem uma coisinha ou outra que não passa nesses testes e elas terminam indo para doação ou para o lixo. Muitas vezes também tento reaproveitar coisas antigas dando uma nova funcionalidade para elas.

 

Comprar menos

Sempre fui de comprar muitos livros e esse foi um dos hábitos mais difíceis de reverter. Não foi do dia para a noite, mas depois de muito pensar e ler testemunhos bem legais pela internet, terminei conseguindo diminuir bastante a compulsão.

Nunca fiquei um mês inteiro sem comprar algum livro, mas decidi acertar o meu ritmo de leitura. Tento viver agora pela seguinte regra: você pode comprar um novo livro toda vez que terminar de ler algum outro.

Ser mais consciente sobre quais objetos vão realmente fazer diferença no meu dia a dia tem ajudado muitíssimo e entender quais coisas eu valorizo o suficiente para comprar (e quais outras podem ser emprestadas ou de segunda mão) tem tido um impacto bem grande também.

 

Descanse

Abraçar os meus períodos de ócio criativo como essenciais para a minha produtividade (tanto quanto os períodos de trabalho intenso) tem sido um esforço, não vou mentir.

Resolvi criar alguns blocos de cuidados pessoais com antecedência e me comprometer com eles: momentos para fazer exercício em paz, dez minutos de meditação por dia e algumas horas de leitura no final da noite.

Não faço isso apenas por luxo e esse é um ponto vital para se lembrar.

Com o tempo reparei também que eu realmente sou muito mais criativa no meu trabalho quando eu paro para descansar um pouquinho todos os dias.

Sábado depois do almoço é sempre dedicado à família e ao lazer, mas busco sempre trabalhar de manhã, não importa qual seja o dia. Esse é o momento em que estou mais disposta e descansada e não gosto de desperdiçar o meu pico de produtividade.

 

Escolha um

Ó céus, está aí outra dificuldade.

Escolher? Escolher uma tarefa de cada vez? O que é isso? 😳

Multitarefar é uma impossibilidade física: o nosso cérebro realmente não consegue abarcar dois pensamentos ao mesmo tempo. O máximo que podemos fazer é trocar de foco entre duas ações diferentes com bastante agilidade.

O lado negativo é que esses nano segundos que perdemos entre uma troca e outra terminam fazendo uma baita diferença no fim das contas.

Resolvo isso fazendo todos os dias uma lista das tarefas mais relevantes e significativas que vou fazer ao longo do dia. Elas nunca são hábitos ou tarefas de manutenção da casa, e sim aquelas mais cruciais para que o meu trabalho, estudo e vida pessoal andem para frente.

Escrevo um pouco menos de tarefas do que acho que conseguiria dar conta e isso termina sendo ótimo, porque quase sempre eu tenho tempo para puxar mais algumas tarefas da lista.

O meu maior comprometimento é realmente terminar aquelas poucas tarefas, faça chuva, faça sol ou chova granizo. Aliando isso com o ato de escrever todos os dias as minhas maiores prioridades atuais consigo manter o foco naquilo que é importante de verdade.

Também costumo agendar antecipadamente um tempo para fazer atividades menos nobres e importantes (mas que precisam ser feitas mesmo assim), para que eu não me angustie pensando sempre que preciso fazê-las.

 

Desconectar

Todo mês eu faço o pequeno exercício de pensar em qual tem sido o meu maior ladrão de atenção ultimamente e qual antídoto eu posso criar para reverter essa perda de foco.

E por vários meses seguidos a resposta para essa pergunta foi uma só: redes sociais e email. É bem difícil para mim resistir a tentação de ver as notificações, interagir com outras pessoas e ficar buscando conteúdo interessante no Pinterest.

Criei então a primeira regra de ouro: toda vez que notava que estava pegando o celular sem nenhum bom motivo, colocava ele dentro do armário.

Funcionou um bocado, pra dizer a verdade.

Não senti necessidade de usar nenhum tipo de aplicativo de bloqueio de sites no computador. Basta eu fechar todas as janelas do navegador, deixando apenas o Todoist aberto, para que o meu cérebro entenda que está na hora de se concentrar para produzir.

Me esforço também para sempre ficar longe do computador e do celular pelo menos uma hora antes de dormir. Nem sempre é fácil, mas tenho conseguido cumprir esse ritual ultimamente.

Associo esse tempo de baixa atividade com leituras legais e podcasts interessantes. Faz maravilhas pelo meu sono e me ajuda a acordar cheia de disposição no dia seguinte.


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