Notas sobre como ser mais produtivo e mais inteligente na prática

Alguns livros são bons. Alguns livros são maravilhosos. Alguns livros fazem te sentir menos sozinho no mundo, enquanto outros te apresentam pontos de vistas que você nem desconfiava que existiam. Longe de mim dizer que alguns são melhores dos que outros, mas é necessário lembrar que existe, sim, uma categoria que vence todas as outras: a dos livros que contribuem de para a sua vida de verdade, pra valer.

Seria burrice negar que alguns livros têm uma qualidade especial e autêntica que a maioria dos outros simplesmente não tem. E eu não sei descrever essa qualidade para você – só sei que ela existe. Eu sei reconhecer quando um livro se apresenta para mim dessa forma: original, fora da curva, com uma voz sincera e genuinamente preocupada com o leitor. Alguns livros precisam existir mais do que os outros.

Os livros que merecem existir mais do que os outros também merecem ser lidos mais do que os outros. São os livros que não chovem no molhado. Eles não dizem, de forma ligeiramente diferente, aquilo que você já leu em vários sites, livros ou revistas antes. Ele reitera conceitos clássicos sem presumir que você é um idiota.

Esses livros são um respiro de alívio.

Eles te dão a certeza que o seu tempo foi bem investido. Eu sei que toda essa introdução tem zero a ver com organização, tecnicamente, mas eu precisava começar já fazendo essa ressalva. Escolher bem os livros que você lê é uma das formas mais preciosas de administrar bem o seu tempo. Se você é um leitor ou uma leitora, repare a diferença monstruosa que existe entre esse tipo de livro e aqueles que depois de um tempo não deixam nenhum registro na sua memória.

Esse insight me pegou bem forte esse ano.

E um dos melhores frutos que saiu da decisão de ler apenas livros que realmente mereciam ter sido escritos foi ter começado a ler o Tools of Titans, o novo livro do Tim Ferriss. Para quem não conhece, ele é um escritor, palestrante, empresário e investidor norte-americano que já lançou dois livros bem famosos. Ferramentas de titãs (que vai ser o nome desse livro aqui no Brasil, eu chuto) é o livro mais novo dele.

E o que eu posso dizer desse livro?

Eu comecei ele em junho e ainda não cheguei nem na metade.

Ele tem setecentas páginas e é dividido em três categorias: saúde, riqueza e sabedoria. A proposta inicial do Tim (que já fez trocentas milhões de entrevistas com as pessoas mais fodas do mundo para o seu podcast) foi criar o livro dos livros. Aquele que resumisse, convenientemente e de um jeito organizado, todas as melhores pérolas e os melhores ensinamentos de vida que ele recebeu até hoje.

Logo no início do livro ele conta que costumava guardar centenas de cadernos em casa, todos eles contendo informações preciosas que a vida já tinha jogado no seu caminho. Aquelas ideias tinham sido tão úteis e tão vitais para a vida dele que ele quis escrever um resumão geral, escolhendo apenas as melhores. Ele não queria publicar nada disso, aliás. A ideia era que fosse algo particular e ponto, vida que segue.

Mas, graças ao universo, ele publicou.

Eu não quero entregar o ouro e nem estragar esse livro pra você. Seria legal que você não soubesse muito mais do que isso antes de começar. Mas eu preciso te mostrar que essa leitura vale muito à pena – mais do que metade das coisas que você leu esse ano e ano passado juntas, provavelmente. Então, como já a manda o nosso costume, vou te contar cinco ideias incríveis que esse livro me ensinou.

Leia esse texto com o coração aberto, a mente solta de preconceitos e escolha pelo menos uma dessas ideias para colocar em prática. Você não vai se arrepender. 👍

 
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Você não se torna uma pessoa vitoriosa porque você não tem nenhuma fraqueza. Você se torna uma pessoa vitoriosa porque você encontra as suas forças únicas e se concentra em desenvolver hábitos ao redor delas.

Essa frase toca em um dos pontos mais fundamentais da vida. Uma questão comportamental que, sutil e secretamente, nutre todas as estratégias que a gente usa ao longo do vida: quando você se concentra nos seus defeitos, tudo piora.

E quando digo “se concentrar” quero dizer se concentrar de verdade: pensar neles o tempo inteiro, ficar cego para todas as coisas boas que você já conquistou, esmiuçar os seus padrões negativos incansavelmente e assim por diante. Fazer com que os seus defeitos sejam o ponto de partida das suas decisões é um tiro no pé.

O que não significa que você não deva reconhecer os seus defeitos.

Mas existe uma diferença imensa entre uma coisa e outra. Ir para a terapia uma vez por semana e lavar a roupa suja, desenterrar os demônios e escutar algumas verdades nuas e cruas é excelente, é catártico.

Mas qual é a atitude que você leva para o seu dia, ao longo da sua semana?

Quando você pensa em você mesmo, na sua personalidade e nas mudanças de vida que você quer fazer, o que é que vem à mente primeiro? As merdas que você precisa consertar? Os buracos que você precisa tapar? As dificuldades colossais que você vai enfrentar para tentar ser menos “desorganizado e caótico”? Ou você pensa justamente no oposto? Ninguém consegue se desfazer das suas tendências destrutivas.

Eu acredito piamente nisso.

O que a gente consegue fazer é desenvolver novos músculos, novas forças e novas ferramentas. Não existe cura para o perfeccionismo, por exemplo. Mas existe a ação. Não existe saída pronta e mágica para quem tem preguiça de pensar no futuro e está fazendo sempre tudo de última hora. Mas existe o planejamento. Não existe estalar de dedos que resolva a indecisão. Mas existem as escolhas.

De que jeito você pode se aproximar do seu antídoto? Qual é a arma que pode te ajudar a ser a pessoa que você quer ser? Essa é a sua luz, essa é a sua pauta. Essa é a ideia que precisa encabeçar o seu plano. As virtudes são sempre o nosso porto.

 

O hábito de arrumar a cama todos os dias reforça o fato que as pequenas coisas da vida também são importantes.

Quem me conhece sabe que eu bato tanto nessa tecla – e quem não me conhece talvez já reparado também. Eu levanto muito a bandeira das ações simples, dos frutos que estão mais ao nosso alcance e dos pequenos atos contínuos de mudança e de melhoria. Quanto menor, melhor – essa é uma das minhas filosofias.

E pelo visto o Tim Ferriss concorda comigo. 💃

Ele tirou as palavras da minha boca com essa frase. Quando o assunto é produtividade e organização muita gente tem a tendência de complicar o assunto e se deixar levar por minúcias e detalhes que, na verdade, não fazem diferença. Isso não quer dizer que você não deveria testar novas ferramentas ou adotar sistemas de planejamento mais complexos, não é isso. Mas no início – quando o músculo da organização ainda não é muito a sua praia – a gente precisa ser humilde.

Quanto menor, mais sustentável vai ser aquele novo hábito.

E quanto mais você conseguir sustentar um novo hábito (fazer a sua cama assim que levantar e não voltar a deitar mais nela ou anotar todas as suas tarefas do dia em uma folha de papel assim que você se sentar para trabalhar, por quatro semanas), mais diferença ele vai fazer na sua vida.

Experimente deixar o seu celular no silencioso por uma hora, todos os dias.

Tire uma hora da sua manhã para se concentrar intensa e totalmente nas suas tarefas realmente importantes – e esqueça o celular em outro canto. Se conseguir, faça isso pela manhã inteira e só mecha nas redes sociais e no seu email na hora do almoço. Simples, né? Faça isso por cinco dias seguidos, sem falhar, e depois me conte o que esse exercício fez pela sua energia. É fácil de fazer, é fácil de não fazer.

Aí é que está a mágica.

Quando você encontrar uma dica que soe ser tão fácil de fazer quanto de não fazer, agarre essa ideia. Ela provavelmente é uma dessas coisas ridiculamente simples – como fazer a sua cama todos os dias – que amontoadas ao longo de muito tempo vai te trazer muito mais sucesso do que você suspeitava inicialmente.

 

O Arnold Schwarzenegger conta uma história dos bastidores do filme “O Exterminador do Futuro”: o Jim Cameron disse que se nós não tivéssemos tido o Arnold como ator nós provavelmente não teríamos feito o filme. Ele era a única pessoa que a gente conheceu que tinha a voz parecida com a de uma máquina.

Esse exemplo é assombroso e arrepiante de tantas formas que eu mal sei por onde começar. Essa história está na entrevista que o Tim Ferriss fez com o Arnold Schwarzenegger – político, ator e fisioculturista norte-americano. Todo mundo sabe quem ele é, mas aqui está um fato menos conhecido sobre ele.

Quando o Arnold quis mudar o rumo da sua carreira e tentar a sorte como ator muitas pessoas disseram que ele não ia conseguir. Ele ouviu de todo mundo que ele não fazia o tipo do mocinho que as pessoas gostavam de ver nos cinemas. Ele era muito bruto, muito alto e muito estranho. As pessoas preferiam ver homens magros, loiros e de olhos azuis – e ele estava totalmente fora desse padrão.

Até que ele conseguiu o papel para o filme do Exterminador.

Única e exclusivamente porque ele tinha essa qualidade estranha e bizarra que ninguém mais tinha: soar como uma máquina. Se ele não estivesse fora do padrão a gente talvez nunca visse um filme com ele. Essa história é uma das anedotas mais incríveis que eu já ouvi na vida. Ela é um exemplo real e palpável que a gente precisa se aceitar como a gente é – com todas as qualidades e com todos os defeitos.

Você nunca sabe qual vai ser a causa do seu sucesso.

Você nunca sabe qual vai ser o conjunto inusitado de experiências, características e habilidades que vão te colocar no caminho que você queria. Você nunca sabe qual vai ser a causa peculiar dos bons encontros e das oportunidades da sua vida. Você já tem tudo para dar certo, exatamente da forma que você é. Mesmo que isso signifique “dar errado” algumas vezes antes, aliás. O caminho certo é o seu caminho.

Abrace as suas manias, as suas estranhezas, as suas obsessões. Vá atrás dos assuntos que você gosta e das perguntas que te intrigam. E mesmo que você seja uma pessoa totalmente normal, sem nada aparentemente “diferente”, abrace isso também. A vida vai te presentear quando você se assumir por inteiro, sem deixar nada de fora.

 

Não é o que você sabe, é o que você faz consistentemente.

Fazer está muito acima de falar – e mais acima ainda de saber. Eu sou a última pessoa a te dizer que conhecimento não é algo importante. Eu adoro ler, adoro estudar, adoro conhecer coisas novas. Mas com o tempo eu percebi que só isso não é o suficiente. Isso não é nem o mais importante, na verdade.

Assim como a ação é uma das maiores vantagens competitivas, a prática é que vai selar e personalizar o seu conhecimento. Não importa o quão maravilhosos sejam os seus planos. Não importa que você seja mais profissional ou mais competente do que o coleguinha do lado. Se você não agir e não colocar os seus planos em prática, nada feito. Não importa a quantidade de frases filosóficas que você sabe citar de cabeça.

Se a sua vida não é pautada por esses princípios, vai ficar difícil.

E atenção: eu não estou tirando o mérito do conhecimento teórico. Ele é importante, ele é necessário. Mas ele só dá o pontapé inicial na festa. Somos nós que precisamos bancar a prática dessas boas ideias. Como diz outro convidado do Tim, nesse mesmo livro e sobre esse mesmo assunto: se bons conselhos e boas teorias fossem suficientes, todo mundo estaria rico, saudável e realizado. Simples assim.

O que é que você faz todos os dias antes de ir dormir?

O que você faz de manhã assim que acorda? Como está o seu tempo para descansar e brincar? Quanto tempo você tem dedicado para os seus projetos futuros e para as suas iniciativas de médio e de longo prazo? Pense nos últimos três livros que você leu e me responda o seguinte: quantas dessas ideias você colocou em prática?

A gente não precisa de mais teorias, meu povo. A gente precisa é agir.

E amanhã a gente precisa agir de novo. A gente precisa sustentar um novo hábito por algumas semanas antes de partir para o próximo. São as ações diárias e constantes que vão definir o caminho da sua vida, afinal de contas. E a escolha, como sempre, é inteiramente sua. Depois só não vale reclamar.
 

 

Estar ocupado é uma forma de preguiça – pensamento preguiçoso e ação indiscriminada. Estar ocupado costuma ser um pretexto para evitar as poucas tarefas desconfortáveis.

Essa é uma carapuça que já serviu pra todo mundo em um momento ou em outro. E ela mostra a diferença monstruosa que existe entre ser uma pessoa ocupada e saber exatamente o que você precisa fazer, se ocupando apenas com as tarefas mais importantes pro seu projeto. O primeiro caso é uma forma de procrastinar, na verdade.

Algumas pessoas simplesmente desistem, abrem mão de seres produtivas e levam a vida com a barriga dia após dia, vida que segue. Mas existem algumas pessoa que preferem se apresentar de um jeito vitorioso. Elas fingem que estão fazendo o que querem e fingem que estão trabalhando de uma forma ativa e intencional.

Afinal de contas, fingir é muito mais respeitável do que abandonar o barco.

Se colocar como uma pessoa que vive ocupada é uma coisa elegante de se fazer hoje em dia. Dessa forma você consegue, ao mesmo tempo, tirar o seu da reta e jogar a culpa e a responsabilidade em cima de coisas abstratas – a correria do dia-a-dia, o mundo caótico no qual a gente vive e as mil responsabilidades que colocaram em cima de você. Um discurso eficiente, discreto e covarde.

Mas vamos lembrar, também, que estar ocupado é diferente de trabalhar muito.

Algumas pessoas precisam fazer muitas coisas. Elas não tem o luxo de poder trabalhar apenas quatro ou seis horas por dia, fato. A grande diferença está em ter clareza e consciência do que você mais precisa e mais quer fazer e eliminar tudo o que não for urgente ou importante. Se você tem a benção de poder usar o seu tempo como você quiser, aproveite bem ela. Exercite o seu livre arbítrio.

Estar ocupado é uma desculpa conveniente. Trabalhar muito é necessidade.

 

Concluindo

Ao longo dos próximos meses, quando eu terminar essa leitura monumental, vai rolar uma continuação dessa resenha. São tantas pérolas e tanto conhecimento que seria um desperdício não compartilhar mais dessas ideias maravilhosas com vocês.

E vem cá, me conte: qual dessas cinco frases mais clicou contigo?

Qual livro revolucionário você está lendo atualmente? Compartilhe, compartilhe, compartilhe – é assim que a gente faz aqui nessa casa, meu povo. 😌


🔋 CURTIU? AQUI TEM + IDEIAS BACANAS PARECIDAS, Ó: