Notas sobre como ter mais coragem e ânimo na vida

As melhores coisas da minha vida (livros, relacionamentos, experiências, lugares, etc.) são aquelas que são um pouco contraditórias.

São as experiências maravilhosas e totalmente incríveis que também me ajudam a entender um outro aspecto da vida (mais duro, mais realista, menos romântico e menos fantasioso) que eu não conhecia: esses são os momentos que eu mais valorizo.

Contradição é parte intrínseca da vida e eu já aprendi a largar de mão essa mania obsessiva de tentar fazer tudo ter um sentido único e claro. E reforçando isso – junto com uma penca de diretrizes e filosofias maravilhosas e corretíssimas – me caiu no colo o livro Brave Enough (algo como: suficientemente corajoso), da Cheryl Strayed.

Conheci esse livro através de uma entrevista com a autora que vi na internet – a entrevista absolutamente mais incrível, emocionante e profunda que eu já vi em toda a minha vida, aliás – e fiquei sabendo que ela escreveu alguns livros bem famosos.

Alguns de ficção e outros de não-ficção. Fiquei curiosa, procurei sobre esse em particular e descobri que ele é um livrinho bem pequeno cheio de citações da própria autora. Frases retiradas dos seus próprios livros que, ao longo dos anos, ela percebeu que tinham um impacto profundo nos seus leitores.

E gente do céu, que livro maravilhoso!

Precisava compartilhar algumas das minhas passagens favoritas com vocês e contar a minha opinião sobre elas. Esse livro é curto e pode até ser encarado como autoajuda, mas a verdade é que ele é poesia pura. É como uma bússola literária para que a gente guarde lá no fundo da cabeça e use quando estiver perdido.

Lembrando, como sempre, que esse texto está super longe de ser uma resenha estética ou crítica realmente abrangente. São apenas notas sobre os assuntos abordados no livro que, eu espero, tenham um impacto tão grande em você quanto tiveram em mim. ❤️

 
 

Nós não chegamos no topo da montanha saindo do topo da montanha. Nós começamos lá embaixo e vamos subindo. Existe sangue envolvido no processo.

Começando já com uma voadora na cara para não deixar nenhuma dúvida: ninguém nasce vitorioso, ninguém atinge o topo do dia para a noite.

Se você está em um daqueles momentos super confusos, frustrantes ou monótonos da vida e anda se martirizando por não ser mais famoso, mais rico, mais inteligente ou mais querido pelas pessoas: calma.

Nem você e nem ninguém vai conseguir atingir todos os seus sonhos mais ardentes num passe de mágica ou num estalar de dedos. Não é assim que nada acontece na natureza, não é assim que vai acontecer para você.

Como disse a Cheryl, existe sangue envolvido nesse processo e não tem como você fugir disso. É claro que você pode ter sorte e ter algumas ótimas oportunidades entregues de bandeja na sua porta, mas no fim das contas o trabalho para subir essa montanha vai ser todo seu.

Todo mundo começou do zero em algum momento da vida e cada pessoa que você encontra e que já conquistou algum nível de sucesso ou de satisfação é uma pessoa que suou um bocado para subir parte dessa montanha – pode contar com isso.

Aceitar essa verdade imutável da vida é como aceitar o fato que existe gravidade: é mais uma lei do que algo aberto para discussão.

E sim, existem momentos em que essa subida vai ser difícil para cacete.

Mas é muito bom nos livrarmos do fardo de sermos perfeitos, ágeis e vitoriosos de repente. Ninguém consegue isso e existe muitíssimo mérito e uma tonelada de honra em saber que tudo o que você conquistou até hoje é fruto direto do seu próprio esforço em fazer essa trilha.

Esse sempre vai ser o seu verdadeiro sucesso.

 

Uma vida evoluída e ética implica em dizer a verdade sobre você mesmo e em viver essa verdade.

Falando um pouquinho sobre autenticidade – um assunto tão tão tão tão importante –, essa frase é absolutamente perfeita para resumir tudo o que eu penso e o que eu prego sobre isso.

Debaixo de todas as coisas (tabus, dogmas, expectativas alheias, vergonha, culpa ou pressões internas) existe um único pilar que realmente nos sustenta: a nossa verdade. E dizer que uma vida ética e evoluída é, justamente, o ato da gente ser capaz de viver essa verdade é super libertador.

Isso é especialmente importante de lembrar quando estivermos naquelas enrascadas difíceis em que não sabemos como agir. Quando a insegurança, a dúvida ou o medo baterem, dê uma boa e longa olhada para você mesmo e tente descobrir qual é a sua verdade naquele momento.

A gente geralmente sabe bem qual é.

E nem sempre é fácil admitir, mas ela continua lá. A nossa verdade é um conjunto amplo e sutil de todas as ideias que nós acreditamos serem verdadeiras e que, por consequência, deixamos que guiem as nossas decisões e as nossas atitudes.

Ponha toda a sua energia mental e emocional na busca pela sua verdade. Esse processo já é difícil e trabalhoso mesmo quando a gente não julga e nem edita o resultado – imagine a merda que não dá quando a gente tenta, ainda por cima, se castigar por ser da forma como a gente é.

Se aceite, meu filho.

E não esquece que descobrir a sua verdade e saber como funciona a sua bússola interna é um processo eterno, que nunca pára e nunca cessa. Não existe ponto final e nem linha de chegada: você vai sempre mudar, se transformar e descobrir novas coisas sobre você mesmo. Seja fiel à essas coisas.

 

Os dias inúteis sempre dão em alguma coisa.

Me belisque pra ver se eu não estou sonhando, porque nossa. Essa frase é perfeita e eu queria ter um quadro com ela no meu quarto.

Ela me faz lembrar que sim, a vida é dura, difícil e a gente não tem garantia de coisa nenhuma – mas ainda existe um grande poço de magia ao nosso redor. Ela me lembra que o caos e a surpresa são aspectos tão importantes da vida quanto a organização e o planejamento.

A Cheryl diz para que a gente não despreze e nem ignore os dias inúteis, os momentos de tédio, os desvios que fazemos ou os percursos não planejados que terminamos precisando tomar ao longo da vida: todos eles vão dar em algum lugar.

Nada vai ser desperdiçado e tudo vai nos ajudar de alguma forma. 🌟

Essa é a imagem cuspida e escarrada da prosperidade, para mim.

Saber que todos os meus passatempos, todos os meus traumas, todas as minhas facilidades ou dificuldades específicas vão resultar em alguma coisa única e imperfeita e humana me deixa muito mais à vontade. E tira toda aquela pressão (que eu, pelo menos, sempre senti) de precisar ser perfeita.

Tome isso como um mantra e leve isso para a sua vida se você também tem tendência a se exigir demais, a trabalhar demais, a se divertir de menos e a se aceitar de menos. Gaste horas inúteis com as coisas que você mais ama, deixe o decorrer dos meses te levar para becos sem saída totalmente inesperados e abrace o fluxo doido da vida da forma como ele é.

Tudo isso vai te construir e te ajudar a criar um futuro ainda mais incrível.

 

Depois que o destino tiver entregue o que ele precisava entregar, nós somos os responsáveis pela nossa vida.

É tanto tapa na cara ao longo desse livro, minha gente.

Esse aqui é o chamado para a responsabilidade mais perfeito e harmonioso que eu já vi. A autora parte do princípio que sim, a vida sempre nos surpreende, e grande parte da nossa história nós não podemos e nem conseguimos controlar.

Isso é o que ela chama de destino: a imprevisibilidade dos acontecimentos e o caos que pode nos acometer a qualquer momento.

Ninguém está à salvo de nada e a gente precisa aceitar quando as coisas ruins ou boas nos acontecem. Mas independente do que o destino coloque na nossa caixa de correio, a atitude vai ser para sempre nossa.

Se existe caos, também existe livre arbítrio.

Se o nosso destino já está parcialmente traçado nas estrelas, a nossa atitude e as escolhas que tomamos ao longo da vida são intransferíveis. Ninguém vai fazer a sua vida por você: nem hoje, nem amanhã, nem nunca.

O que você quiser ver acontecer vai precisar sair diretamente do seu sangue, do seu esforço, da sua inteligência e das suas habilidades. Não importa o que a vida te jogou, não importa o que te aconteceu. Pode ser que as coisas não aconteçam da forma como você gostaria, mas a vida vai ser sempre um leque colorido de possibilidades.

Assuma, aceite o seu papel nessa brincadeira e aproveite.

Você nunca vai ter outra que nem essa.

 

É idiotice medir o seu sucesso pela fama ou pelo dinheiro. Sucesso só pode ser medido pela sua habilidade de dizer “sim” para essas duas perguntas: eu fiz o trabalho que eu precisava fazer? Eu dei tudo o que eu podia dar?

Essa ideia é muito profunda e verdadeira, mas a gente precisa ter cuidado para não distorcer o seu significado. A Cheryl não está te pedindo para ser uma pessoa doida e obsessiva pelo trabalho.

Ela não está dizendo que essa é a parte mais importante da sua vida ou que deveria receber toda a sua atenção. Mas quando o assunto é “ter sucesso na vida” é pela ótica do seu esforço que você precisa olhar.

Dinheiro, poder, fama e influência são só desdobramentos lógicos do que a gente faz – às vezes eles vêm como boas recompensas, às vezes até atrapalham um pouquinho. Mas seja da forma que for, eles nunca vão ser a medida pela qual você vai contabilizar o seu sucesso.

Você sabe que é uma pessoa vitoriosa quando sente, bem lá dentro da sua pele, que você fez todo o trabalho que precisava fazer. E isso nem sempre tem a ver com a sua profissão ou com a sua carreira, aliás.

“Trabalho” é uma palavra ampla e você pode dar o seu máximo para as causas que você acredita de mil e uma formas diferentes. Mas cada um de nós, sem a menor dúvida, está aqui para realizar algum tipo de trabalho. Escrever, pintar, dançar, desenhar, dar aula, apagar incêndios e tantas e tantas outras coisas possíveis.

Você pode nem saber direito ainda qual é o trabalho que você precisa fazer. E tudo bem também. Escolha um, pegue a sua melhor opção e dê o seu máximo para contribuir com o mundo dessa forma.

A gente não tira nada dessa vida mesmo.

Independente do que acontece quando a gente morre, o fato é que a gente perde essa forma de consciência atual e não leva nenhum tipo de posse ou de objetos materiais para o outro lado.

O máximo que a gente pode fazer com essa vida é aproveitá-la. E isso implica, diretamente, em deixar uma marca nas pessoas que estão do nosso lado. Implica em encontrar um ofício que nos agrade e que nos excite e nos dedicar a aprendê-lo.

Algum dia alguma coisa de boa vai sair dali.

 

Concluindo

Um livro poderoso demais, super poético e super tapa na cara. Se você sabe ler em inglês, compre. Não tem como não ser útil para você.

E caso esteja curioso, essa aí foi a entrevista da Cheryl que eu vi e que me encheu de todos os sentimentos maravilhosos dessa vida. Ela me descreve de tantas e tantas formas que nem sei:

 
 

Qual foi a última leitura super incrível e inspiradora que você fez?

Conte para mim aí nos comentários, de verdade. Eu adoro conhecer novos livros e saber quais foram os que mais impactaram as pessoas. Afinal, tem coisa melhor do que ler e transformar as pessoas com as palavras?


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