O mito da vida equilibrada: como priorizar o que realmente importa

Eu falei sobre isso essa semana com o pessoal que assina a newsletter (as conversas de organização que chegam nos emails da nossa família toda segunda-feira de manhã) e prometi que eu ia trazer esse assunto para o blog ainda esse mês, para dar ideias mais práticas e aprofundar a nossa discussão. Promessa feita é promessa cumprida, ladies and gentleman, e eu estou aqui para entregar o prometido.

Esse tema é absurdamente importante, incrivelmente vasto e eu prometo (tentar) ser concisa.

Eu perguntei para os seguidores do Instagram, há algumas semanas atrás, o que eles queriam que eu abordasse durante o meu projeto de 30 dias de lives. Essa ideia, como o nome já diz, é centrada na premissa que eu vou aparecer todos os dias, durante um mês, para entregar alguma pequena reflexão, dica ou questionamento sobre esse mundo da organização e da produtividade lá no Instagram. Muitas ideias legais surgiram, eu anotei todas e não demorou muito para eu perceber um padrão (um tanto quanto perturbador) emergir no meio daquelas perguntas: as pessoas realmente acreditam, em maior ou menor grau, que é possível criar uma vida milimetricamente equilibrada e perfeita.

Eu vou te dar um minuto de silêncio para você realmente pensar e absorver essa última frase.

Leia ela de novo e tire um outro minuto para pensar sobre as suas próprias crenças. No meio dessa loucura do século XXI, cheio de posts de Facebook, artigos de blogs e dicas incríveis sobre como ter a melhor vida do mundo, você acabou deixando entrar a noção que você deveria estar fazendo de tudo um pouco? Você se sente mal quando você faz o exercício da roda da vida e percebe que a sua vida está completamente desajustada, cambeta e com os projetos mal distribuídos? Existe alguma parte de você que pensa que se você fosse um pouco mais safo, mais inteligente ou mais gracioso o seu tempo poderia ser milimetricamente dividido entre a sua vida pessoal e a sua vida profissional? E que aí você conseguiria, finalmente, chegar nesse equilíbrio de vida saudável e justa que todo mundo quer ter?

Acho que você já sentiu aonde eu quero chegar com essa história, né.

Se você também guarda esse tipo de crença, esse texto é para você. E eu sei que eu talvez nem precisasse ressaltar isso com todas as palavras, mas reforçar as ideias importantes nunca é demais, então me permita ser redundante e te dizer: a vida não acontece dessa forma. A própria palavra equilíbrio, por mais que tenha um fundo bem intencionado, pode nos confundir e nos remeter à uma imagem de algo eternamente suspenso e para sempre equivalente. A vida é mais confusa e errática do que isso.

E a gente precisa abordar esse tema de um jeito bem mais realista e pé no chão.

 
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aproveita pra salvar a imagem aí do lado no Pinterest para se lembrar dessas ideias depois. <3


 

A sua vida não é equilibrada: ela é misturada

Uma frase óbvia, eu sei, mas a gente precisa começar do ponto mais importante de todos: a consciência. Dura e fria, prática e interna. A gente precisa mudar o foco das nossas palavras porque, como vocês sabem, o jeito que a gente fala das coisas e as formas de verbalizar os nossos pensamentos moldam e afetam (e muito) o jeito com o qual a gente lida com essas mesmas coisas. Tentar atingir um equilíbrio, como muitos textos, vídeos e pessoas sugerem, é admitir de antemão que todas as partes da sua vida precisam ser compensadas com alguma outra coisa. E esse nem sempre é o caso.

Às vezes você quer se dedicar integralmente ao trabalho. E daí? Às vezes você precisa, também.

Nem sempre é uma questão de escolha. Nada disso quer dizer, estejam atentos, que você não possa se esforçar para ter uma vida variada e criativa, composta de muitos tipos de projetos diferentes. É claro que você pode. Mas, de novo, eu trago a cartada da realidade para a mesa e te lembro que nem sempre o seu dia-a-dia vai ser absolutamente ideal, utópico e perfeito. Em alguns dias você vai precisar trabalhar mais, apagar incêndios e responder à demandas dos outros. Em outros dias você vai precisar cuidar de algum amigo, passar mais tempo com a sua mãe, pai, filho ou filha e fazer tempo na sua agenda para cuidar de uma emergência de saúde que surgiu com alguém. Em certos dias, porém, você vai apenas ficar ociosamente largado ou largada no sofá, vendo TV e olhando pro teto. E está tudo bem.

A vida não é uma equação matemática que precisa ter um resultado certo, redondo e constante.

A vida é a soma de muitas partes. Uma eterna montanha-russa e um eterno símbolo do yin-yang: com momentos de trabalho dentro da sua vida pessoal e momentos de lazer dentro do seu trabalho.

 

Quais são as suas prioridades?

Um problema tão velho quanto o Sol é que muitas pessoas ainda estão tentando fazer de tudo. Doido, né?

Mas quando a gente senta para planejar o nosso dia ou a nossa semana, com mais frequência do que você intuiria, a gente superestima a quantidade de coisas que a gente consegue fazer ao mesmo tempo. Eu vou cuidar dos meus filhos perfeitamente bem, brincar bastante com eles, ensinar várias coisas legais, vou para a academia quatro ou cinco vezes na semana, vou cozinhar todas as minhas refeições em casa com o máximo de comidas saudáveis, vou ao mercado duas vezes por semana, vou arranjar tempo para namorar, transar e sair com os amigos toda vez que eu quiser e ainda vou tirar 10 em todas as matérias da faculdade, conseguir aquela promoção no trabalho e dormir 8 horas por noite todos os dias.

AHAM, SEI.

Em que mundo é possível ter a vida perfeita? Com certeza não aqui, meu bem.

A gente precisa ter prioridades claras e construir uma imagem, o mais detalhada possível, de qual é o próximo nível de progresso que a gente quer ter ainda esse ano, esse mês ou essa semana. Qual parte da sua vida, por menor que seja, você pode melhorar hoje? Qual é o tipo de avanço que você quer fazer esse mês? E esse ano? Decidir quais são as suas prioridades atuais é essencial para realmente progredir e, eventualmente, construir uma onda de conquistas que vai resultar em uma vida estavelmente melhor.

Se você está e, dúvida ou com dificuldade de escolher um pequeno punhado de assuntos nos quais se concentrar, recomendo que você leia os seguintes textos aqui do blog: 9 conceitos e 6 exercícios para decidir o que fazer da sua vida + um exercício para decidir os seus objetivos do ano + 4 passos para criar um projeto que é realmente posto em prática. Todos eles, em alguma medida, vão te ajudar a esclarecer o que você realmente quer e a ir atrás disso para valer, com um cado mais de firmeza e motivação.

 

Quais são as partes importantes do seu dia?

Imagine cada período de 24 horas como uma corrida e que as coisas que você faz durante o dia são as mãos dos seus amigos nas quais você precisa tocar - tipo aquela brincadeira de criança, sabe? Até que o dia termine você precisa fazer pelo menos uma coisa, por menor que seja, relacionada à cada uma das suas grandes prioridades. Quais são as partes realmente importantes e relevantes da sua vida agora?

Do que você está precisando ou querendo muito cuidar? O que você quer construir ainda esse mês?

Deixando o planejamento de médio prazo de lado, se concentrar em como você vive os seus dias é um exercício terrivelmente simples e profundamente transformador que pode, por si só, te ajudar a entender qual é o tipo de mistura e composição que você quer e/ou precisa ter na sua vida agora. Isso pode mudar daqui a um mês ou daqui a um dia. Catástrofes acontecem, eventos políticos acontecem, boas surpresas também acontecem. A vida é cíclica e parte do seu trabalho é estar sempre de orelhas em pé para mudar o curso das suas ações quando algum evento, interno ou externo, mexer contigo.

Por um lado, isso é trabalhoso, sim. Um bocado.

Mas, por outro, você é a única pessoa responsável por conduzir a sua própria vida. Até que o seu dia termine, quais são as fases da sua existência e do seu ambiente que vão receber parte da sua energia? Você pode decidir que todos os dias, de uma forma ou de outra, você vai dar um tempo atencioso e carinhoso para a sua família. Da forma que você conseguir, do jeito que for possível. Se o seu filho/a é uma das suas prioridades, você vai arranjar tempo para ele/ela. Se você de fato quer cuidar mais da sua saúde e do seu descanso, todos os dias vão ser regados com pelo menos um ato de auto cuidado.

Quais são os três ou cincos pequenos atos principais que vão compor o seu dia?

E com qual parte da sua vida eles se relacionam? Eles vão cuidar da sua vida profissional, da sua saúde, do seu lazer, da sua vida social ou da sua espiritualidade? A gente não consegue, de repente, ter a vida perfeita e totalmente equilibrada, tal qual nos nossos sonhos, mas a gente consegue, sim, decidir o que nós vamos fazer ao longo do nosso dia. E esse é o máximo de luxo e de poder que a gente precisa ter.


 

PRA CONTINUAR APRENDENDO, COLA NUM DESSES TEXTOS AI Ó. SÓ TEM IDEIA BOA:

 

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