Os 4 grandes conflitos que impedem que você se organize + os seus antídotos

Quem faz parte do clube mais fino e organizado da internet (ou seja, a nossa newsletter, cof cof) sabe: o mês de maio foi inteiramente dedicado a responder as aflições que os leitores reportaram na enquete desse ano.

A primeira enquete que rolou por aqui foi ano passado e, se todos os astros se alinharem, vai ter mais uma antes do ano acabar. Essas enquetes me ajudaram de-mais em várias coisas: saber quais são as dificuldades mais cabeludas dos leitores, quais são as mais comuns, produzir, consequentemente, melhor conteúdo gratuito para vocês e até a arredondar mais os meus futuros serviços e produtos.

A todos que responderam: um beijo na bochecha! Vocês são demais. 💕

E o que eu decidi fazer com todas essas respostas, além disso, foi escolher algumas para responder publicamente. Se essas pessoas falassem dos seus problemas comigo, frente à frente, o que eu responderia? Me fiz essa pergunta enquanto estava analisando as respostas e a minha mente clicou super alto com esse insight.

Publique as suas respostas para todos os leitores organizados, ora bolas! Assim todo mundo aprende e sai ganhando.

Foi uma série tão gostosa de escrever e que recebeu tantos comentários positivos que eu decidi fazer disso uma parada mensal obrigatória: um email por mês vai ser totalmente dedicado à desfazer esses nós de organização, de planejamento e de produtividade dos nossos leitores.

Mas eu não quis parar por aí.

O mais valioso de saber a opinião, os medos e as dificuldades das pessoas é, justamente, poder usar esse conhecimento para ajudar ainda mais pessoas. Quando a gente compartilha o que realmente se passa na nossa cabeça e no nossos sentimentos, milagres acontecem.

Resolvi, então, dizer para vocês quais foram as respostas mais comuns para as perguntas da enquete e dar as minhas principais dicas de como esses empecilhos e sofrimentos podem ser contornados ou superados.

Começo te dizendo quais foram as três únicas perguntas da enquete: quando o assunto é organização, qual é a sua maior dificuldade?; o que é que + atrapalha a sua produtividade?; se você pudesse ter uma aula de graça sobre organização, qual seria?

Perguntas fortes, minha gente. 👀

As respostas foram fabulosamente humanas, interessantes e, o melhor de tudo, repetidas várias e várias vezes de diferentes formas. Você aí, sentado do outro lado da tela, pode pensar que as suas neuras e pedras no sapato são únicas, mas eu estou aqui para te dizer: doce mentira.

Existe uma penca de pessoas que pensam exatamente as mesmas coisas e que estão atrás das mesmas respostas que você. Já é um consolo, não é?

Eu reuni as respostas mais faladas em 4 grupos temáticos – falta de continuidade, dificuldade em colocar a mão na massa, procrastinação e falta de disposição – e aí embaixo eu vou dar as instruções específicas de como esses monstros de sete cabeças podem ser reduzidos a simples formigas inofensivas. 🐜

 
 

Como ter mais disciplina e continuidade

Quando o assunto é organização, qual é a sua maior dificuldade? “Manter a organização”, “manter uma rotina”, “manter a disciplina”, “ser fiel a um cronograma”, “manutenção da organização já realizada”.

Você está vendo a tendência também ou sou só eu?

Vamos desmembrar esse problema e investigar quais podem ser as verdadeiras razões por detrás dele. Quem não consegue ser fiel a um cronograma, por exemplo, pode não ter passado tempo suficiente consigo mesmo para entender qual é o seu perfil de organização.

Quando a gente pensa em organizar a casa, por exemplo, isso fica super claro. É relativamente fácil (ou, pelo menos, mais simples) arrumar uma gaveta – até uma criança pode fazer isso. Você tira tudo de dentro e coloca tudo de volta seguindo um padrão. É claro que existem algumas gavetas bagunçadas demais, mas vamos pensar em um exemplo corriqueiro.

Duas semanas depois da gaveta ter sido organizada, quem aí chutaria o que aconteceu com ela? Continuou parecendo capa de revista sem que ninguém levantasse um dedo ou foi totalmente bagunçada de novo porque a pessoa simplesmente parou de tentar seguir uma ordem?

A primeira opção acontece com bastante frequência, a gente sabe.

Organizar por organizar nem sempre é a resposta. Organizar para destralhar é um ótimo objetivo e eu sempre digo que qualquer organização já é muito melhor do que nenhuma organização. Mas para quem tem dificuldade de manter o que já foi feito é absolutamente vital entender o seu estilo e o seu propósito com aquilo.

Manter a organização já feita tem bastante a ver com consciência. Quando você entendeu o passo-a-passo que você acabou de fazer e sabe qual é a melhor forma para você conseguir aquele objetivo (arrumar a gaveta, ordenar os seus prazos, fazer uma lista de tarefas), fica menos difícil de manter esse hábito.

A outra parte dessa equação é composta por: garra + disciplina e a habilidade de manter os seus hábitos. E tem tanta coisa debaixo desses dois guarda-chuvas que a gente poderia passar dias e dias falando sobre eles.

Saber qual é o seu verdadeiro propósito com o seu hábito de organização costuma ser um combustível poderoso para atiçar a sua garra. Afinal, quem é que continua fazendo a mesma coisa quando não sabe sequer porque está fazendo aquilo?

E quando eu digo “verdadeiro propósito”, eu quero dizer o que realmente te anima a fazer as coisas - e não as frases política e socialmente aceitas que fariam você ficar bem na fita na frente dos seus amigos. Porque cargas d’água você quer organizar a sua rotina, por exemplo?

Sobre isso eu já falei bastante aqui no blog, então vamos às indicações: leia esse texto aqui sobre os 8 hábitos mais importantes para você administrar bem o seu tempo e, depois, esse aqui sobre como manter os seus hábitos de verdade.

Eles vão levar essa conversa para o próximo nível. E sobre como ter mais garra, leia as minhas notas sobre o livro “Garra”, da psicóloga americana Angela Duckworth. Ele é uma mina de ouro sobre como ter mais perseverança e sobre as crenças bobas nas quais a gente ainda acredita.

Mas ó, se o seu problema for esse, uma palavra para te animar: o primeiro passo é sempre o mais complicado. Se você já começou a fazer a bola da organização rolar: não pare, meu filho! Vá fundo. 👊

 

Como colocar a mão na massa

Quando o assunto é organização, qual é a sua maior dificuldade? “Ultimamente a minha maior dificuldade tem sido começar”, “por onde começar”, “tenho muitas ideias e poucas acabam indo pra prática”, “ação, começar a fazer as coisas”, “começar”.

Olha, como essa carapuça serviu em mim, viu. Não tanto por não saber, praticamente, como começar a me organizar, mas principalmente pela questão de ter dificuldade em colocar a mão na massa.

Fazer acontecer é a expressão que representou, por muito tempo, a minha maior dificuldade. Porque, vamos ser sinceros: eu sempre vivi muito dentro da minha cabeça. Fantasias, sonhos, ideias, vontades nunca faltaram, eu tinha muitas!

Demorou até que eu começasse a exercitar o músculo da ação. E, antes de mais nada, venha ler essas notas que eu escrevi sobre o livro #GIRLBOSS – um tratado moderno & inspirador sobre a habilidade de colocar a mão na massa. Se você também tem esse problema, vai ser amor à primeira vista.

Uma das coisas que mais podem estar perturbando esses leitores é, literalmente, não saber qual vai ser o primeiro passo. Existem muitas informações gratuitas pela internet, mas nem sempre a gente tem tempo, saco ou paciência para decifrar e colocar tudo isso na ordem certa.

Para amenizar esse complicação, dê uma olhada nesse texto sobre como montar o seu sistema de organização. Ele não vai ser perfeito logo de cara, mas se você começar pelos itens mencionados no texto você vai estar já com meio caminho andado. Outra opção é contratar um serviço particular de consultoria e criar um projeto totalmente personalizado para as suas necessidades.

E ó, que coincidência! Isso você também pode encontrar aqui no site. Eu ofereço serviços um a um para quem está precisando de atenção plena para descobrir qual é o caminho o certo para organizar a vida.

Fora isso, a questão de colocar a mão na massa envolve várias outras pequenas coisas: às vezes é um tipo específico de procrastinação que nos impede (e se esse é o seu caso, continue lendo que logo lá embaixo vão ter dicas específicas para isso); às vezes é a incapacidade de simplesmente decidir qual caminho você vai tomar.

Para remediar isso, assista à esse TED sobre como tomar decisões difíceis. Ele foi simplesmente a melhor coisa que eu já vi na face da Terra e pareceu ter sido criado especialmente para mim. Depois, leia esse texto sobre a importância de decidir decidir – isso mesmo, você não leu errado.

Estar decidido a decidir – ou seja, a dar o próximo passo e a escolher a próxima ação – é essencial quando você está estagnado e não consegue evoluir com os seus projetos. Nesse texto tem também uma indicação de um outro vídeo maravilhoso sobre esse assunto.

E bem, a verdade nua e crua (e já dando um pequeno spoiler do TED que eu acabei de recomendar) é que nem sempre existe a famigerada escolha certa. Você só precisa fazer: você só precisar dar o primeiro passo.

Ele vai ser glamuroso e sensacional? Não. Ele vai ser a melhor decisão da sua vida? Provavelmente não. Você vai escorregar e mudar de rumo centenas de vezes depois? Pode apostar que sim. Mas sem esse primeiro passo nada acontece. 👍

E a única pessoa que pode te levar aonde você quer chegar é você mesmo, em última instância. Conte com a ajuda de quem está ao seu lado, mas aprenda a nutrir um nível saudável de inconformidade, se conecte profundamente com os seus desejos verdadeiros e prefira mil vezes dar com a cara na parede do que ficar com aquele sentimento amargo e enferrujado de não ter nem tentado.

A gente só vive uma vez.

 

Como parar de procrastinar

Quando o assunto é organização, qual é a sua maior dificuldade? O que é que mais atrapalhar a sua produtividade? “Procrastinação”, “terminar o que eu comecei”, “manter o foco”, “deixar tudo para última hora”, “a procrastinação e o comodismo”.

Taí outra coisa que a gente poderia passar dias e dias debatendo: a ciência da procrastinação. Aquela coisa profunda, instintiva e inexplicável que faz a gente querer fugir do confronto e deixar tudo para depois. O ato repetitivo de comer pelas beiradas até não termos mais tempo e sermos jogados no chão pelas urgências.

Ou, pior ainda: deixar a vida inteira passar, não fazer o que você realmente queria e terminar com uma gaveta cheia de sonhos mofados.

A dificuldade de colocar a mão na massa é irmã de sangue da procrastinação. Deixar as coisas para depois e evitar olhar as suas pontas soltas nos olhos nada mais é do que um jeito de não agir, no fim das contas.

Eu falei nesse texto aqui sobre os 3 tipos de procrastinadores que existem e o que cada um deles pode fazer para superar esse hábito. Já digo de cara que não existe nenhuma solução mágica, mas um pouco de auto análise já vai te levar bem longe.

Que tipo de tarefas você vive deixando para depois?

Aquelas super chatas, burocráticas e mundanas? Tipo pagar o IPTU, fazer o imposto de renda, lavar as janelas da casa ou preencher formulários tediosos no trabalho? Ou são justamente as coisas que você mais diz que desejaria fazer? Aquelas coisas que são o cerne de quem você é e do que você quer fazer com a sua vida e que, contraditoriamente, nunca são feitas?

Ou será que você procrastina sempre, tudo junto e misturado, porque não faz a menor ideia do que você quer de verdade? Se esse é o caso, volte lá pra cima e veja as recomendações que eu dei para quem tem dificuldade de se decidir. Por detrás de todo ato de procrastinação está uma coisa mal resolvida, minha gente.

E não confunda o ato de deliberadamente deixar algo importante para depois com o costume de descansar. Uma pessoa que tem tempo para si mesma e que sabe que relaxar, brincar e se distrair é tão importante quanto produzir é uma pessoa bem mais produtiva e saudável.

Eu estou falando daquelas coisas que você sabe que precisa fazer, mas que não faz. E sobre isso, olha que interessante: uma pesquisa real apontou que o nosso cérebro realmente sofre quando a gente pensa antecipadamente sobre as coisas que nos causam algum mal.

Mas na hora H não existe sofrimento nenhum! Quando você realmente sobe no palco pra fazer a sua apresentação, defender a sua tese, consertar a fiação queimada na cozinha ou tirar o carro para dirigir pela primeira vez, o seu cérebro corta o mi-mi-mi e se concentra em te ajudar.

É o ato de se preocupar com as coisas que faz elas parecerem super horríveis. A gente já imagina todo mundo rindo, desaprovando, se decepcionando ou criticando a gente. O seu cérebro foi evolutivamente feito para te proteger de situações de risco.

E por mais que dar uma palestra não seja um risco fatal, se você tem muito medo é exatamente isso que o seu cérebro vai tentar fazer contigo: te impedir. Mas adivinha o que acontece se você simplesmente fizer aquilo que você está procrastinando?

Exatamente: você apenas faz.

O mundo não acaba, os zumbis não atacam e você não morre.

Sei bem que na prática não é tão simples assim e a gente sempre precisa lembrar que, às vezes, nós temos traumas reais e muito profundos com algumas coisas. Mas para a procrastinação diária nossa de cada dia, esse conselho simples vale por mil estratégias complexas: apenas faça. 🍃

 

Como ter mais disposição

O que é que mais atrapalha a sua produtividade? “Desmotivação e perda de foco”, “o cansaço”, “falta de concentração”, “falta de energia”, “preguiça”.

Coloquei nesse grupo algumas causas diferentes, porém parecidas: não conseguir estar motivado, não saber vencer a preguiça, não ter foco e nem concentração e estar sempre cansado e sem energia.

O principal remédio que pode, numa tacada só, matar várias dessas dificuldade é o ato de deixar a vida mais leve. De que forma você pode abraçar o Deus da Aceitação na sua vida e simplesmente deixar para lá as coisas que não combinam mais contigo?

Quais expectativas externas você anda trazendo para dentro da sua cabeça? Quais normas da sociedade você continua obedecendo, só porque sim, sem nunca ter se perguntado se você mesmo queria aquilo? Você delega parte das suas tarefas e pontas soltas para outras pessoas?

Seja em casa, no trabalho ou na organização filantrópica: você sabe aceitar ajuda? Sabe reconhecer quando está atingindo o seu limite e consegue articular um pedido para que outra pessoa alivie o seu fardo?

Se você tem a tendência de trabalhar demais e nunca cuidar de si, xeque-mate. A falta de energia e de disposição às vezes põe os pés em cima da mesa sem sequer terem sido convidadas por culpa nossa, mesmo, e de mais ninguém. Reavalie a sua rotina diária e semanal e veja se você está com algum vazamento de energia escapando pelo cano.

E antes que eu esqueça, veja aqui esse vídeo sobre a arte de estar pouco se fudendo para as coisas não importantes. Esse TED foi baseado em um livro com o mesmo nome (The Life-Changing Magic of Not Giving a Fuck) e o mote da coisa toda é: “pare de gastar o tempo que você não tem, com pessoas que você não gosta, fazendo coisas que você não quer fazer”.

Essa ideia complementa a que eu disse logo em cima, atacando aquele probleminha chato da gente achar que precisa fazer certas coisas para agradar as pessoas ou (pior ainda) de darmos a nossa atenção à brigas e futilidades pequenas demais. Se isso soa como algo que te atormenta, veja o vídeo.

Essas dificuldades às vezes também acontecem porque a gente não sabe tirar um tempo para descansar. E se esse é o caso, leia esse texto aqui com 50 dicas para ser mais produtivo. Elas estão separadas por categorias e uau, quem diria! Uma delas é justamente o descanso.

A sua lista de tarefas não te define. 🙋

O seu valor não depende da quantidade de coisas úteis que você faz e a sua saúde com certeza vai pro brejo um dia se você continuar renegando o seu próprio descanso e a sua própria diversão.

Que tipo de atividade, por mais boba que seja, pode iluminar o seu dia e te permitir um tempinho de descanso? Caminhar no quarteirão sozinho depois do almoço? Meditar por dez minutos toda manhã? Fazer a sua própria janta escutando uma música? Ler um livro ou um ver uma série bem boba só para aliviar a mente?

Faça um compromisso semanal com você mesmo de achar pelo menos um jeito diferente de garantir o seu próprio tempo off durante o dia.

E enquanto estamos falando disso, preciso lembrar da liberdade maravilhosa que é convidar o minimalismo para dentro da nossa vida e da nossa casa. Se você quer inspirações sobre como ter uma vida mais leve, leia esse texto aqui. Nele eu compartilho as coisas práticas e os hábitos que eu mantenho para nunca cair de cabeça na obsessão de sempre fazer mil coisas e acumular mil tralhas.

Às vezes a gente só precisa selecionar a dedo e escolher quais são os projetos, tarefas, responsabilidades, ideias inovadoras e objetos que a gente quer ter no dia-a-dia. Jogar fora o que não faz mais sentido e o que não te desperta nenhum tesão, e raciocinar sobre o que você realmente quer, é um excelente primeiro passo.

E pra fechar com chave de ouro, faça o teste do cronotipo.

Se você não lê em inglês e quer fazê-lo em português, clique aqui. Esse teste vai te dizer qual é o seu perfil de energia e vai te contar como funciona o seu relógio biológico. Ele foi desenvolvido pelo médico Michael Breus, conhecido como “doutor do sono” e o resto da teoria dele sobre isso está em um livro que já foi traduzido, chamado "O Poder do Quando".

Depois que eu fiz esse teste eu consegui ajustar a minha rotina para se adequar ao meu relógio biológico e nossa – que imensa diferença isso fez na minha produtividade e na minha rotina, viu. Incrível de verdade.

E na dúvida: se observe. Será que a sua falta de energia é por causa da forma como você se alimenta? Será que você está jogando algum problema super mal resolvido para debaixo do tapete? Prestar atenção em você mesmo é forma garantida de sempre investir bem o seu tempo.

Qual dessas carapuça serviu em você? Qual seria a sua resposta para essas questões? Me conte aí embaixo nos comentários e vamos continuar trocando e aprendendo juntos, gente linda!


🐳 CURTIU? AQUI TEM + IDEIAS BACANAS PARECIDAS, Ó: