Por que você nunca está feliz com o seu nível de organização? Dicas práticas & reflexões

Se perguntarem para você se a Ana Carolina é uma pessoa meio sacana às vezes, responda que sim.

Eu sou mesmo. Principalmente para provar um argumento e para tentar tirar os véus de enganação que vocês colocam na frente de alguns problemas. Tipo semana passada, quando eu fiz uma enquete no Instagram com apenas duas opções antagônicas de respostas. A pergunta era: “o quão feliz você está com os seus níveis de organização e de planejamento atuais?”. Para responder, a pessoa precisava escolher uma dessas duas opções: “bem feliz, tô de boas” ou “não, nunca é o suficiente”. Eu disse que eu era sacana.

É claro que existe uma miríade de nuances entre “super feliz” e “descontente para caramba”, eu sei disso.

Mas essa pergunta foi um teste. Eu queria ver quantas pessoas se alinhavam com o pensamento de "bom, eu até sei fazer algumas coisas, mas a vida é tão difícil e está tudo uma merda tão grande que, ao fim e ao cabo, eu estou é infeliz pra cacete" e quantas pessoas, por outro lado, julgariam que os seus níveis atuais de organização e de planejamento de vida eram suficientes. Eu não perguntei que nível era esse; eu apenas pedi por um auto julgamento e por uma classificação consciente. Em outras palavras, eu perguntei se a pessoa estava contente e em paz com a sua organização atual ou não.

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E é engraçado ver que, perante apenas duas respostas assim tão opostas, muito mais pessoas acabam abraçando a hipótese que elas nunca vão estar satisfeitas e que de alguma forma toda a organização do mundo não seria suficiente do que ter a atitude mais difícil, porém mais saudável, de perceber que o que elas têm agora já é suficiente. Como eu disse pelo stories do Instagram um dia depois, quando os resultados saíram: estar 110% satisfeito com tudo é bem diferente de saber que o que você tem já basta. Esse texto, aqui, portanto, é uma provocação e um antídoto.

Eu perguntei, logo embaixo da enquete, porque a pessoa sentia que ela nunca vai ser organizada o suficiente e peguei algumas das respostas mais comuns para organizar um compêndio de dicas e ideias práticas que podem ajudar vocês a darem uma volta nessas dificuldades e a recuperar um cado mais o leme do Navio da Organização da Vida. Eu sou sacana e cuidadosa & carinhosa ao mesmo tempo. Mas cuidado, navegante: essas águas podem ser muito tortuosas e o seu barco pode ficar perdido aqui pra sempre. Quem estiver lendo esse texto porque se identificou com o título e está vestindo a carapuça de achar que nunca vai existir organização e planejamento o suficientes na sua vida, prestenção na tia.

Porque esse texto também é um aviso.

A satisfação completa não existe. Você pode se esforçar pra tapar todos os pequenos e grandes buracos da sua vida, você pode tentar compensar a falta de controle com a organização (hello!) e você pode continuar tentando viver o ideal que o perfeccionismo te colocou na cabeça o quanto quiser. Isso não significa que você vai conseguir. Você pode, isso sim: trabalhar nas pequenas melhorias marginais e ir avançando aos pouquinhos, como todos nós, meros mortais, fazemos. Mas sempre vai faltar algo.

E a vida não vai deixar de ser perfeita e maravilhosa por causa disso.

O caos existe, o imprevisto existe, os seus defeitos existem – tudo isso existe. E, por um lado, você sempre pode voar cada vez mais alto e ambicionar chegar a níveis ainda melhores & mais otimizados de direcionamento de vida, de profissão, de otimização do tempo e de desenvolvimento pessoal, é claro. Mas, por outro lado, você precisa aceitar que você é intrinsecamente imperfeito e inerentemente falho.

E que nenhuma quantidade de organização do mundo vai mudar isso.

Moral da história? Trabalhe, sim. Se esforce, sim. Mas se divirta também. Se cobre um pouco menos e aproveite um pouco mais. O nosso tempo aqui é super curto e passar parte dele achando que você deveria estar fazendo mais coisas é uma excelente maneira de desperdiçá-lo. Escreva isso na testa. (y)


 

Porque eu procrastino muito

Ô MEU PAI DO CÉU. Se eu ganhasse cinco reais toda vez que ouvisse isso. Porra! Eu já teria conseguido juntar uma boa grana, viu. Essa queixa é universal e eu já escrevi um texto bem legal falando sobre isso. Assim como o lance da procrastinação, todas as respostas que as pessoas deram para essa enquete já possuem, em retrospecto, pelo menos um ou dois textos do blog que dão boas soluções e ideias interessantes. Ainda assim, cês me conhecem: eu gosto de inovar e de falar do mesmo assunto de outras formas para ver se cai a ficha de mais alguém e é isso que eu vou fazer com essas sugestões de antídotos.

Eu já abordei a procrastinação algumas vezes, mas, tirando aquele texto que eu indiquei ali em cima, eu nunca escrevi muito mais sobre ela. Quem precisar saber mais sobre isso (e quiser uma leitura extremamente deliciosa e super hilária) vá ler A Arte da Procrastinação – um livrinho pequeno e porreta de bom, cara. Ele é perfeito! Eu, porém, não gosto de dar força ao inimigo e nem de tocar flauta pra maluco dançar. Ler sobre os meus problemas nunca me ajudou a solucioná-los; quem diria, né (risos).

Eu prefiro falar sobre o poder da ação e de como cultivar esse músculo com mais desenvoltura.

A regra mágica do GTD (se levar menos de 2 ou 5 minutos para fazer, faça) é uma bóia de salvar vidas nesse ramo da procrastinação, gente. De verdade verdadeira. Esse único princípio, quando levado à sério, muda tudo. Viu um email que você pode responder rapidinho? Lembrou que você precisa separar a sua roupa e fazer a marmita pra levar pro trabalho? Viu um lixo no chão que dá pra varrer? Para e faça.

Simples assim. Essa regra não é para ser confundida com o eterno estado permissivo de viver cuidando de urgências e de deixar a sua atenção ser roubada por tarefinhas de merda; não é nada disso.

Mas quando você não estiver 100% focado em uma tarefa importante, aplique essa regra.

Uma extensão dela que já me ajudou muito foi estabelecer pelo menos 2 tarefas chatas por semana que eu precisava fazer. Aquelas tarefas que você sempre joga pra frente, sabe? Porque são horríveis, chatas, burocráticas, envolvem ficar na fila ou no telefone por uma infinidade de tempo. Dica profissional: elas não vão ficar mais fáceis só porque você tá fingindo elas não existem. CHOCANTE NÉ? Eu juro que é verdade. Quanto mais rápido você puxar o band-aid, mais rápido aquilo ali vai acabar. É tiro e queda.

Se você procrastina porque, na sua cabeça, as condições nunca são ideais e você não pode dar a cara à tapa e arriscar uma humilhação pública, leia esse texto aqui sobre como contornar o perfeccionismo. Esse sempre foi o tipo de procrastinação que mais me paralisou: pensar que a minha ideia não era boa o suficiente ou, com mais frequência, que por mais que eu tentasse fazer algo bom, eu nunca ia conseguir. Os padrões que a minha mente me colocava, afinal de contas, eram muito gigantescamente imensos.

Como é que eu ia alcançar esse patamar milagroso do dia pra noite?

Reposta curta: eu não ia conseguir. Se você tem alguns projetos promissores e você está deixando eles pegarem mofo na gaveta, a resposta é bem parecida com a minha primeira sugestão: faça alguma coisa sobre eles, meu bem. Mesmo que seja pequena e mesmo que seja só uma tarefa por semana. O lance da procrastinação, pelo motivo que for, é essencialmente o mesmo: se você pensar sobre, você não faz.

 

Porque eu nunca me satisfaço com nada

O meu canal do Youtube está ainda sem muitos vídeos, mas no início desse ano eu fiz um vídeo respondendo à seguinte pergunta: “mas Ana, eu posso mudar sempre o meu sistema de organização?”. Eu sou o exemplo vivo de uma pessoa que foge da raia (e das ações difíceis, de fato) indo pra barra da saia do planejamento excessivo; eu já falei isso uma penca de vezes aqui pra vocês. Às vezes esse é o meu esconderijo: trocar de aplicativo, comprar uma agenda, colocar a minha lista de referências de projetos em outro lugar. Mas às vezes não. Afinal de contas, eu sou especialista e estudiosa do tema. Eu preciso ficar por dentro das diversas formas e das ferramentas mais bacanas que nos ajudam a organizar a vida.

Eu mudo um bocado o meu sistema de organização.

Isso me ajuda a manter o tesão do relacionamento vivo também, sabe como? Você precisa saber do que você gosta e o que você valoriza nas ferramentas que te ajudam a se organizar, tal qual no sexo.

Quanto mais você sabe o que te excita, melhor. Mais proveito você tira e mais fácil você encontra as pessoas que se encaixam com você. Querer sempre melhorar o meu sistema de organização é algo inerente meu – e, pelo que eu vi, também das pessoas perfeccionistas que sempre buscam algo mais.

É difícil, mas o conselho prático que eu te dou é o seguinte: faça um diário das suas conquistas.

Isso não vai te fazer ser uma pessoa encostada, ociosa e sem ambições. Quem quer melhorar sempre, evoluir sempre e estar sempre um passo à frente do que estava há um mês atrás vai ser assim pelo resto da vida, provavelmente. Mas nada disso deveria bloquear o seu senso de vitória e de conquista. A minha melhor resposta para essa dificuldade é, justamente, perceber que o seu nível de organização ja é perfeito. Não no sentido de não ter falhas ou de não poder ser melhor, não é isso. E sim no sentido de ele ser exatamente o que você precisa agora para estar aonde você está e fazer o que você está fazendo.

O seu momento atual é perfeito. Você está passando pelo caminho exato que você deveria passar.

Mesmo quando as coisas estão de pernas pro ar, mesmo quando você é incapaz de dar a volta em alguns dos seus defeitos. Eu acredito nisso. Especialmente para nós, pessoas com luxos e facilidades de vida que raramente param para perceber os luxos e os privilégios que têm. Especialmente nesse caso. O diário de conquistas diárias é uma forma de materializar o seu progresso e de trazer para a sua mente consciente o que o seu coração e o seu inconsciente já sabem: que você é foda, cara. E que você está tentando.

Todos os dias (ou quase todos, ao menos) você levanta, toma banho e vai lutar na vida.

Todo dia, seja grande ou pequeno, você faz um avanço.

Eu canso de advogar em nome da melhoria diária de 1% – quem está aqui há mais tempo e lê a newsletter semanal sabe disso. É assim que a vida progride, é assim que a gente chega a lugares nunca antes imaginados: um pouquinho por vez. E apesar do que a sua mente possa te dizer, você não é melhor do que ninguém; e o avanço vai acontecer para você com acontece para todos. De forma incremental com alguns saltos pontuais de boa sorte. Até lá (enquanto você não chega na versão mais perfeita e incrível de você), enquanto você trabalha e se esforça para ser um ser humano melhor do que ontem, anote as suas vitórias. Isso vai te dar uma perspectiva realista do seu progresso e te dar ainda mais energia.

 

Porque eu deveria dar conta de tudo sempre

Vou mandar vocês lerem, depois desse texto, esse artigo aqui sobre a roda da vida e esse outro sobre como criar os seus objetivos do ano de forma realista, pra começar bem a conversa. Esses dois textos contém alguns exercícios que vão te ajudar a fechar um pouco o seu foco e a decidir quais são as iniciativas e projetos nos quais você realmente quer se concentrar, tanto agora quanto até o fim do ano.

Mas essa resposta, eu sei, guarda algumas camadas escorregadias por baixo.

É como eu escrevi na apostila que fiz para o curso presencial Sintonia: você precisa saber que você não vai dar conta de tudo. Nem agora e nem nunca. Você não é o Super Homem ou a Mulher Maravilha e se você for mulher, então, por tudo o que é mais sagrado, abandone essa ideia que você deveria ter uma vida perfeita e à prova de balas o tempo. Para se provar para a sociedade, para impressionar quem quer que seja, para receber aprovação ou validação da sua família, o que for. Não me importa a crença limitante ou a associação meio doida que você fez na sua cabeça – isso é trabalho para a sua terapia.

O meu papel aqui é te dar o antídoto. E nesse caso, olha que sorte, ele é até bem simples.

Se concentre em uma única e grande área da vida para dar atenção agora e, conforme você for ficando melhor no planejamento à médio prazo e na organização das suas tarefas e demandas do dia, adicione outras pequenas ou médias prioridades. Digamos, por exemplo, que você vai fazer avanços significativos na área profissional da sua vida. Você pensa o que isso quer dizer, exatamente, trabalha no resultado desejado dos seus pequenos projetos que compõe essa prioridade e se dedica somente à isso por um mês. Até lá a sua casa talvez fique mais suja que o normal. Talvez você não consiga ver todos os filmes, ler todos os livros e acompanhar cada reviravolta política e econômica do Brasil e do mundo. E tudo bem.

O que é importante para você agora, de verdade? De verdadeira verdadeira?

Eu bato muito nessa tecla porque, com frequência, as pessoas que não sabem se organizar e que me dizem que não tem tempo pra nada, na verdade, não sabem o que é mais importante para elas naquele momento. E uma coisa não exclui a outra, aliás: você pode dar conta de muita coisa e ainda assim ter um foco claro e uma prioridade obviamente mais relevante para a qual você vai dar atenção.

Ter esse posicionamento esclarecido internamente faz toda a diferença do mundo.

Perceber que você não tem como ser excelente dando conta de muitas frentes diferentes ao mesmo tempo e, logo em seguida, discernir qual é o avanço que você mais valoriza agora: essas são as duas coisas (uma prática e outra mais abstrata, porém ambas possíveis) que eu digo pra vocês fazerem caso essa dificuldade tenha ressoado mais contigo. Como boa perfeccionista que eu era/sou, tenho sempre a vontade de ser reconhecida e de ter excelência em tudo o que eu faço, sim. Mas eu cheguei em um ponto em que percebi que ou eu atingia pequenos marcos ou eu nunca saí do lugar. Eu abri mão de ser foda em tudo ao mesmo tempo e, pasmem vocês, isso me fez avançar até mais rápido nos meus objetivos.

 

Porque eu não sei conciliar descanso e trabalho

Outro assunto que dá muito pano para manga e que, pensando bem, merece até um texto exclusivo pra ele aqui. Mas indo direto aonde mais dói, ressalto que descansar e relaxar também faz parte da sua produtividade e que nenhum indivíduo nesse planeta está em modo foco o tempo todo com força total. Se essa também é a sua dificuldade, o primeiro passo é ler esse texto aqui sobre como ser preguiçoso de propósito e fazer essas lagoas de descanso funcionarem a seu favor ao longo do dia.

Esse problema geralmente se divide em dois lados: o das pessoas que até podem descansar e que simplesmente não conseguem (e que tentam compensar a merda e as frustrações das outras partes da vida com um cado de trabalho a mais) e as pessoas que literalmente fazem coisas demais.

O conselho para esse último grupo é batido, mas ainda é o melhor: delegue o que der pra ser delegado. Se você não consegue descansar, faça uma verificação rápida e responda o seguinte: todas as pessoas que moram na sua casa estão ajudando a dar conta dela? As tarefas domésticas são bem divididas entre toda a família? Tem alguma conta alta ou algum gasto extra e mais extravagante que você poderia cortar para redirecionar esse dinheiro para contratar alguém para te ajudar nas tarefas que você não está dando conta? Eu sei que nem todo mundo pode simplesmente “pagar alguém pra fazer X”, mas esse argumento só vale para quem toma conta do seu dinheiro e sabe realmente para onde ele vai.

No seu trabalho você tem como pedir ajuda de alguém?

Você é do tipo que diz “sim” para todos os favores e ajudas que todos os colegas de trabalho, vizinhos e membros da família pedem? E ainda faz isso sem querer, de verdade, e sim porque se sente na obrigação? Existe alguma tarefa da sua semana que você faz só porque se sento obrigada/o, aliás? Todas essas perguntas vão te ajudar, mesmo que seja um pouco, a diminuir a sua carga de trabalho. Todas elas apontam para dificuldades que nós mesmos acabamos nos impondo e que, tempos depois, nos perguntamos, surpresos, como diabos a gente está assim tão sem tempo e assim tão esgotada/o.

Se tudo o mais falhar, volte pra ler a dica do item ali em cima. Você talvez precise dela também.

E se você até tem como descansar, só não sabe como fazer isso, te digo os princípios básicos que têm me ajudado muito nessa questão. Número um: às vezes você precisa se lembrar de descansar. Conte a sua situação atual para alguma amiga ou amigo de confiança e peça explicitamente para ela/ele te dizer quando você estiver trabalhando demais. Isso ajuda muito. Nem sempre eu quero descansar, por exemplo, mas eu me forço à seguir pelo menos uma regra essencial: dormir no horário que me permite acordar no meu melhor estado no dia seguinte (que, para mim, é entre dez e onze da noite) e parar de trabalhar pelo menos duas horas antes de dormir. Prezar pelo meu sono e por um pequeno período de lazer no fim do dia faz toda a diferença para mim, gente. Muita diferença mesmo.

Pensar no motivo pelo qual você não consegue parar de trabalhar é uma boa coisa também.

Assim como não sacrificar o mínimo de qualidade nas suas refeições. Seja lá o quão amiga/o você seja da cozinha, faça um pacto com você mesma/o de sempre tirar tempo para fazer um bom almoço ou para ir a um lugar com opções minimamente saudáveis de comida. Quando você fica super tenso e estressado por causa do trabalho, sem dar descanso nenhum pra si, a alimentação é uma das primeiras coisas a serem chutadas para beira da estrada. E de que adianta trabalhar pra caramba e ficar mal de saúde?

Exatamente: coisa nenhuma. :)

Leia esse texto sobre como organizar a sua rotina com alguns blocos de tempo mais flexíveis, também, e depois esse outro sobre como fortalecer e manter os seus hábitos. Saber descansar e relaxar é uma atitude interna, mas alguns poucos hábitos bons durante o dia e durante a semana podem servir de gatilho e te ensinarem de fora para dentro, aos poucos, que você também merece relaxar e ser nutrir. <3


 

E ó, aqui embaixo tem outras ideias que podem te abrir ainda mais os horizontes:

comentários? dúvidas? sugestões?